terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Papeleta médica... Argh!!!!!!!!!!

Tudo na vida tem regras, para tudo existe uma burocracia, um entrave burocrático. No caso das instituições públicas eu costumo chamar esses entraves de “burrocracia”. É um tal de requerimento pra cá, memorando pra lá, que um assunto que poderia ser facilmente resolvido em dez minutos acaba levando quatro horas. Como qualquer unidade governamental a PMERJ não poderia ser diferente, é requerimento, papeleta, LTS, IFP, etc, etc, etc, que chega me deixar tonta. Como todos sabem meu marido está em tratamento para câncer e fazendo a quimioterapia, o que significa baixa imunidade e uma grande facilidade para que doenças banais como uma simples gripe possam levá-lo ao hospital novamente. Onde quero chegar com isso? Bem, eu fico imaginando e avaliando a “burrocracia” da tal da papeleta médica: Qual a funcionalidade daquele bendito papelzinho verde que o PM tem que pegar no BPM toda vez que necessita ir ao médico? A única função que consegui encontrar para ele é o de dar trabalho e dificultar a ida do policial ao HPM, vendo tanta dificuldade o policial acaba desistindo de se tratar e o malandro, que só quer um atestado, desiste de tentar dar o gabiru. Mas se formos ver bem direitinho é uma das “burrocracias” mais cruéis que existe, já que acaba por afastar um doente do tratamento e leva alguém que realmente esteja passando mal a cumprir uma verdadeira maratona na busca pelo tratamento. Vamos supor que o policial seja lotado em Bangu e more em Ramos: Deu pra perceber a maratona que ele terá que cumprir? Vai sair de Ramos e irá até Bangu pegar a papeleta, de lá volta todo o caminho (passando por onde mora) e vai para o HCPM e é atendido, o médico, então, o põe de LTS, ele desce a rampa vai pra junta, pega aquele monte de papéis (no meio deles a bendita papeleta) com a licença homologada e volta para Bangu (não esquecendo que, mais uma vez, para chegar ao 14º BPM o cara passou pela sua casa, o local onde ele mais quer estar, já que está doente e precisa de repouso) e só depois dessa via crucis é que ele pode ir para casa. O que não entendo é porque não se abole esse bendito papelzinho verde e passam a aceitar um atestado em receituário do próprio HPM, seja indicando as horas, ou seja dando as pequenas dispensas, quanto as LTSs e IFPs, tenho que concordar que a ida a junta para passar por uma perícia seja necessária, afinal, em qualquer lugar quem realmente decide a necessidade real de afastamento é a perícia, mas em relação ao bendito papelzinho verde, estou começando agora uma campanha: “ABAIXO A PAPELETA! CHEGA DE BURROCRACIA! VIVA A LIBERDADE DE ATENDIMENTO MÉDICO!”
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Bem gente, deixo aqui o meu recado, agora já vou indo, pois o meu grandão me chama e eu preciso curtir meu amorzão em casa ao máximo, beijos e FELIZ NATAL!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

SOLIDARIEDADE

Li hoje nos meus recadinhos um pedido da amiga Sgt. Ana Barbosa a respeito das necessidades especiais de alguns policiais e seus familiares e vou tentar ajudar no que for possível. O primeiro passo é o de esclarecer que, apesar de não existir uma política governamental voltada para o policial em situação especial e suas famílias, existe um sistema de auxílio dado pela DAS (Diretoria de Assistência Social) para esses policiais, não só para eles como para qualquer dependente que se encontre em situação de necessidade de medicamentos, materiais para curativos, cadeiras de roda, cadeiras higiências, camas especiais, etc. Como todos sabemos tudo que vem do governo é demorado pois depende de verba pública e essas verbas, muito pequenas, acabam rápido, mas uma vez protocolado o pedido e realizados os tramites burocráticos a DAS fornece os materiais. Como vocês devem proceder? Em primeiro lugar o médico que acompanha o paciente deverá fazer os pedidos em receituário padrão da PMERJ, cada ítem deve ser pedido em um receituário diferente, não adianta pedir no mesmo tudo o que se precisa, salvo as medicações que, se forem de uso contínuo, podem ser pedidas todas em uma única folha. Com esses pedidos em mãos vocês devem se encaminhar à DAS, que agora está funcionando no 4º BPM-São Cristóvão, e protocolar o pedido. Em caso de dúvidas liguem para a DAS e procurem se informar. Esse esclarecimento eu recebi da Assistente Social enquanto meu marido esteve internado e pude constatar a veracidade da assistência pois conheci pacientes que saíram de lá com cadeiras de roda, camas, fraldas e outros ítens necessários. Espero ter podido ajudar um pouco com essas informações.

domingo, 13 de dezembro de 2009

HCPM - Críticas e agradecimentos!

Bom dia!
Em primeiro lugar gostaria de dar notícia do meu grandão. Depois de longos 72 dias de internação, muitos exames e sustos, finalmente voltamos para casa, e com ele bem melhor. E estamos de volta com o diagnóstico fechado e tratamento iniciado. Meu marido está com um linfoma no mediastino, para os amigos que não sabem do que se trata darei uma breve explicação. O linfoma é um tipo de câncer que acomete o sistema linfático (sistema de defesa do organismo) e mediastino é aquele espacinho vago que temos no tórax mais ou menos entre o coração e os pulmões. Temos consciência de ser uma doença grave, mas ele já fez a radioterapia, tendo uma grande melhora nos sintomas, inclusive recuperando um pouquinho do peso perdido. E a quimioterapia vai começar na próxima semana.
Na verdade eu vim aqui para falar do hospital. Muitas vezes falamos do que não conhecemos, sem conhecimento de causa e sem enxergar o problema por dentro e eu tive a oportunidade de avaliar o HCPM lá dentro, de ver pelos olhos do paciente sendo uma crítica da área de saúde. Foi-me um pouco difícil, no início, entender o que se passava, afinal era o meu marido que estava ali e, por isso, meus olhos estavam turvos pelo sentimento, depois comecei a tentar ver as coisas pelo lado dos profissionais que ali trabalham e me coloquei no lugar deles. Enquanto pacientes internos, muitas vezes sentindo dor e muito mal estar não é fácil perdoar, desculpar ou mesmo ver justificadas as faltas daqueles que nos cuidam, mas basta se pôr no lugar do outro para que possamos entender. Como em todo lugar, lá também existem maus profissionais, existem aqueles que ignoram a dor, debocham da tristeza e se tornam insensíveis aos problemas dos outros, mas esses só são dignos de pena, pois ninguém está livre de adoecer e a vida é a melhor escola e quem não aprende pelo amor, aprende pela dor. Agora, lá existem excelentes profissionais, médicos e corpo de enfermagem que lutam dia-a-dia contra a falta de pessoal, a deficiência da máquina burocrática, os baixos salários e, tudo isso, sem contar com o mau humor de uns e outros (Caramba! Tem acompanhante que parece que só vai para o hospital pra comer e encher o saco da equipe). O que vi realmente no HCPM foi muita vontade de fazer o melhor, mas muitas vezes pontuada pelo desânimo. Alguém já parou pra pensar em como é difícil para uma equipe de enfermagem com seis pessoas cuidar de mais de trinta pacientes, a grande maioria deles acamados, necessitando de cuidados integrais no leito? Nas entrelinhas não podemos esquecer das medicações que cada um faz, em média, três tipos diferentes, os testes e exames que tem que ser feitos durante o dia, as anotações de enfermagem, etc, etc, etc... O número de profissionais é pequeno para o volume de serviço e são seis profissionais em média por que ainda contam com os cooperativados que estão para ir embora, aí é que vai dar “xabú”! Muitos dos militares que estão lá são combatentes que fizeram o curso técnico de enfermagem e foram deslocados para trabalhar no HPM, se não fosse isso estaria pior. O que me espanta ainda mais é saber que pensaram em levar os aptos, lotados na saúde, mas que são combatentes, de volta para a rua aliás, não sei se o pior é isso ou saber que todo ano são admitidos mais de quatro mil policiais e se fizermos uma continha, levando em consideração que cada PM leva para a corporação, além dele, no mínimo, mais dois dependentes, teremos um crescimento de demanda de pelo menos mais doze mil pessoas tendo a necessidade de ser atendidas na unidade, creio que haveria a então a real necessidade de se abrirem, pelo menos, mais uns 270 leitos, com isso uma necessidade urgente de muitos profissionais a mais (esse número eu nem ousei calcular, vou deixar para quem tenha a real noção), só vou contar para vocês que não é feito concurso para a saúde da PMERJ há onze anos. Construir outro hospital seria a solução? Acho que passa por aí, mas construir um prédio não significa bom atendimento, pois uma boa assistência passa pela valorização do profissional e pelo quantitativo para que a equipe possa ter flexibilidade, mobilidade, tempo hábil e “descanso” para realizar as suas tarefas a contento.
Em matéria de conforto, até que não podemos nos queixar. Todas as enfermarias têm ar condicionado e ventiladores e, apesar de vermos dificuldades, as roupas são trocadas todos os dias (quase – tem dias que falta fronha ou pijamas).
Uma crítica mais contundente precisa ser feita: Sei que o HPM é uma unidade militar, mas a comida servida ao paciente, além de pouca, tem dias que é de péssima qualidade, claro que pacientes mais debilitados e com necessidades especiais de alimentação recebem um complemento alimentar, mas isso é feito pela nutrição ou pelos médicos assistentes. O que o Ministério da Saúde preconiza é que um profissional de nutrição estabeleça e faça cumprir um cardápio balanceado com seis refeições diárias e o problema já começa por aí: São cinco! A colação (pequeno lanche servido entre o café da manhã e o almoço), lá não existe. O café da manhã do doente que tem dieta livre deve compreender uma determinada quantidade de proteínas, carboidratos e outros nutrientes que, com certeza, não estão contidos no magro “café com leite e pão com manteiga (raramente vista dentro dos pães)”, quase todos os dias a dieta compreende frango. Entendo (porém não aceito) que a alimentação nos ranchos de alguns quartéis seja ruim, mas no hospital? Usar pouco sal e não usar certos condimentos é uma coisa, mas servir carne dura, fígado verde e frango mal cozido a pessoas que estão tentando se restabelecer chega a ser cruel, ainda mais se levarmos em consideração que não se pode levar nem uma fruta de casa.
É acho que chega de reclamar, me alonguei muito, mas os problemas são tantos que, nem assim, consegui falar de todos eles. Apesar de tudo gostaria de deixar aqui alguns agradecimentos especiais, espero que quem eu não citar não se aborreça, vou tentar lembrar de todos, mas com tantos problemas minha memória anda meio falha.
Aí vão os nomes de pessoas muito especiais e que foram muito importantes para mim nesse longo período de internação:
CEL. James Strougo (DGS), CEL. Borges (diretor médico do HCPM), Dra. Maura, Cap. Ana Lúcia, Cap. Adriana, CB. Carmo (Anatomia Patológica), Márcia e Rose (copeiras), D. Marina, Joyce, Paula e Jô (limpeza) e agora aos meus fofos e fofas da equipe de enfermagem da clínica médica: Eunice, Simas, Coutinho, Tânia, Lu, Guinâncio, De Souza, Amorim, Bruno, Fabiana, Antônia, Beth, etc... Desculpem os que não citei, não foi por mal, só não consigo lembrar os nomes, mas todos os rostos estão gravados na minha memória e coração.

Obrigada por tudo!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Novo endereço do Praças da PMERJ

É galera, parece que sabotaram o blog da minha amiguinha virtual Mônica. Hoje de manhã tentei acessar o "Praças da PMERJ" e não consegui, pouco depois ela postou um comentário aqui no meu blog dizendo o que aconteceu e divulgando o novo endereço, mas o mais importante é que pessoas como ela e outros blogueiros não são derrubados por esse tipo de gente. Eu só posso achar que quem fez isso é alguém que se sentia muito incomodado com o que era postado ou comentado no blog dela. Apesar de não comentar muito por lá, não deixava de acessá-lo sempre que possível então, por ter sentido falta de passear por lá, resolvi fazer essa pequena postagem divulgando o novo endereço do Praças da PMERJ
A Mônica espera por vocês, é só clicar no nome do blog!

sábado, 17 de outubro de 2009

Doar sangue, um ato de amor!

Bom Dia!
Amigos, mais uma vez venho aqui no meu espacinho não para falar da PMERJ em si, mas para abordar um assunto até relacionado com ela, porém indiretamente.
Como vocês sabem “meu Grandão” está internado no HCPM e, devido a uma anemia séria causada pelo seu quadro de saúde, ele está “tomando” sangue. Já fez uma transfusão ontem, fará outra hoje e segunda-feira irá para o centro-cirúrgico colher material para uma biópsia. Graças a Deus ele não necessitou de doadores, já que tinham bolsas suficientes armazenadas no banco de sangue do hospital com o seu tipo sanguíneo, mas essa não é a realidade para todos os pacientes internados ou que chegam à emergência da Unidade. Pois é meus amigos, falta sangue! Eu e meu marido sempre fomos doadores, nunca pensamos que um dia um de nós fosse necessitar, mas as fatalidades acontecem e um dia poderá ser qualquer um de nós no lugar daqueles que hoje precisam e têm que esperar que esse líquido vital ao nosso funcionamento chegue de “algum lugar” para que possamos ser salvos, então vim até aqui iniciar uma campanha de doação de sangue para o HCPM. Vamos, em massa, invadir o nosso hospital numa bela campanha de doação; doar sangue não dói e pessoas saudáveis podem voltar a doar em apenas três meses. Aguardo todos vocês lá a partir de segunda-feira.
E, mais uma vez, venho a público agradecer o empenho do Cel. James Strougo (DGS), do Cel. Med. Borges (diretor do HCPM), Cel. Med. Sardinha (diretor interino HCPM), equipe de enfermagem que ainda não sei o nome de todos e, em especial, a Drª Maura, pelo empenho e dedicação dessa equipe maravilhosa que, mesmo diante de tantas dificuldades enfrentadas pela nossa unidade de saúde, se desdobram para que tenhamos um cuidado digno. Muito obrigada a todos.
*
Vamos à doação!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 4 de outubro de 2009

Notícias do "meu grandão"

Oi amigos, bom dia!
Hoje vim aqui para dar notícias do meu grandão. Ele está internado desde segunda-feira no HCPM para, finalmente, tratarmos seu problema. Na segunda ele passou mal no serviço e eu o levei para o hospital e o médico plantonista achou por bem interná-lo. Ele ficou no soro até quinta-feira, mas já está se alimentando melhor e bebendo bastante água. A Drª Maura, residente que pegou o caso dele, é muito atenciosa, consciente e interessada e está fazendo todos os exames necessários para descobrirmos, com exatidão, o que meu amor tem para podermos dar início ao melhor tratamento. Gostaria de agradecer a ela pelo empenho e dedicação, mas não poderia esquecer aqui de agradecer aos colegas do meu marido do 17º BPM (Sérgio, Meireles, Isidoro, Fialho, Tenente Henrique e tantos outros que ainda não conheço e por isso não sei o nome) e ao comando da unidade pelo interesse e pela atenção que me tem sido dispensada neste período tão difícil. O comando do Cel. Cid, na pessoa do tenente Henrique, me recebeu muito bem no BPM e se pôs à disposição para tudo o que eu precisasse e por isso só tenho o que agradecer, quem me conhece sabe que se tenho que falar bem eu falo, mas na hora de meter o malho, também meto! Não posso esquecer de agradecer também ao Cel. James Strougo que se pôs a nossa disposição para quaisquer eventualidades, espero não precisar incomodá-lo.
Muito obrigada a todos que, seja por orações ou por presença, estão ao nosso lado nesse momento, beijo carinhosamente o rosto de cada um, obrigada!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

DESABAFO II

Resolvi aproveitar a repercussão da postagem sobre meu grandão para falar um pouco sobre o atendimento dispensado aos PPMM nos HPMs. Antes de começar a comentar a respeito de vários fatos que ocorrem durante os atendimentos, não só nos hospitais como também nas policlínicas, quero deixar claro que como profissional de saúde conheço as diversas dificuldades enfrentadas por nós durante o trabalho, compreendo também que deve ser extremamente difícil para um médico manter-se trabalhando como oficial PM, cumprindo escala, enquanto em um consultório ou clínica ela irá ganhar bem mais; consigo também, por estar dentro do sistema de saúde pública, entender as dificuldades enfrentadas com falta de pessoal afinal, além dos que se desligam permanentemente do serviço, existem aqueles que pedem as licenças sem vencimentos, as licenças médicas, as licenças especiais e outros tipos de afastamento que são facultados aos funcionários públicos, sejam eles militares ou não. O que vim aqui falar é mais um discurso profissional, é uma divagação a respeito de algo que aprendi durante a minha experiência de trabalho e sobre um treinamento que recebi chamado “Humanização no tratamento hospitalar”. Aprendi que o profissional de saúde deve dirigir-se ao paciente não como doente do leito x ou pelo nome da moléstia que carrega, mas como Sr. Fulano de Tal, para que no decorrer do tratamento ele não perca sua identidade primária de ser humano, aprendi que o carinho e a dedicação do profissional são preponderantes na recuperação do doente, fui treinada para cuidar do meu cliente como se fosse alguém próximo meu e não como se fosse “coisa” sem utilidade e valor.
As queixas que tenho ouvido a respeito dos atendimentos nas unidades de saúde da PMERJ são, na sua grande maioria, a respeito da desconfiança que os médicos deixam transparecer com relação às queixas dos pacientes, esse foi o meu problema como é de muitos. Falei com várias pessoas e li comentários, não só no meu blog, sobre casos nos quais os médicos tratam as queixas como fantasias ou mentiras e que nem de posse dos exames se convencem que as queixas são reais. O médico, mesmo numa unidade militar, não pode esquecer que antes de ser um superior hierárquico é um profissional que fez um juramento de salvar vidas, independente de que vida seja e que o paciente que ele está atendendo não merece ser tratado como um mentiroso em potencial nem como um caçador de licenças médicas. Existem casos que podem agravar muito se tratados com indiferença e se não forem cuidados com rapidez e eficiência. Agora vou falar diretamente com minhas colegas da enfermagem, não só as técnicas, mas também as enfermeiras: Sejam vocês cabos, sargentos, tenentes, ou seja lá qual cargo ou patente, não podem esquecer que nós também fizemos um juramento e que educação vem de berço, também trabalho com o público e sei que muitas vezes o acompanhante do paciente torna-se inconveniente ou agressivo e cabe a nós contornarmos a situação; é difícil? Claro que é! Como explicar a alguém que está vendo uma criatura querida sofrer que o médico está demorando porque foi tomar um café e você não está podendo sair dali naquele momento para chamá-lo? Ou que o “doutor” está em outro atendimento? Caramba, a nossa função é administrar os cuidados prescritos ao enfermo e não de servir de babá do médico ou fazer as vezes de recepcionista, mas temos que lembrar que somos o elo intermediário entre essas duas funções além de sermos as pessoas mais próximas do cliente e de seu acompanhante e, por isso, somos os profissionais que mais sofrem com os desabafos, afinal a visão do médico promove o alívio e a certeza que o sofrimento vai acabar, ele se torna o porto seguro, mesmo que nós sejamos o instrumento final para a promoção desse alívio, então, caras colegas de trabalho, vamos ter um pouco mais de paciência e carinho com as pessoas que, num momento extremo, estão dependendo de nós, vamos lembrar do nosso juramento. Tenho certeza que ao responder com educação e carinho a uma atitude mais agressiva a resposta será mais branda, ninguém bate em que lhe afaga.
Esse desabafo foi a forma que encontrei para tentar mostrar ao Cel James, que tem visitado o blog e que foi muito solicito comigo, que o problema não é só de falta de pessoal, mas também de posicionamento profissional. Percebi ao conversar com o diretor da DGS que ele é um profissional consciencioso e, como tal, põe a saúde do cliente em primeiro lugar e não a sua posição na hierárquica e esse posicionamento deve ser transmitido a todos os profissionais de saúde da PMERJ. Faz-se urgente um bom treinamento em tratamento humanizado para todos os profissionais de saúde da corporação, é claro que salários dignos ajudam muito para modificar a postura do profissional, pois quando a pessoa é bem paga ela trabalha muito mais satisfeita e isso se reflete diretamente na sua produtividade, porém salário é uma questão governamental que, me parece, não tem a mínima importância para o Governador Sérgio Cabral, mas existem “n” outros estímulos para alavancar o bom atendimento, entre eles melhores escalas de serviço, folgas extras, etc.
Conto com a consciência e a inteligência do diretor da DGS e do Comandante Geral para que haja melhora visível no atendimento das Unidades de Saúde da PM, nós não temos condições de pagar um plano de saúde e saber que estamos dependendo de um atendimento precário em matéria de tratamento humano nos faz sofrer por antecipação.
Aproveito também para dar uma sugestão: A volta das UBS nos batalhões é ótima idéia, desde que os profissionais tenham material para trabalhar, não adianta ter dentista em uma UBS e não ter material para fazer um procedimento básico de obturação. As UBS deveriam ter clínico, dentista, ginecologista, pediatra, profissionais de enfermagem além de coleta de exames básicos como sangue, fezes e urina. Sei que é “sugerir” demais, ouvi do próprio cel. James que a polícia sofre com uma falta “crônica” de profissionais de saúde, afinal a verba e a melhoria salarial dependem do governo e, mesmo com tantos policiais descontando fundo de saúde, a desculpa da falta de verba está sempre na ponta da língua do nosso governador.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

DESABAFO

Meus amigos,
Sei que ando muito longe do blog, mas os problemas que estou vivenciando não me deixam ter cabeça para outra coisa que não seja a saúde do meu marido. O meu grandão, como eu o chamo, está travando uma batalha bem difícil e só vim fazer essa postagem pois sei que a força de vocês e as suas orações serão preciosas nesse momento. O que vou narrar a seguir aconteceu comigo e, muito provavelmente, vem acontecendo com outras pessoas que necessitam de atendimento no HCPM. Desde o ano passado meu marido vem apresentando alguns problemas de saúde que se agravaram no início do ano com uma perda crescente de peso, depois que muito insisti ele resolveu procurar um médico que, sem pedir nenhum exame, disse que estava tudo bem, eu não me convenci e pedi que ele procurasse outro médico (também na PM) que pediu alguns exames. Com o resultado em mãos ele voltou ao médico que disse que ele nada tinha e que o cansaço que vinha sentindo seria resolvido com algumas vitaminas, não sou leiga nesse assunto e vi que tinha algo errado nos exames. Desde fevereiro tenho visto meu marido perder peso e se tornar cada vez mais apático, ele perdeu uns 10 quilos de lá para cá, e eu passei todo esse tempo me perguntando como dois médicos não conseguiam enxergar o que eu via tão claramente, então dei um ultimato a meu marido: Iríamos procurar um médico particular. Sou funcionária municipal e tenho um plano de saúde ambulatorial bem básico, desses que nem cobrem todos os exames, mas dá para quebrar um galho e, antes de marcar um clínico, peguei seus exames de fevereiro e levei para uma médica conhecida minha ver e ela disse que, mesmo sendo pediatra dava pra ver que tinha algo muito errado nos exames dele e seria bom buscar um clínico para uma primeira avaliação, nada disse sobre os dois médicos já consultados. Levei-o em uma clínica próxima a nossa casa e o médico ao avaliar os exames mais antigos nos disse que era necessário fazer novos exames de sangue além de outros tipos de exames que poderiam confirmar a suspeita dele, fez vários pedidos e nos disse para fazermos o mais rápido possível. Um desses exames não era coberto pelo plano e muito caro para nossos ganhos, mas graças a Deus, tenho alguns conhecimentos e consegui fazer o exame dele que veio a confirmar uma séria doença de intestino, um processo inflamatório grave, inclusive com suspeita de câncer. Como um médico, um não, dois médicos do hospital da corporação não percebem sintomas graves em um paciente? Seria descaso ou necessidade urgente de manter todos os homens na rua? Meu marido, apesar de tudo, continua trabalhando, já que ainda não foi ao HCPM, estamos esperando que o resultado da biópsia fique pronto para tomar uma decisão, sabemos que as chances de ele passar por uma cirurgia é muito grande e eu morro de medo de ele ser operado por mais um “médico” como os outros dois que o atenderam, mas como PM ele precisa passar por lá para que suas dispensas e atestados tenham validade. Por isso vim aqui pedir ao Comandante Geral que olhe pelo HCPM, parece que os profissionais de lá não estão ligando muito para o real estado de saúde dos policiais, como aconteceu com o meu marido, deve ter acontecido com muitos outros e é assustador pensar que perdemos quase seis meses sem que ele se tratasse, seis meses preciosos, pois agora ele já está apresentando febre diária e sangramento, o que poderia ter sido evitado se o primeiro profissional consultado tivesse tratado meu marido como um ser humano em busca de ajuda e não como um cão sarnento esperando o sacrifício. Por favor, alguém salve o HCPM, eu tive recursos e conhecimento para socorrer meu marido fora de lá, mas e quem não tem? Vai morrer à míngua?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

AUSÊNCIA

Caros amigos,

Estarei ausente por uns quinze a vinte dias para resolver alguns problemas pessoais. Deixo bem claro que estarei ausente da Net, porém nunca da PMERJ e dos problemas que nela existem. Até breve!

terça-feira, 14 de julho de 2009

A PMERJ que nós queremos


Hoje acordei um pouquinho mais tarde, afinal os garotos estão de férias e com esse friozinho dá mesmo vontade de ficar na cama. Ao acordar fiz como todos os dias: corri pra sala e liguei a TV, (como todo bom brasileiro tenho o meu vício, ouvir o som da TV até na hora de dormir) e dei de cara com o William Travassos, da Record, dando uma notícia em primeira mão: Uma viatura da PM foi atacada agora, por volta das oito horas na Penha, ela estava baseada na rua José Maurício e os bandidos atiraram de um carro, com o qual bateram e, logo em seguida, roubaram outro para fugir. O desfecho do caso eu ainda não sei, só o que sei é que a resposta foi tão rápida quanto a ação: A polícia já está cercando a área para capturar os autores do ataque, e isso em pouco tempo, afinal agora são apenas 8:30. Não sei se estou vendo coisas ou tentando colorir o novo comando, mas tenho a nítida impressão que algo está mudando. Está me parecendo que ataques a policiais não serão mais tolerados e, em conseqüência, espero um recuo dos marginais.
Nossos policiais precisavam disso, realmente é algum incentivo saber que ao serem atacados terão apoio e embasamento pra reagir e prender os agressores, seria muito melhor que não precisassem ficar parados como alvos, mas enquanto esse sonho não se realiza ficamos por aqui esperando que essas reações estendam-se, também, aos cidadãos comuns, mas não vim aqui só para falar disso e já estava começando a me desviar do assunto principal.
Todos sabem que a polícia precisa de algum tipo de reação, mas precisa, muito, de outros incentivos para trabalhar. O principal desses incentivos é o salário digno, para que o Policial Militar não precise mais estar correndo de um lado para o outro para se sustentar e, sem dúvida, com salários satisfatórios a corrupção diminui, como já disse antes: quanto menos um homem tem, mais barato ele é. Mas essa questão salarial, apesar de poder ser impulsionada, por meio de pressão, pelo Comandante Geral é totalmente dependente do “bom humor” e da “generosidade” do nosso Governador (que não me parece muito sensível ao fato). Além do fator salarial existem outros itens que passam pelo comandante e que podemos levar a seu conhecimento e reivindicar, pelo menos, sua apreciação dos fatores e a possibilidade de suas aplicações, entre eles creio ser de primordial importância a revisão do RDPM pondo fim às punições de privação de liberdade para casos administrativos, afinal não é justo um pai de família ser privado do convívio com os seus por atos administrativos e muitos superiores aproveitam-se dessa “arma” para vinganças pessoais ou para mostrar “poder” (corrijam-me se eu estiver errada, pois sou esposa de policial então posso estar falando bobagens); outro fator que acaba se reportando diretamente a questão salarial é o fim do rancho, pois com isso os policiais, além de terem uma melhor alimentação (escuto muitas queixas a respeito da alimentação servida nos quartéis) ou de, quando na rua, poderem comer em qualquer lugar, significa um “capilé” a mais no contracheque; outro ponto, que inclusive já foi até citado pelo novo comandante, é uma melhoria no atendimento das nossas unidades de saúde, a volta das UBS já seria um bom começo, pois se eu tenho uma unidade com bom atendimento próxima a minha casa, para que ir longe, acrescento que todas essas unidades deveriam incluir atendimento dentário (saúde começa pela boca) e, por fim, mas não menos importante e, ouso dizer, essencial, o acompanhamento psicológico com avaliações periódicas da tropa, os homens merecem esse tratamento, eles merecem poder estar nas ruas em condições de participar dessa guerra urbana que vivemos em boas condições mentais e nós como cidadãos merecemos isso.
Creio que o sonho de todo cidadão, seja ele parente ou não de policial militar, é ter a certeza que o homem que o atende e o protege está bem estruturado, bem apoiado e bem treinado (pois não posso esquecer das reciclagens que devem ser feitas). Homens bem pagos e bem estruturados emocionalmente serão excelentes protetores de todos nós.
Peço desculpas pela minha intromissão numa área da qual tenho pouco (quase nenhum) conhecimento, mas convivo com a PMERJ faz bastante tempo e acho que acabei adquirindo um certo “conhecimento de causa” e um dos meus maiores “sonhos de consumo” hoje é ver a NOSSA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, como uma verdadeira casa, um verdadeiro lar!

Bom Dia e que Deus nos abençoe!

sábado, 11 de julho de 2009

Sofrimento que tento esquecer


Li no blog do novo Comandante Geral, em um comentário, que as DPJMs serão extintas em dois meses. Fiquei bastante surpresa e, não posso negar, muito feliz com a idéia, pois desde 08/04/2005 tenho uma certa mágoa em relação a estes órgãos da PMERJ. Vou narrar um resumo dos fatos e expor o que penso, como me senti na época e como me sinto hoje:

Em 07/04/2004, meu marido, que já vinha apresentando algumas crises do sistema nervoso, teve um problema e eu busquei ajuda na PMERJ. O tenente que veio a nossa residência, um rapaz novo de caserna e talvez um pouco inexperiente, não compreendeu que as nossas necessidades naquele momento eram de ajuda profissional e, agressivamente, talvez pelo estresse a que todos são expostos nas ruas, deu voz de prisão ao meu esposo que, ao tentar levantar-se da cama, foi espancado pelo mesmo e por um soldado que o acompanhava. Dali pra frente tudo virou uma loucura total, meu marido atônito, sem saber o que acontecia e eu desesperadamente arrependida por ter pedido ajuda, na minha cabeça só conseguia pensar que eu poderia ter chamado o SAMU ou os bombeiros, já que ele estava doente e desarmado. Acho que com esse resumo já deu para vocês entenderem mais ou menos o que aconteceu e agora eu vou entrar na minha nada agradável relação com as DPJMs. Meu marido foi encaminhado à 1ª DPJM, autuado por crimes militares e teve sua prisão em flagrante lavrada. Naquela época pouco, ou nada, entendia de polícia, a única coisa que eu tinha certeza era que meu marido havia dito que em caso de qualquer problema eu deveria procurar a Polícia, pois ela é uma família e todos se ajudam, então, no dia seguinte a sua prisão, fui na 1ª DPJM procurar saber porque meu marido estava preso se o que ele precisava era de auxílio médico, fui com a certeza de ser bem recebida, afinal era um órgão da PM, a casa do meu marido. Ao chegar lá, fui recebida no jardim (nem pela porta me deixaram passar) por um homem trajado civilmente que, ao receber minha solicitação de informações, ásperamente disse que nada podia fazer, no que foi sucedido por um outro rapaz que, apesar dos trajes civis, apresentou-se também como sargento e a ele contei, resumidamente, o ocorrido e pedi informações sobre a prisão do meu marido e sobre o que estava acontecendo, o rapaz me pediu que esperasse um pouco, ali mesmo do lado de fora, em pé e totalmente abalada psicologicamente fiquei aguardando e ouvi o rapaz se dirigir a alguém a quem chamou de “major”, então estiquei meu pescoço para ver se conseguia ver com que ele estava falando e só consegui vislumbrar parte de uma calça jeans e uma camisa escura e mais nada consegui ver, pois a minha visão foi turvada pelas lágrimas que começaram a cair imediatamente após ouvir a resposta do dito major, as palavras, ditas em um tom autoritário, grosso e sem nenhuma intenção de ser educado com um semelhante foram exatamente essas: “Manda ela ir lá no batalhão dele saber porque, aqui não é lugar disso, manda embora, manda embora!”
Eu, como civil, fiquei ainda mais confusa. Gente eu sou esposa de um policial, meu marido não era um traficante ou um bandido e, mesmo que fosse, eu merecia algum respeito, sou cidadã, pago os meus impostos e tenho direito, no mínimo a dignidade. Agradeci ao sargento e fui saindo com um animal escorraçado, um cachorro chutado e era assim mesmo que me sentia, mas como não podia deixar as coisas como estavam liguei para o batalhão do meu marido e tive a pior resposta do mundo, lá só sabiam que ele havia sido preso mas não tinham nenhuma informação dos motivos e o comandante dele falou que entraria em contato com a DPJM, pessoalmente, para saber e que me ligaria para informar e me tranqüilizar, pediu que eu fosse ao batalhão conversar com a psicóloga, pois percebeu que eu estava muito abalada e desestruturada e que, sem apoio, poderia desabar a qualquer minuto. Fiquei ali, em pé na rua, em frente a um orelhão pensando como é que a delegacia que prendeu meu marido não podia me informar da situação dele, como é que pessoas que servem na mesma força do meu esposo podem me tratar com tanto desprezo e crueldade e fui remetida a alguns livros que li sobre a segunda guerra onde alemães, às vezes vizinhos de longa data, tratavam outros alemães como lixo humano, como coisa sem valor, só por uma divergência de pensamentos ou por se julgarem muito superiores.
Os fatos que ocorreram, não os esqueci, mas relevei, ao tenente hoje sou grata, pois sem ele talvez nunca meu marido tivesse buscado o tratamento e nem se transformado no homem que é hoje, mas ainda não consegui tirar nenhum lado positivo do tratamento que me foi dispensado na DPJM, até hoje não compreendo, pois como civil se alguém é preso e está na delegacia não é lá que eu tenho que me informar? Então porque aquelas pessoas não podiam me informar nada nem ao menos explicar o que estava acontecendo? Sabem o que é mais triste? O que até hoje me trás lágrimas aos olhos e muita tristeza? É que nem ao menos os nomes deles eu sei e, no meu entender de leiga, eu posso ter sido enxotada feito um bicho sarnento por qualquer um, civil, militar ou até mesmo por alguém que no uso de suas atribuições de policial de órgão correcional prende um pai de família por falta de cobertura, ou por estar encostado em uma parede ou balcão em horário de serviço e nem ao menos seus nome eu soube, porque nem uniforme ou crachá de identificação eles usam.
É preciso que se expurgue da PMERJ todos os envolvidos em crimes, mas não me convenci, principalmente com o tratamento que recebi, de que dar plenos poderes a homens comuns sobre a vida de outros, seja o melhor caminho.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Novos ventos sopram na PMERJ! Serão ventos bons?



Deixei para fazer essa postagem agora à noite, pois primeiro queria dar uma pesquisada e saber quem é ele, quem é o homem que vai assumir essa corporação. Então passei o dia rodando pelos blogs, pelos sites de jornais e pelo blog do próprio coronel para ver se tirava alguma conclusão e o que consegui perceber é que se trata de um homem profundamente inteligente, letrado e que não se deixa manipular, me pareceu uma pessoa que diz o que pensa e que sabe usar o contra ataque muito bem, essas são análises minhas, que tirei lendo o seu blog e vendo que além de filósofo e escritor é um homem de opiniões fortes e bem definidas. Além das minhas considerações vi, na minha pesquisa, que o Coronel Mário Sérgio tem larga experiência de comando, tendo passado por batalhões que devem dar muita “bagagem” como o 22º BPM e o BOPE, então, conhecimento de “pista”, ele tem. Nessas minhas xeretadas por aí ainda não li nenhuma opinião desfavorável, negativa ou depreciativa sobre o coronel, pelo contrário, li em vários lugares praças fazendo menções elogiosas ao coronel, algumas se reportando até à época em que o mesmo era tenente e comandava um PATAMO, todos os comentários que li o retratam como um homem justo e que trata bem os seus homens. Será que, finalmente, nossas preces foram ouvidas? Espero, sinceramente, que o novo comando, além de cumprir as metas pré determinadas pelo governo, honre as opiniões tecidas sobre o seu caráter e trate essa tropa, já tão sofrida, com consideração e respeito e que ouça as reivindicações que os praças têm a fazer e seja a voz do policial junto ao governo, afinal são tantas coisas que precisam mudar, tantos detalhes que passam despercebidos pela população, mas que para policiais e familiares são de suma importância.

Por enquanto só vim aqui para tecer minha visão inicial, pois não conheço o novo comandante e não sei o que pode vir por aí, só espero que sejam bons ventos e desejo de coração que as mudanças sejam boas para todos os policiais honestos e guerreiros do nosso Estado, vamos espera e crer!

Coronel Mário Sérgio Duarte, seja bem vindo e que o senhor faça jus aos anseios da tropa e de seus familiares!

sábado, 4 de julho de 2009

Cabo Bruno: Anjo ou Demônio?

Hoje alguns blogs policiais vêm falando do fato ocorrido ontem na comunidade Gogó da Ema em Belford Roxo, local onde foi assassinado, essa semana, o cabo Maia. O fato carreador de tanta polêmica foi a atitude do Cel. Paulo César Lopes, comandante do 3º CPA, que deu voz de prisão, no local, ao Cabo Bruno, acusado de agredir um menor da comunidade dentro de sua residência. Como mãe sei que viria aqui para falar contra certas atitudes que considero exageradas, como cidadã, talvez aplaudisse a atitude tomada pelo coronel sem olhar a humilhação a qual o cabo foi exposto, como mulher e defensora dos direitos humanos para humanos direitos tentaria enxergar a situação de ambos pontos de vista para tirar uma conclusão objetiva, mas, na realidade estou aqui como esposa de policial militar e, portanto, não vim discutir atitudes de A, B, ou C, mas colocar em cheque uma questão muito antiga na PMERJ e que, com certeza, precisa ser revista que é o fato inquestionável da ausência de apoio psicológico aos policiais que sofrem traumas e que passam por situações de stress extremo no seu dia a dia.
Como foi publicado no jornal (num pequeno trecho que muitos podem ter passado por cima sem se importar), o Cabo Bruno havia estado na mesma comunidade essa semana e assistiu, bem como socorreu, seu companheiro de batalhão após o mesmo ter sido atingido por um disparo na cabeça e, poucos dias depois, retornou a comunidade para participar da incursão que estaria em busca dos assassinos do colega que ele havia socorrido e enterrado há apenas 24 horas. Bem, depois dessa narrativa, eu pergunto: Será que esse policial estava psicologicamente pronto pra retornar ao local para uma operação tão delicada? Logo ele que havia participado tão ativamente e tão de perto da outra operação que ocasionou a morte de um colega e que teve suas mãos sujas pelo sangue do companheiro?
Já faz tempo que eu bato nessa tecla, faz tempo que eu insisto que o suporte psicológico na PMERJ é inexistente e que policiais diretamente envolvidos em casos de stress efetivamente altos devem ser afastados e avaliados e, só após uma análise pormenorizada dos danos que foram causados, ou não, na parte psicológica do policial é que ele poderia voltar ao trabalho, independente do efetivo ser grande ou não, pois quantidade não é sinônimo de qualidade. Alguém já parou para pensar na vontade, na “sede” que esse policial estava sentindo de pegar o assassino do colega e até mesmo no medo ao qual estava submetido ao voltar ali e saber que o mesmo poderia ocorrer com ele? Em um caso assim qualquer pessoa, seja menor ou maior, se torna um inimigo em potencial, qualquer um pode ser o detentor da informação vital para se chegar ao assassino e uma pessoa movida por fortes emoções e por desestabilização emocional faz coisas sem pensar. Nada justifica a agressão a uma criança, mas a grande culpa por fatos como esse ainda ocorrerem é de quem não quer enxergar a necessidade de avaliação e apoio ao policial que está na rua, quando falo essas coisas falo com conhecimento de causa, pois não foi nem uma nem duas vezes que meu marido após trocar tiros de dia teve que voltar ao mesmo local na noite seguinte para trocar tiros novamente, ou que após ver um colega morrer numa troca de tiros voltou ao mesmo serviço 48 horas depois sem sequer ter passado pelo consultório de uma psicóloga, pois já que o policial não procura ajuda, para os responsáveis pela PMERJ significa que ele não precisa, e isso é a maior balela que já vi. O suporte psicológico deveria ser compulsório: Passou por situação de stress extremo, tem que se apresentar ao setor de psicologia e ponto. Para tantas outras coisas a PMERJ faz com que o policial cumpra as determinações, porque não somar mais essa?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Indiferença: A pior violência contra nossas crianças!

Venho acompanhando diariamente pelos jornais o caso da menina Sophie que morreu no hospital de Saracuruna. Supostamente vítima de maus tratos infligidos pela tia e pela prima, a menina foi internada com traumatismo craniano, fratura nos pulsos e diversos hematomas. O pai, um empresário austríaco, veio para o Brasil assim que tomou conhecimento do fato, e a mãe, que mesmo sabedora dos supostos maus tratos abandonou as crianças e foi viver com um namorado, soube do ocorrido pelos jornais.
O fato, por si só, não me espanta, já que sou uma trabalhadora da área de saúde do nosso município e me deparo com os casos mais escabrosos, o que me causou muita surpresa foi a importância que a mídia está dando ao fato, já que todos os dias têm internações de crianças nos diversos hospitais do estado e do país, que são vítimas de abusos e maus tratos e nenhuma delas vira notícia, ninguém se importa se um bebezinho de três meses deu entrada na emergência do HGV com traumatismo craniano depois de ter sido jogado contra a parede pelo próprio pai, ninguém liga ou toma conhecimento quando uma menininha de três anos dá entrada numa emergência qualquer com ruptura na vagina após um estupro cometido pelo padrasto ou se um recém nascido é internado após ter sido envenenado com chumbinho. Quantos de vocês chegam a conhecer estes casos? Quantas notícias desse tipo vocês lêem nos jornais no seu dia-a-dia? Creio que muito poucas, já que a grande maioria dos casos vem dos subúrbios e da baixada (não que não ocorram nas zonas Sul e Oeste, mas nos hospitais particulares e com “gente bem” dificilmente a mídia toma conhecimento), mas o caso da pequena Sophie tem um ítem que vende muito bem: O pai além de ter uma boa situação é estrangeiro, o que torna a menina uma excelente matéria e relega nossos pequenos joãos e marias (com letra minúscula mesmo) os verdadeiros zeros à esquerda, que não tem a mínima importância, são só mais números na estatística, mais temas para discursos politiqueiros em época de eleição. O que muito me magoa é saber que todos os dias os hospitais recebem essas pequenas vítimas que são atendidas pelos Serviços Sociais e encaminhadas aos conselhos tutelares e ninguém liga, ninguém vê. E sabe por quê? Porque se o Zé Pedreiro, que é semi-analfabeto, enche a cara do filho de três anos de “porrada” deve ser porque o moleque é uma peste e tem que ser educado e isso não me importa nem um pouco, além de ser um assunto muito desagradável para ser a principal companhia do meu café da manhã! Gostaria muitíssimo que os jornais e as emissoras de TV designassem um repórter para ficar pelo menos 24 horas nas emergências pediátricas dos hospitais para acompanhar os casos suspeitos de abusos que recebemos todos os dias e, talvez aí, passem a dar importância a todas as nossas crianças e não apenas as que são filhas de “alguém”, talvez assistindo cada um dos casos possam ver que o sofrimento não pertence só aos que tem alguma coisa, mas que existe muito mais por aí. Existem inúmeros filhos de Zés, Marias, Joãos, Chicos, Aparecidas e etc que passam por um monte de coisas e continuam passando só porque “nós” nem ligamos, não vemos pois não saiu no jornal e daí eles vão continuar nessa vida: Vai pra casa, apanha, vai pro hospital, melhora, vai pra casa, apanha... Até que um dia, do hospital vai direto pro IML e dali pro cemitério. Só tenho um nome para se dar tanta importância para um caso e nenhuma para tantos outros: HIPOCRISIA!

sábado, 30 de maio de 2009

Totalmente indignada! Comemorar o quê?



Hoje tem mais uma comemoração pelos duzentos anos da PMERJ. No morro Dona Marta, a nova menina dos olhos do governador Sérgio Cabral, terá festa. É galera, festa para comemorar os duzentos anos da PMERJ. Agora eu vou fazer a pergunta que nenhum leigo que vai estar lá batendo palma pra maluco dançar fez: Quantos policiais estão perdendo sua segunda folga ou seu dinheirinho do dia no bico para promover segurança à população que estará lá presente? Quanto em dinheiro foi gasto para promover a comemoração enquanto os policiais precisam se matar em duplas e triplas jornadas para conseguir sustentar a família porque o governo não dá um salário justo e digno? Quantos médicos estão lá fazendo extra para atender a população da comunidade enquanto as famílias dos policiais militares estão há meses em uma fila do HCPM aguardando por uma consulta com o endocrinologista ou com o neurologista? O que o governo e a PMERJ estão comemorando? A morte de mais de quarenta PMS mortos só esse ano? Eu só vou ter o que comemorar quando o salário do meu marido puder dar uma vida digna a nossa família sem precisar contar comigo para tudo, no dia em que eu for ao HCPM e for atendida sem precisar enfrentar uma fila enorme para pegar um papelzinho que diz que “só Deus sabe quando” vou ter direito a minha consulta. Vou ter o que comemorar quando eu tiver a certeza que a segunda folga será respeitada e que poderei contar com ela para participar de “comemorações” com meu marido e filhos, vou ter o que comemorar quando eu tiver a certeza que muitos policiais não serão presos ou detidos por detalhes menores como a falta de cobertura ou um atraso ao serviço, terei o que comemorar quando tiver certeza que a alimentação do meu marido é de primeira e que, quando na rua, não vai correr o risco da quentinha. que será de primeira qualidade, não vai chegar tarde e estragada, ou melhor, que na hora do almoço ele poderá pegar seu ticket e almoçar em qualquer lugar, vou ter o que comemorar quando souber que meu marido e seus companheiros estão de serviço na rua e que tem um banheiro decente para realizarem suas necessidades fisiológicas, com dignidade e não com medo de serem pegos e presos por estarem usando uma garrafa pet para urinar. Depois que isso tudo for realidade, aí sim, eu e tantas outras esposas e familiares de PMS e os próprios PMS teremos motivos e até vontade de comemorar, de colocar nossa roupinha de domingo e ir até o BPM ou QG ou CFAP para bater palmas, não para maluco dançar, mas para um governo e uma PMERJ dignos e honrados que respeitam o ser humano que vive dentro da farda.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

VERGONHA E INDIGNAÇÃO! Tudo como d'antes no quartel de Abrantes!



Já dizia o ditado: “A esperança é a última que morre”, e na PMERJ parece que ela morre assassinada assim como muitos dos seus membros. Fiquei aqui em casa, olhando a TV e esperando que no apagar das luzes o senhor governador anunciasse o tão sonhado aumento. Confesso a vocês que cheguei mesmo a sonhar com a equiparação do soldo ao salário mínimo nacional, mas qual o quê!!! O digníssimo Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sr. Sérgio Cabral, após desfilar com faixa e receber medalha (medalha que eu acho deveria ser dada a cada um dos homens que está por aí morrendo nas ruas por um salário miserável), anunciou o aumento do efetivo da PMERJ, ou seja, até o fim de 2010 teremos mais 10.000 homens mal pagos nas ruas do Rio zelando por nossa segurança.

Depois de mais essa decepção fiquei pensando se temos que ficar sentadinhas aqui, atrás da tela do PC, esperando que o governo se penalize de nossa situação ou se devemos fazer como as mulheres de Alagoas, do Rio Grande do Sul ou de Santa Catarina, que foram às ruas lutar pelo que seus maridos não podem. Mulheres como nós, que vivem o dia-a-dia angustiante de ser casada, ser filha ou ser mãe de um POLICIAL MILITAR, com letras maiúsculas mesmo, letras garrafais, do tamanho da coragem e da honra de cada um desses homens que, mesmo ganhando mal, sem terem suas folgas respeitadas, correndo risco de vida mesmo quando no lazer, mesmo sendo chamados de vermes e ladrões, estão nas ruas todos os dias, lutando, combatendo, ajudando, orientando, protegendo e virando mais um sol no céu do Brasil. Acho, com sinceridade, que existem muitas como eu, mulheres que tem vontade, garra, força e coragem de ir atrás, de cobrar do governo o que ele nos deve, nos deve não só como família de policial, seja militar ou civil, mas também como contribuintes e eleitoras, pois mesmo que não fossemos parentes de policiais, pagamos nossos impostos e temos o direito de ter uma polícia bem remunerada, bem estruturada e qualificada. Como cidadã não me sinto bem sabendo que o policial que porta um fuzil nas ruas é o mesmo que passou a noite em claro no bico ou vice e versa, porque o salário que ele recebe não dá para pagar as contas. Também não posso crer que os senhores governantes põem suas cabeças em seus travesseiros e têm uma bela noite nos braços de Morfeu sabendo que são responsáveis pela insônia de tantos pais de família!

Estou realmente indignada, como cidadã, como mulher de policial e, principalmente, como mãe, uma mãe que tem a obrigação de chegar para os seus filhos e dizer que ao alcançarem a idade de 18 anos eles serão obrigados a votar e que, na maioria das vezes, seus votos serão recebidos por pessoas que pouco se importarão com a realidade vivida dentro dos seus lares!

Caras esposas, mães, filhas, amigas e namoradas de policiais, pensem bem, vejam se não é hora de nós começarmos a lutar pelos nossos direitos.

Eu, pelo menos eu, estou cansada, e o assassinato da minha esperança foi a gota d’água para transbordar o copo, mas, como dizem, uma só andorinha não faz verão!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Esperança!

Amanhã a Polícia Militar completa 200 anos e eu, que aprendi a amar essa casa como uma grande família, parei para fazer um balanço dos anos em que convivo com ela. Vejo hoje uma casa bem diferente da do passado, que era uma casa suntuosa, respeitada e temida, porém também sabia retribuir o respeito a ela dedicado. Lembro que o salário, apesar de não ser altíssimo, era bastante razoável, um soldado ganhava algo em torno de 5 salários mínimos, o HCPM era tido como um dos melhores hospitais e nele tínhamos tudo o que precisávamos, lembro das cestas de natal, duas caixas grandes que além de conterem itens natalinos tinham ainda itens da cesta básica, recebíamos duas garrafas de vinho e uma de sidra e como frios recebíamos um peru da Sadia, salaminho, mortadela, fiambre de peru e peito de chester. Era o tempo em que a arma do policial era o velho revólver 38 e umas metralhadoras INA, que ouvi várias vezes dizerem que significava: “Isso Não Atira”, era o tempo em que o policial pegava um ônibus fardado e desarmado sem correr riscos, pois o marginal sabia que qualquer atentado contra a vida de um policial teria resposta à altura. Lembro do meu marido voltando para casa fardado com as ditas cestas de natal dentro de um ônibus cheio, ele em pé e eu sentadinha, e ele reclamando que as cestas pesavam muito e que o papelão não prestava e que elas iriam rasgar e espalhar tudo pelo chão. Bons tempos... Reclamávamos do que tínhamos! Ah se pudéssemos prever o futuro... Com certeza não teríamos reclamado das cestas, hoje sinto falta delas, pois qualquer coisinha já serve para sobrar algum dinheiro para melhorar o presente dos garotos. Estive essa semana no HCPM acompanhando meu marido e tentei marcar endocrinologista para mim, me deram um papelzinho e disseram para aguardar em casa que quando fosse marcado me ligariam, achei o máximo, até que uma senhora me disse que ela estava esperando essa marcação há quatro meses, que saudades de quando chegávamos lá e éramos atendidas no mesmo dia... Bom, mas pelo menos para o hospital teve uma boa notícia, hoje, véspera do aniversário da corporação, saiu na coluna da Berenice Seara uma notinha comunicando que o empresário Eike Batista doou um mamógrafo para o hospital, bom presente, será que virão outros?

Amanhã é o grande dia!!! Duzentos anos!!! Será que existe alguma surpresa preparada para nossa grande família? Será que teremos as boas notícias que tanto aguardamos?
Como boa nora que sou vou dormir sonhando que a grande mãe de meu marido, a matriarca da nossa família, amanhecerá mais madura e mais benevolente, rígida e austera, porém com a mão aberta e com um discurso que irá nos maravilhar, o discurso da valorização dos seus filhos já tão judiados e punidos pela falta de atenção e de valorização!

domingo, 10 de maio de 2009

Deus, obrigada por me fazer mãe!

Sei que muitas hoje choram e não tem muito o que comemorar, mas sei também que junto com a dor caminha a certeza de que todos os momentos passados ao lado dos nossos "bebês" são os mais lindos e inesquecíveis, independente da idade deles, que tenham 1, 2, 10, 17 ou 40 anos, serão para sempre os nossos "bebês", estejam aqui ao nosso lado ou somente em nossas lembranças, nós os amaremos com a mesma intensidade.

Dedico essa mensagem a todas as mães, mas em especial carinho dedico à minha mãe e a duas amigas que tem me visitado com frequência: Suely Cardoso e Christina Antunes, um beijo carinhoso!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Polícia encara a dependência química em suas fileiras



Pesquisa da Fiocruz revela que quase a metade do efetivo da PM bebe todos os dias. Estudo mostra ainda uso preocupante de drogas
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POR MARIA MAZZEI, RIO DE JANEIRO
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Rio - Pela primeira vez a Polícia Militar está fazendo exames toxicológicos na seleção de candidatos a oficiais e praças da corporação. A exigência está amparada no índice preocupante de PMs alcoólatras ou usuários de drogas, como maconha, cocaína e tranquilizantes. O alerta foi lançado a partir de uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com 1.300 policiais (civis e militares), que revelou que 48% dos oficiais, suboficiais e sargentos consomem bebidas alcoólicas diariamente. Cabos e soldados que assumem excessos com o copo são 44,3%. Já entre os policiais civis, o problema atinge 18,4%.
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O estudo é parte do livro ‘Missão Prevenir e Proteger’, sobre as condições de vida da tropa. O envolvimento dos PMs com álcool e drogas ilícitas torna-se mais preocupante considerando que boa parte de suas ações se dá em morros cujo objetivo principal é reprimir o tráfico e apreender drogas.“A bebida era o meu combustível. Bebia todo dia. Me ajudava a desestressar. Não bebia em serviço, mas muitos colegas bebem até no quartel”, conta o soldado D., 37 anos, há 10 na corporação. O trabalho com apreensões de drogas funcionou como tentação para experimentar outros tipos de entorpecentes, a partir de 2001. “Com a cocaína comecei pela curiosidade. Fiquei com um pouco que minha patamo tinha apreendido e provei”, relata ele, que, nos últimos 4 anos, envolveu-se ainda com outro vício: jogos em maquininhas.“Depois que me viciei em jogo, perdi tudo. Das máquinas, passei para o carteado. Apostei casa, carro e cheguei a empenhar a arma do trabalho”, contou. D. chegou a passar 37 dias internado no setor de recuperação para dependentes químicos (Renascer) do Hospital Central da PM, em 2007. No Renascer estão internados atualmente 66 policiais. Uma vez por semana centenas (o número não foi divulgado) de PMs de várias patentes participam de reuniões de recuperação. Um dos pacientes do Renascer era o ex-PM Marcelo Silva, ex-marido da atriz Susana Vieira, morto de overdose em dezembro. Marcelo, que segundo amigos conheceu a cocaína dentro de unidade da PM, abandonou o tratamento.
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“Na polícia o contato com esse tipo de situação é muito fácil e, se a pessoa não tiver cabeça, se perde. Não é fácil esquecer a cena do colega baleado ou de ter que matar para não levar um tiro”, explica o tenente F., 33 anos.
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A pesquisa feita pela Fiocruz mostra que o tranquilizante é a droga mais consumida entre policiais civis e militares. O uso se concentra — segundo apontaram as entrevistas com os 1.300 policiais — entre oficiais, suboficiais e sargentos (13,9%), contra 8,5% de cabos e soldados que confessaram fazer uso dessas substâncias. Os oficiais também consomem mais sedativos e barbitúricos, maconha, cocaína e substâncias para sentir ‘barato’, como lança-perfume, cola e gasolina.
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Objetivo é barrar usuários de drogas
O exame toxicológico adotado pela PM na seleção de candidatos a oficiais e praças da corporação tem o objetivo de barrar a entrada de usuários de drogas ilícitas na instituição. O teste detecta o uso de substâncias legais, como bebidas, e ilegais, como maconha e cocaína, em até 90 dias depois de a pessoa ter consumido a droga.
No total, são 14 substâncias identificadas de uma só vez. Até agora 200 candidatos a oficiais fizeram o exame e o resultado deve ficar pronto em duas semanas.
Segundo especialistas em Segurança Pública consultados por O DIA, o alcoolismo e a dependência química de policiais são consequência do estresse diário da profissão e da falta de acompanhamento psicológico. Para eles, o teste toxicológico deveria ser aplicado também em policiais da ativa.
“Se dirigir alcoolizado é um perigo, imagine portar uma arma estando drogado? Esse tipo de exame deveria ser feito também em policiais da ativa. Diariamente, PMs passam por estresse extremo, arriscando suas vidas. A bebida é uma forma de se tranquilizar. A extensão do problema é ainda maior quando pensamos no perigo para a população, já que um policial drogado não tem capacidade de decisão rápida e sensata”, alerta o sociólogo Cláudio Beato, do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais
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(CRISP/UFMG).
CONTRA O VÍCIO
VERBA PARA A SAÚDE DA POLÍCIA
A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) pretende criar até o fim deste ano o Programa Nacional de Atendimento à Saúde dos Servidores de Segurança Pública. Até setembro, R$ 30 milhões devem ser liberados pelo governo federal para a implantação do projeto. Parte desse dinheiro será disponibilizada para a Secretaria de Segurança do Rio. A ideia do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, é criar o Centro Integrado de Saúde Psíquica, que vai atender bombeiros e policiais civis e militares.
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RECUPERAÇÃO DE 40%
De acordo com a Secretaria de Segurança, hoje a PM consegue recuperar 40% dos policiais alcoólatras e dependentes de drogas ilícitas. A assessoria de imprensa da Polícia Militar respondeu via e-mail que a corporação não iria se pronunciar sobre o assunto.
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ACÚMULO DE TENSÕES
De acordo com o cientista político João Trajano, do Departamento de Ciências Sociais da Uerj, a corporação não oferece o tratamento psicológico necessário aos policiais. “Tudo em torno do trabalho policial gera estresse. Em um dia ele passa por determinado episódio e quase perde a vida. No plantão seguinte volta ao trabalho como se nada tivesse acontecido. Seria razoável que a PM pudesse minimizar os danos oferecendo um atendimento psicológico adequado, mas o que existe não atende à verdadeira necessidade deles (policiais). Atualmente o policial só recebe apoio quando procura ou quando algum colega tenta ajudá-lo. Contudo, o verdadeiro doente dificilmente admite que precisa se tratar”, afirmou. (Fonte: O Dia - on line)
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Acho ótimo que se faça exames também no pessoal da ativa, só fico pensando o que fariam com os resultados positivos de uso de álcool e drogas. Como afastar mais de 45% do efetivo de uma só vez para tratamento? Complicado. O correto, na minha opinião, seria o acompanhamento psicológico frequente com avaliações e afastamento sempre que necessário, sem que o policial precisasse carregar o estigma de SINA.

sábado, 2 de maio de 2009

DESABAFO DA ESPOSA DE UM POLICIAL





Demorei um pouco a vir comentar sobre esse assunto pois ainda estava digerindo a informação, aliás um tanto quanto indigesta para nós que vivemos na carne o dia-a-dia do PM no Estado do Rio de Janeiro.

Esta semana foi assassinado mais um cabo PM, um rapaz jovem, um jovem pai de um bebê de apenas 15 dias, o soldado que estava de serviço com ele naquela noite escapou. Sorte? Ou providência Divina? Prefiro crer na segunda hipótese, preciso crer cada dia mais em uma força maior que nos guia e protege e que só nos deixa ser atingidos pelos infortúnios quando é chegada a hora, prefiro crer na vida como um livro: Ao nascermos abrimos a primeira página e iniciamos a leitura, vamos dia-a-dia folheando as páginas (com a pequena desvantagem de não poder voltar atrás e ler páginas passadas com novas interpretações), até que um dia fechamos o livro, ao chegarmos ao final da história. Algumas histórias são longas, com princípio, meio e fim; outras são escritas por um amador que se esquece de por um final e escreve poucas páginas. Preciso crer nessas pequenas lendas do meu coração para não “pirar”.

Há algum tempo fiz uma postagem aqui fazendo um apelo para que alguém revisse a questão das viaturas baseadas, dessas APREVs da vida, que expõe nossos maridos e filhos ao tipo de covardia sofrida por mais esses dois bravos. Não consigo ver a lógica de se colocar homens plantados em áreas perigosas, sem nenhum abrigo, durante doze horas. Ninguém é completamente alerta durante um período tão longo à noite sem descanso, ainda mais quem tem que sair de um trabalho e enfrentar um “bico” e daí seguir para um extra não remunerado. Nenhum ser humano consegue manter-se completamente atento durante vinte e quatro horas, que é o período mínimo de trabalho da grande maioria dos homens da nossa PMERJ (contando com os bicos e extras).

Estamos no mês de maio e já temos nada menos que 40 policiais mortos, divididos em 1 inativo, 1 subtenente, 2 oficiais e, pasmem, 36 praças. Esses números que para nós vislumbram como um exagero, na visão do nosso governo parece ser completamente aceitável, já que continuam achando que segurança se faz com homens mal pagos, mal nutridos e mal atendidos na sua saúde. Falei, falo e nunca vou cansar de falar, quer segurança de ponta? De primeiro mundo? Valorize o homem, dê valor ao material humano. Entreguem nas mãos dos nossos policias a dignidade que se perdeu lá atrás, a honra e a vontade de defender a sociedade com a própria vida. Dêem a esses homens a garantia de que seu salário os fará honrar a passagem bíblica que diz: “Soldado, contentai-vos com vosso soldo”, mas isso só se faz com um soldo digno que faça com que esse homem saia de seu trabalho e vá para casa descansar com a certeza de que esse soldo cobrirá todas as despesas de sua casa, que ele não precisará abrir mão de seus momentos de lazer junto à família para arrumar mais alguns “caraminguás” para garantir o pão de cada dia, dêem aos nossos homens a garantia de que terão suas folgas respeitadas ou que, pelo menos, receberão pela perda delas.

É cansativo ter que estar por aí repetindo todos os dias para as pessoas que conheço das dificuldades que enfrentamos, estou me tornando chata, tem gente que, quando começo, vai saindo de fininho, mas não me importo, se eu e outras como eu, não pudermos servir de voz para nossos amores, sejam eles maridos, pais ou filhos, quem poderá? Quem levará até o paisano as verdades que ele não conhece? Quem vai explicar que, nem sempre, aquele carrão é produto de “roubo” e que às vezes (na maioria delas) o cara se arrebenta em uma segurança para pagar uma prestação só para dar um conforto maior à família e, muitas vezes perde a vida por causa disso, já que ele paga a prestação mas não tem seguro (é caro e a grana não dá), daí, no caso de um assalto, ele é obrigado reagir e aí...

Acho que já me alonguei demais, mas aqui no blog tem muita gente que não é do meio, para ler e entender um pouquinho o que passamos.

Sei que tem muitas coisas que precisam mudar para devolver a dignidade dos nossos Policiais como o fim das punições de privação de liberdade, para citar apenas uma, mas esse assunto fica para uma próxima vez, senão fica muito longo e cansativo para quem lê.

Tchau meus amigos e que Deus abençõe todos os policiais que estão na rua, a trabalho ou a lazer, e que Sua mão cubra suas cabeças para que nada lhes aconteça, nem hoje nem nunca!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

PAZ E AMOR, HOJE E SEMPRE!



Hoje estou afim de fazer um desabafo, mas acho que minha angústia é também a angústia de muitos pais de adolescentes amantes de futebol e tenho plena certeza que, apesar de ser um probleminha pessoal, em âmbito geral é um grande problema de segurança pública.
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Como já disse aqui diversas vezes, tenho um filho adolescente, na realidade quase um homem, que já vai completar dezessete anos. Meu “bebê” (que é como costumo chamar os meus filhos) é um torcedor fanático do flamengo e ama essas coisas de torcida organizada. Ele acha tudo de bom, enquanto eu e o pai dele achamos coisa de loucos degenerados que só querem saber de briga e confusão. Sei que é um tanto quanto exagerado eu generalizar, sei que dentro das torcidas existem pais de família, profissionais de diversas áreas e etc, mas o que vemos sempre na TV são grupos rivais se enfrentando nas ruas numa verdadeira batalha campal, regada a muitos paus, pedras, rojões e, diversas vezes, armas de fogo. Não é raro termos notícias de torcedores hospitalizados após sofrerem agressões da torcida rival, na grande maioria das vezes, agressões covardes praticadas por enormes grupos contra um ou dois indivíduos que se desgarraram de seu bando. Há bem pouco tempo um conhecido de meu filho passou um bom tempo internado em coma provocado por traumatismo craniano causado por mais uma dessas agressões covardes.
Quando venho até esse meu cantinho falar sobre esse assunto é porque é muito angustiante para uma mãe ver seu filho tomando como certa a atitude de alimentar esse tipo de “guerra”, isto não é rivalidade futebolística, não se trata de disputa saudável entre jovens que querem provar que seu time é melhor. Isso é uma bestialidade de meia dúzia de indivíduos inescrupulosos que aproveitam a cabeça oca dos adolescentes e a mente vazia dos fanáticos para alimentar seu sadismo e saciar seu prazer bestial assistindo seres humanos, pessoa iguais que poderiam ser amigos de rua, de escola ou de trabalho, matarem-se uns aos outros.
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Sou vascaína, filha de um flamenguista, casei-me com um vascaíno, tive dois filhos, um flamenguista e um botafoguense, e nos amamos incondicionalmente, independente das bandeiras de nossos clubes. Se um dia meu filho sair de casa com sua camisa do flamengo e for agredido por um vascaíno seria muito doloroso para mim e para meu marido, afinal seria sangue do nosso sangue sendo derramado “em nome da honra do nosso clube de coração”.
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Atitudes urgentes precisam ser tomadas em relação aos bandos e aos baderneiros, as medidas precisam ser rígidas, é preciso que as investigações sobre essas tentativas de assassinato perpetradas por membros de torcidas sejam rigidamente apuradas para que essas ervas daninhas sejam banidas da sociedade, só assim famílias como a minha, como uma diversidade tão maravilhosa de torcedores, possa estar junta, vestindo suas camisas sem riscos e para que mães, como eu, possam por a cabeça no travesseiro com a certeza que seu filho foi ao Maracanã e vai voltar para casa sem nenhum arranhão ou hematoma provocado pela torcida rival.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Até quando?

Mais dia, menos dia os acontecimentos nos remetem ao passado. Às vezes um passado longínquo, outras vezes um passado recente. Hoje ao abrir o jornal um fato me levou a um passado recente, um passado dolorido, revoltante e triste, muito triste. O assassinato da jovem Leslie, minha colega de profissão (apesar de não nos conhecermos pessoalmente), grávida de seis meses, levada da vida de seu esposo, de sua filhinha,e de seus familiares me fez lembrar do caso do menino João Hélio. Esses marginais não têm alma, não têm coração, não têm discernimento, não têm piedade, chego a achar que sequer tenham vida, mais me parecem zumbis saídos de um filme de terror, que só visam a maldade e a dor dos outros. Concordo que as leis têm de ser mudadas, mas não no tempo de cadeia, temos que entender que as penas são bastante altas e que em contrapartida os benefícios são amplos e muito fáceis de serem alcançados. Temos o regime semi-aberto, os indultos, as reduções de pena e outros benefícios (para nós, simples mortais, malefícios) que são concedidos aos presos e que às vezes me parecem não obedecer a critérios lógicos, já que vemos um indivíduo que foi preso por tráfico de drogas receber o benefício de passar a páscoa em casa quando todos sabem que ele era (ou é) o líder do tráfico em determinada região, e aí... PIMBA! Vai e não volta. O tragicômico dessa historinha é que eu e você sabemos que esses caras, que são condenados por esses tipos de crimes, não se recuperam, que não vão voltar, mas quem avalia a concessão ou não do benefício deve ser muito crédulo ou tem muita boa fé na palavra humana. As nossas leis deveriam ser mais duras, coisas como os monstros que arrastaram o João Hélio e que executaram a Leslie deveriam ser condenados a 30 anos, mas a 30 anos, sem sair de lá, tinha que acabar com essa balela de advogado ter reunião sigilosa com o marginal, as visitas deveriam ser vigiadas, e muito bem vigiada. Presídio bom é aquele lá em Catanduvas, melhor ainda no RDD, e pra quem conhece, por ter assistido a reportagem, os presídios da Tailândia e suas leis, onde um inglês ao ser pego com menos de um quilo de substância entorpecente foi condenado a passar 99 anos sem redução da pena e tendo que falar com seu advogado gritando, porque entre um e outro existe um corredor de 8 metros de largura, e podem acreditar esse teve sorte porque tráfico de drogas entre outros crimes considerados por nós como hediondos nesse pequeno país a pena é a morte. Só que nesse meu pensamento de leiga acho também que deveria se dar mais poder a polícia, esses caras não têm medo de ninguém, assim eles vão continuar fazendo. Temos uma polícia que é tratada à rédea curta, com os freios puxados ao máximo e que quando erra é apedrejada e escrachada, temos um bando de marginais que são ruins ao extremo e que não tem medo de nada, pois sabem que a única coisa que o policial poderá fazer será tentar prendê-los sem provocar nenhum dano físico, senão vai chover comissões de direitos humanos (continuo achando que direitos humanos deveriam ser para humanos direitos) protegendo seus direitos de cidadão (direitos que deveriam perder assim que presos já que não souberem ter cidadania) e fazendo todos os esforços possíveis para prender o policial e jogá-lo na rua, temos o ECA para defender e proteger os nossos “meninos” (que na maioria das vezes são muito maiores e mais fortes que um homem adulto, pobres crianças indefesas), temos as leis cheias de brechas que conseguem minimizar o feito dos “bichos” com a desculpa da falta de oportunidade, e por aí vai.

Quer saber?! Tô cansada! Tô cheia desse papo de cerca Lourenço de que as leis já são muito boas, que menor de 18 anos não pode ser preso porque não é responsável por seus atos, que preso tem que ter direitos! Caraça!!! Cadê os meus direitos?! Onde fica a minha liberdade enquanto essas feras estiverem soltas?! Eu acho que só vai começar a mudar quando essas fatalidades começaram a atingir nossos nobres membros do Congresso Nacional, do Senado e as mais altas esferas do judiciário, até lá caros amigos, só nos resta chorar a perda dos nossos amigos, sejam eles paisanos ou policiais!

Cara Leslie, vá com Deus e saiba que a pequena Juliana está sendo muito amada, acarinhada e cuidada pela equipe de enfermagem da Maternidade Carmela Dutra, onde tenho algumas colegas muito queridas!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Divulgação

ATENÇÂO ESPOSAS DE POLICIAIS MILITARES DO RIO



"As esposas dos policiais militares resolveram fazer uma manifestação!


Como atualmente qualquer crítica está sendo punida com prisão administrativa, as esposas dos PMs estão organizando um protesto, no dia 21 de Abril, dia de Tiradentes, patrono da corporação. Durante o tradicional desfile da Polícia Militar em frente à ALERJ, onde está a estátua do herói da Inconfidência, as mulheres vão usar narizes de palhaço e protestar contra a situação que seus maridos estão vivendo. Não se conformam com o aumento de apenas 8%, no ano passado e com as condições de trabalho."

Espero que o BPChoque entenda que o que vamos fazer é para todos os PMs, e não só para os nossos!

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sexta-feira, 3 de abril de 2009

TODOS SÂO CULPADOS ATÉ QUE SE PROVE SUA INOCÊNCIA



Funcionários de um prédio são presos por suspeita de roubo:

O delegado responsável pela área prendeu seis funcionários de um prédio após denúncia de uma vizinha de que dois homens encapuzados e vestindo uniforme do prédio a roubaram na noite de ontem. O delegado resolveu deter todos os seis funcionários que trabalhavam na noite em questão, até que o caso esteja esclarecido.

Estranho não é? Seis pais de família são presos sem prova alguma (atente para o fato de que os ladrões eram dois), sem reconhecimento, apenas por serem funcionários e vestirem uniformes iguais aos que os ladrões usavam, como se uniformes não pudessem ser comprados ou feitos.
Achou estranha a notícia? Então agora leia a notícia verdadeira publicada no jornal Extra de hoje
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Seis PMs são presos suspeitos de roubo e ameaça em Macaé
Vítima foi ao batalhão denunciar policiais. Coronel mandou prender suspeitos
(Marcelo Gomes)
Seis policias do 32º BPM (Macaé) estão presos administrativamente no batalhão há dois dias por suspeitas de envolvimento num roubo em Macaé. Na quarta-feira, uma vítima esteve na 123ª DP e no 32º BPM, e disse que, naquela madrugada, fora rendida por dois homens vestindo farda da PM e com toucas-ninja. A vítima foi colocada num Fiat preto, e levada até sua casa, no bairro Novo Horizonte.
No local, os homens fardados roubaram dinheiro da vítima e teriam feito ameaças à ela, por conta de problemas envolvendo segurança privada de ruas da região. Informado do fato, o comandante do 32º BPM, tenente-coronel Alexandre Fontenelle, instaurou um inquérito policial-militar (IPM):
- Como a denúncia envolve homens fardados, decidi prender administrativamente todos os seis policiais que estavam de plantão naquela região, na madrugada de quarta-feira, até que o caso seja esclarecido.
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Bom, eu na minha santa ignorância de civil, estou ainda tentando entender o porquê de se prender seis homens se os reais culpados são apenas dois, que sequer foram reconhecidos pela vítima. Gostaria também que alguém, que tenha conhecimento jurídico militar, me explique como fica a situação dos quatro inocentes quando acharem os culpados. Fica por isso mesmo? É muito doloroso para um chefe de família, um pai explicar para seus filhos que ficou preso, mas não fez nada. Não vou ficar aqui escrevendo sobre o que não conheço, mas de uma coisa eu tenho certeza, a Constituição do nosso país foi aviltada, ou pior, parece que foi rasgada e jogada no fundo da lixeira. A máxima de que todos são inocentes até que se prove o contrário, nesse caso, funcionou ao contrário, ficou bem colocado para mim que, em Macaé, todos são culpados até que se prove sua inocência.

domingo, 22 de março de 2009

Será mesmo que a PM faz diferença entre praças e oficiais?

Rio de Janeiro, 22 de março de 2009.
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Oficial vende carro roubado para cabo da PM

Um oficial da PM está sendo investigado pela 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar por ter vendido um Pajero cinza que foi furtado em frente ao Hotel Glória. O dono do veículo. Karl Rudolf Winkelmuller, deixou o carro parado no local por quatro meses e, quando retornou, foi avisado por um chaveiro que dois PMs o pediram para arrombar o carro para averiguação. O rapaz\ se recusou a fazer o serviço e conseguiu avisar o proprietário. Não adiantou muito. Um tempo depois o veículo sumiu.
Dois meses depois do desaparecimento do carro, Karl reconheceu sua Pajero estacionada no pátio do 22º BPM (Maré), quando passava pela linha vermelha. Em depoimento na 1ª DPJM, Karl contou que foi ao batalhão, mostrou os documentos provando que era o dono do veículo e foi apresentado ao cabo Leonardo Vinício Affonso, que comprou o veículo por R$7.500,00. Nervoso o policial retirou objetos pessoais do carro e entregou as chaves ao verdadeiro dono.
Na ocasião, junto com as chaves, Leonardo ainda entregou R$1.900,00 a Karl como indenização por eventuais infrações de trânsito cometidas por ele. O cabo ainda reclamou com Karl que perdeu dinheiro, já que pagou pelo veículo sabendo que o carro possuía dívida de R$16,5 mil, trocou o sistema de freios e instalou um kit para conversão de gás.
Após o depoimento de Karl, em dezembro, a 1ª DPJM instaurou um inquérito policial-militar para aprofundar a investigação de prevaricação, apropriação de bem alheio, negociata com veículo, descumprimento de normas internas da corporação, estacionamento de veículos particulares em interior de batalhão e ocultação de fatos.

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Não vim aqui fazer essa postagem para entrar em méritos de quem está errado, certo ou de quem é o ladrão. Não me cabe verificar, analisar ou determinar até que ponto o cabo errou ao adquirir um veículo barateado por dívidas. O que realmente me chamou atenção na notícia foi o corporativismo. O nome do proprietário do carro foi divulgado, o nome do cabo que comprou o veículo acreditando estar fazendo um bom negócio, também, mas cadê o nome do oficial que vendeu o carro ao cabo? Porque não divulgaram o nome do suspeito do furto e nem seu grau de envolvimento no caso? Suspeito de furto sim, pois se ele vendeu o veículo ao cabo, em algum momento até ocorrer a compra pelo cabo houve o furto, então no mínimo o Sr Oficial de Sei-lá-qual-patente foi o receptador, não o estou acusando de ter furtado o veículo. Não estou aqui para recriminar, acusar, ofender ou quaisquer outros atos que possam denegrir a imagem pública de membros da PMERJ, mas me indignou a injustiça e a desigualdade; se o nome do cabo pode ser exposto e arrastado na lama sem que se prove sua culpa, porque não se faz o mesmo com o oficial? Ou melhor, se é possível proteger o nome do oficial para que não seja denegrida a sua imagem, porque não se fazer o mesmo com o cabo?
Meu domingo não começou bem! Afinal, fico muito aborrecida e triste ao ver que os graduados da corporação continuam sendo tratados como lixo, como coisa qualquer e sem importância, a ponto de não terem sequer respeitados os direitos legais de presunção de inocência!

terça-feira, 3 de março de 2009

Quando o direito irrestrito à maternidade se torna caso de polícia

Assistindo TV deparei-me com um caso no mínimo escabroso, uma mãe, dependente química, convidou 10 pessoas para fazer uma festinha em sua casa, onde reside com duas filhas menores, uma com 12 e outra com 3 anos. Tudo ia “numa boa” até que o consumo de drogas e álcool saiu e controle e a “zelosa” mãe foi feita refém junto com suas filhas na própria casa, onde a menor de 12 anos foi repetidamente estuprada por dez homens durante 72 horas, até que as três conseguiram fugir e ir a polícia denunciar os abusos que, diga-se de passagem, não teriam acontecido se a “mamãezinha” não tivesse levado os 10 marginais para casa.
Agora começo a debater o ponto principal que me levou a falar desse caso: Até que ponto mulheres e adolescentes, sem responsabilidade com elas mesmas devem ter o direito de pôr crianças no mundo desrespeitando o direito a uma vida digna daquele que vai nascer? Em que ponto esse direito deixa de ser um direito individual e passa a ser um problema policial? É gente, problema policial, pois como no caso acima, as irresponsabilidades maternas acabam chegando nas delegacias, no chamado a uma viatura da PM, nos hospitais e, nos piores casos, nos necrotérios e IMLs. Não é raro vermos nos noticiários casos de crianças acidentadas, violentadas e sofrendo todos os tipos de violência por conta de irresponsabilidade materna, mas a pior conseqüência dessas irresponsabilidades é a formação de marginais e drogados que se multiplicam nas ruas de nosso país. Sou plena e completamente a favor do controle de natalidade rigoroso, é público e notório que miséria gera miséria, quem não recebeu educação, não tem como dá-la e mães viciadas e envolvidas com o ilícito, conseqüentemente criarão filhos com as mesas características, salvo raras exceções. Qual o futuro que terá uma criança cuja a mãe é viciada em crack e mora embaixo de um viaduto? Será que, no mínimo, 50% das crianças nascidas nessa situação chegam a idade adulta sem nunca terem se envolvido com autuações policiais? Creio que não!
Creio que grande parte da solução dos problemas de segurança do nosso estado esbarram na proliferação desenfreada de partos irresponsáveis criados pela falsa ilusão escondida sob o belo nome “direito à maternidade”. A maternidade é um direito da mulher, isso é incontestável, mas esse direito deixa de ser irrestrito quando esbarra na miséria, no vício e na irresponsabilidade advinda da adolescência que trarão como conseqüência a falta de dignidade e de direitos mínimos de sobrevida da criança que será gerada e na projeção do aumento da violência a longo prazo.
Acho que o direito a maternidade, hoje em dia, é sim caso de polícia, e dos casos mais sérios, pois a irresponsabilidade de mães cheias de direitos está gerando um aumento desenfreado de casos que acabam na polícia.
Sei que posso parecer meio exagerada, ou um tanto quanto confusa na explicação dos meus pensamentos, mas acho também que não há muito o que explicar, é só ler os jornais, olhar o dia-a-dia ou, em casos mais específicos, visitar algumas pediatrias de hospitais públicos ou pesquisar os históricos familiares da grande maioria dos menores infratores. Está na hora dos nossos políticos pararem com discurso empolado de defesa de direitos e começarem a agir efetivamente na proteção não só da população que já está aí mas, principalmente, na que está por vir, nessa gama de crianças que ainda não foram geradas, mas que ao serem já estão sem nenhum direito e que por futuro só terão o caminho das drogas e da degradação!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Voltando a realidade



Enfim acabou a festa de Momo e nós, pobres mortais, retomaremos nossa rotina. Foram 4 dias de país parado e adormecido, 4 dias em que ficamos em animação suspensa, vivendo a ilusão que a vida é muito boa e que não temos problemas, quatro dias em que a grande maioria do povo se aliena e parece viver em outro mundo, aí quando tudo acaba e a ficha cai, percebemos que foi tudo ilusão, que os pedófilos continuam abusando de crianças, que o tráfico continua por aí, aliás trabalhando como nunca nos dias da folia de Momo, caímos na real que o salário e a desvalorização do Policial Militar segue de vento em popa. Nós que vivenciamos o dia-a-dia do PM é que sabemos como “é bom” o carnaval. Quantas de nós, esposas, passamos os quatro dias em companhia dos nossos maridos? Quantos filhos tiveram o prazer de viajar nesses dias em companhia dos pais e puderam usufruir de todos os dias em sua companhia? Posso garantir que muito poucos. Aqui em casa viajar é coisa que passa longe, afinal trabalhamos nas festas e tivemos apenas um dia em que passamos os dois com o nosso caçula, o mais velho deu a sorte de poder viajar com a família da namorada, pelo menos alguém aqui pode aproveitar!
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Uma coisa ficou meio no ar para mim, com tantos extras (até quem não pode trabalhar armado foi escalado) como é que tinham tão poucos policiais no subúrbio? Será que só existe carnaval na Zona Sul e no Sambódromo? Se a resposta não for essa só me resta crer que nós suburbanos, que temos que trabalhar nas festas, não merecemos segurança. Na casa dos policiais ainda é pior, já que além de não merecermos segurança também não merecemos salário digno nem convivência familiar. Mas tudo bem, como já disse a ex-governadora Rosinha Garotinho: “É PM quem quer, eu não seria!”, opinião essa que deve ser partilhada por todos os governantes, já que nenhum deles se interessa em dar dignidade para a família policial militar, quando falo em dignidade não falo de Riocard e abonos vinculados a cursos, não que não ajude, mas fica meio que parecendo esmola, favorzinho prestado com benevolência aos mendigos do estado. Quando falo em dignidade falo em salário digno com o qual o policial possa sustentar sua família sem “bicos”, falo em atendimento hospitalar decente para todos os policiais e seus familiares sem que para isso tenha-se que descontar mais, falo em respeito à folga do policial para que ele possa conviver com os seus, falo em pagamento de horas extras para que esses “extras” possam ser chamados assim corretamente, falo em tratamento digno e humanizado dentro de todas as unidades policial militares, falo em comandantes que realmente se importem com seus comandados e que se preocupem com os seus problemas (como reza o estatuto), falo de tudo isso e muito mais.
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Digo ao meu marido todos os dias que durmo pensando que ao acordar teremos uma boa notícia, uma notícia que irá mudar as nossas vidas e de todos os policias militares, mas sei que é utopia, porque enquanto meia dúzia estiver aceitando aumentos astronômicos em sua gratificações só para conter os que estão abaixo na escala hierárquica continuaremos assim (como todo o resto do Zé Povinho): Dormindo na sexta-feira e acordando na quarta de cinzas com aquele gosto de guarda-chuva velho na boca, a eterna maquiagem de palhaço e com a certeza de que nada mudou, apenas tivemos quatro dias de suspensão para acharmos que o mundo é colorido, cheio de purpurina e cheiro de tutti-frutti, enquanto aguardamos, devidamente sentados, que uma PEC 300 da vida seja aprovada.

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Só queria complementar: Tenho dois garotos, meninos que estão crescendo e, como todo garoto, tendem a ser parecidos com o pai, mas aqui em casa, essa maldição que vem do meu sogro e que passou para o meu marido, acabou. O que eu puder fazer para que um filho meu não sofra dessa maldição chamada Polícia Militar, vou fazer! Graças a Deus nesse ponto meu marido concorda comigo e diz que podemos passar fome, mas a educação dos nossos filhos é prioridade. Meus meninos vão ser “gente” e não mais um entre tantos que sofrem e imploram todos os dias para que as coisas mudem! E eu posso até perder um deles em um assalto, em um acidente ou qualquer outra fatalidade, mas não para a Policia Militar, pois já sofro com o pensamento de que a qualquer momento posso ter que enterrar meu marido precocemente e não quero ter que passar por isso com os meus filhos a troco de quase nada!