sábado, 4 de julho de 2009

Cabo Bruno: Anjo ou Demônio?

Hoje alguns blogs policiais vêm falando do fato ocorrido ontem na comunidade Gogó da Ema em Belford Roxo, local onde foi assassinado, essa semana, o cabo Maia. O fato carreador de tanta polêmica foi a atitude do Cel. Paulo César Lopes, comandante do 3º CPA, que deu voz de prisão, no local, ao Cabo Bruno, acusado de agredir um menor da comunidade dentro de sua residência. Como mãe sei que viria aqui para falar contra certas atitudes que considero exageradas, como cidadã, talvez aplaudisse a atitude tomada pelo coronel sem olhar a humilhação a qual o cabo foi exposto, como mulher e defensora dos direitos humanos para humanos direitos tentaria enxergar a situação de ambos pontos de vista para tirar uma conclusão objetiva, mas, na realidade estou aqui como esposa de policial militar e, portanto, não vim discutir atitudes de A, B, ou C, mas colocar em cheque uma questão muito antiga na PMERJ e que, com certeza, precisa ser revista que é o fato inquestionável da ausência de apoio psicológico aos policiais que sofrem traumas e que passam por situações de stress extremo no seu dia a dia.
Como foi publicado no jornal (num pequeno trecho que muitos podem ter passado por cima sem se importar), o Cabo Bruno havia estado na mesma comunidade essa semana e assistiu, bem como socorreu, seu companheiro de batalhão após o mesmo ter sido atingido por um disparo na cabeça e, poucos dias depois, retornou a comunidade para participar da incursão que estaria em busca dos assassinos do colega que ele havia socorrido e enterrado há apenas 24 horas. Bem, depois dessa narrativa, eu pergunto: Será que esse policial estava psicologicamente pronto pra retornar ao local para uma operação tão delicada? Logo ele que havia participado tão ativamente e tão de perto da outra operação que ocasionou a morte de um colega e que teve suas mãos sujas pelo sangue do companheiro?
Já faz tempo que eu bato nessa tecla, faz tempo que eu insisto que o suporte psicológico na PMERJ é inexistente e que policiais diretamente envolvidos em casos de stress efetivamente altos devem ser afastados e avaliados e, só após uma análise pormenorizada dos danos que foram causados, ou não, na parte psicológica do policial é que ele poderia voltar ao trabalho, independente do efetivo ser grande ou não, pois quantidade não é sinônimo de qualidade. Alguém já parou para pensar na vontade, na “sede” que esse policial estava sentindo de pegar o assassino do colega e até mesmo no medo ao qual estava submetido ao voltar ali e saber que o mesmo poderia ocorrer com ele? Em um caso assim qualquer pessoa, seja menor ou maior, se torna um inimigo em potencial, qualquer um pode ser o detentor da informação vital para se chegar ao assassino e uma pessoa movida por fortes emoções e por desestabilização emocional faz coisas sem pensar. Nada justifica a agressão a uma criança, mas a grande culpa por fatos como esse ainda ocorrerem é de quem não quer enxergar a necessidade de avaliação e apoio ao policial que está na rua, quando falo essas coisas falo com conhecimento de causa, pois não foi nem uma nem duas vezes que meu marido após trocar tiros de dia teve que voltar ao mesmo local na noite seguinte para trocar tiros novamente, ou que após ver um colega morrer numa troca de tiros voltou ao mesmo serviço 48 horas depois sem sequer ter passado pelo consultório de uma psicóloga, pois já que o policial não procura ajuda, para os responsáveis pela PMERJ significa que ele não precisa, e isso é a maior balela que já vi. O suporte psicológico deveria ser compulsório: Passou por situação de stress extremo, tem que se apresentar ao setor de psicologia e ponto. Para tantas outras coisas a PMERJ faz com que o policial cumpra as determinações, porque não somar mais essa?

16 comentários:

Anônimo disse...

O blog Esposa de praça da PM nós já conhecemos, é de autoria da senhora Silvia Gomes e é um blog que expõe, de uma maneira bem morna, mas inteligente, as dificuldades dos praças da PMERJ, além de outros assuntos. Existe também o MMAI que nada mais é que um movimento de esposas de Barbonos ou simpatizantes, tem muita esposa de oficial lá e por isso não o divulgamos aqui, o que elas querem é diferente do que nós queremos e não podemos contar com elas para nada
VCS NAS PAGS DOS BARBONOS? QUE ISSO!!

Paulo Ricardo Paúl disse...

Prezada Silvia:
Boa tarde!
Apenas neste instante conheci o seu blog e devo parabenizá-la pela luta em defesa de seu esposo e da POlícia Militar como um todo.
Há algum tempo, as esposas de militares das FFAA, eram uma força mobilizada, que cobrava direitos, porém, atualmente não tenho visto qualquer mobilização.
Continue na sua luta para mobilizar as esposas, mães, irmãs, namoradas de Policiais Militares para que JUNTAS SEJAM FORTES e possam exercer a cidadania em defesa da PM e do PM.
Paulo Ricardo Paúl
Coronel de POlícia
Coronel Barbono

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog.
O que falta na polícia, não só no Rio de Janeiro, mas em todo o país, são comandantes que tenham mais contato com o dia a dia do trabalho policial.
Um coronel que passa a vida indo do gabinete para casa e de casa para o gabinete nao tem condiçoes de comandar a tropa.

Abraço
André
netuno-rs@ibest.com.br

Anônimo disse...

"Alguém já parou para pensar na vontade, na “sede” que esse policial estava sentindo de pegar o assassino do colega e até mesmo no medo ao qual estava submetido ao voltar ali e saber que o mesmo poderia ocorrer com ele.."

A primeira coisa que pensei foi na humilhação que esse cabo passou. Aplaudo a idéia de focar o lado psicológico do policial, que ele precisa de estrutura e apoio para realizar suas funções, agora, SE COMPROVADO A CULPA, este pm deve ser punido severamente por ter agredido e humilhado uma criança de 12anos, contra fatos não há argumentos, repito, SE FOR COMPROVADO A CULPA, ele devera ser punido severamente na forma da lei.

Silvia Gomes disse...

Ao anônimo de 5 de julho as 22:33

Como vc deve ter lido no texto, apesar de ter prestado mais atenção ao texto que colocou em epígrafe, não concordo com qualquer tipo de agressão, seja ela cometida por policial ou por cidadão comum e, com certeza, comprovada a culpa, a punição se faz necessária, não só do executor da ação como também de todos aqueles que o empurraram para tal atitude e por fim pergunto o sr. ou sra.: Já ouviu falar em estresse pós traumático ou "agir sob forte emoção"? Caso não conheça os termos procure informar-se e, como cidadão, passe a cobrar do seu governo uma maior qualidade nos cuidados prestados ao policial que está na rua pois, em algum momento, a SUA PRÓPRIA VIDA poderá depender de um polical estressado, traumatizado e desestabilizado e, garanto-lhe, vc não vai gostar da experiência. Além do mais para se ter uma polícia cidadã é preciso, primeiro, tratar o policial como cidadão. No mais, obrigada pela visita e pelo comentário.

s disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

"Já ouviu falar em estresse pós traumático ou "agir sob forte emoção"?

Olá, lógico que houvi e isso é a base para que não só o policial como todo e qualquer profissional venha a realizar o seu trabalho com perda acentuada da qualidade do serviço.
Em momento algum destingui o policial do papel do ser humano, como muitos fazem, muito pelo contrário, são pais de família que estão trabalhando sob stresse e sem estrutura para realizar suas atividades profissionais, mas sabe o que eu estou questionando, COMO CIDADÃO, é que apesar disto o policial não tem um direito de torturar e humilhar o cidadão, e é isto que está em jogo, e se comprovado sua culpa ele deverá ser punido exemplarmente. Imagina se todos os policiais sob stresse resolvesem agir igual a este? muito pelo contrário, uma minoria age assim, e é por estes que a sociedade aponta e resume toda uma corporação.
Logo continuo com o pensamento da seguinte forma: SE COMPROVADA A CULPA, o policial deverá ser punido exemplarmente, por que ele minimizou um ser humano inocente por culpa da omissão do estado que é represantado pelo proprio policial agressor.

Silvia Gomes disse...

Caro amigo,

Em momento algum disse que: UM POLCIAL PODE FERIR A DIGINIDADE E OS DIREITOS DO SER HUMANO APOIADO NA DESCULPA DO ESTRESSE PÓS TRAUMÁTICO, ou que: NO CASO DE COMPROVADOA CULPA DO POLICAL ELE NÃO DEVA SER PUNIDO. O que solicitei foi que o sr como cidadão pudesse ver que tipo de polícia nos está servindo. Uma polícia doente e maltratada, que não têm SEUS DIREITOS BÁSICOS DE CIDADANIA PLENA respeitados assim como exigimos sempre que eles respeitem os nossos. Policial não vem de Marte nem é fabricado com peças plenamente substituíveis, são SERES HUMANOS, com erros e acertos, qualidades e defeitos assim como eu ou você e cabe a nós, enquanto cidadãos cobrar isso, não do PM na rua, mas de quem comanda, mas se o sr não concorda com isso, se acha que o tratamento dispensado ao policial que o serve na rua é bom o suficiente... O país é livre e ninguém é obrigado a concordar com ninguém, mesmo assim obrigada por postar aqui e me dar o prazer de conhecer sua opinião.

Espero, de coração, que o novo comando consiga ver esse pequeno detalhe e tome alguma providência.

Anônimo disse...

Prezada Silvia, hoje sei o motivo de você ter um blog como este, onde se expõe de alguma forma tentando amenizar as dificuldades que seu marido ja passou e ainda passa nesta vida louca em que nós vivemos, digo nós pq conheço o teu par e posso dizer que ele é um cara honrado e honesto e o considero um exemplo para todos que não concordamos com toda esta podridão.
Tenha certeza que ele já conseguiu arrebatar novos companheiros pensantes para esta causa que parece um poço sem fim, mas que a cada dia com a soma de nossas opiniões e idéias vai tornando-se um embrião, que mesmo que não seja gerado em nove meses mas que pode daqui a alguns anos ser o início de uma nova página nesta PMERJ.

Anônimo disse...

Não é isso, como cidadão consciente assumo que há muito a se fazer a favor do policial, principalmente, como foi sitado até mesmo pela sra, e deve ser dado atenção maior ao aspecto psicológico do mesmo.O que foi alvo da minha postagem é o fato de que tudo isso não é motivo para que o cidadão de bem seja humilhado, porque a maioria da tropa esta nesta situação e tem um comportamento exemplar na sociedade, apesar da ausência de recursos que os mesmo estão submetidos,então que sejam apurados os fatos e aqueles que tem sua culpa comprovado sejam punidos, até porque os impostos suados fruto do nosso trabalho é que pagam o salário de um policial.
Dignidade ao policial, mas aqueles que se desviem do compromisso firmado no juramento de proteger o inocente, isto é, SERVIR E PROTEGER sejam eternizados, porque este é o meu desejo e acredito que de muitos cidadão que acreditam que a pm é o braço direito do cidadão. Boa tarde e continue nesta luta.

Silvia Gomes disse...

Ao amigo do dia 7/7 às 20:44

Todos somos um pedacinho dessa luta e, roubando o jargão dos barbonos, juntos somos fortes. Minha família é munha vida e a PMERJ faz parte dessa família.
Obrigada pela visita e seja sempre bem vindo.

Ao anonimo do dia 8 as 12:28

Se todos os debates fossem saudáveis, humanos e educados assim, com certeza nosso mundo seria muito diferente! Obrigada por sua opinião e sei que como cidadãos conscientes concordamos na maioria das coisas. Seja sempre bem vindo nesse meu espaço.

Anônimo disse...

Prezada Sra. Silvia Gomes:

O que a Sra. e seu marido devem fazer de imediato, segundo a minha opinião, é entrar na Justiça por Danos Morais contra o Cel Paulo Sérgio, e chamando o Estado como litisconsorte. O ato praticado pelo Coronel foi abolido de todas as Forças Militares do mundo pela ONU, que é colocar tropa em forma, para que militar seja desarmado, preso, suas insígneas arrancadas, onde nesse momento a tropa vira as costas para a pessôa. O fato teve a agravante de ter sido praticado fóra do aquartelamento, em local público e com jornalistas filmando e fotografando. Foi abolido por ser humilhante, execrável para a pessôa humana, semelhante a abolida Lei da Chibata. O que esse Sr queria ele teve seus 15 minutos de fama. O jornal Extra deverá ser também processado por uso indevido de imagem, bem como expor pessôa à perigo de vida. A Sra. deve consultar na Internet a página http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1591 ,sob o título "Policial Militar e Policia Militar vitimas de Dano Moral", lá a Sra. encontrará mais subsídios para isso. Desejo à Sra.e seu marido muito sucesso nessa luta, pois se ele errou, outros erraram mais do que ele. Quero aproveitar e dizer à essa Sra. que é "inspetora da 54 DP" segundo o Jornal Extra de hoje, que se ela quer alguém "quente e sensível", deve procurar o Roberto Carlos, que diz "póde vir quente que estou fervendo".

Anônimo disse...

se a policia nao fosse tao violenta talves eles nao seriao tao odiados pela populacao mais humilde!!!

rafael disse...

Parabens ao cb bruno são de policiais assim que o brasil esta precisando e não desses que estão agora .

rafael disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
rafael disse...

eu sou enpresario e queiria conhecer mais sobre o cb buno eu apoio os p.m aqui de ribeirao preto