sábado, 11 de julho de 2009

Sofrimento que tento esquecer


Li no blog do novo Comandante Geral, em um comentário, que as DPJMs serão extintas em dois meses. Fiquei bastante surpresa e, não posso negar, muito feliz com a idéia, pois desde 08/04/2005 tenho uma certa mágoa em relação a estes órgãos da PMERJ. Vou narrar um resumo dos fatos e expor o que penso, como me senti na época e como me sinto hoje:

Em 07/04/2004, meu marido, que já vinha apresentando algumas crises do sistema nervoso, teve um problema e eu busquei ajuda na PMERJ. O tenente que veio a nossa residência, um rapaz novo de caserna e talvez um pouco inexperiente, não compreendeu que as nossas necessidades naquele momento eram de ajuda profissional e, agressivamente, talvez pelo estresse a que todos são expostos nas ruas, deu voz de prisão ao meu esposo que, ao tentar levantar-se da cama, foi espancado pelo mesmo e por um soldado que o acompanhava. Dali pra frente tudo virou uma loucura total, meu marido atônito, sem saber o que acontecia e eu desesperadamente arrependida por ter pedido ajuda, na minha cabeça só conseguia pensar que eu poderia ter chamado o SAMU ou os bombeiros, já que ele estava doente e desarmado. Acho que com esse resumo já deu para vocês entenderem mais ou menos o que aconteceu e agora eu vou entrar na minha nada agradável relação com as DPJMs. Meu marido foi encaminhado à 1ª DPJM, autuado por crimes militares e teve sua prisão em flagrante lavrada. Naquela época pouco, ou nada, entendia de polícia, a única coisa que eu tinha certeza era que meu marido havia dito que em caso de qualquer problema eu deveria procurar a Polícia, pois ela é uma família e todos se ajudam, então, no dia seguinte a sua prisão, fui na 1ª DPJM procurar saber porque meu marido estava preso se o que ele precisava era de auxílio médico, fui com a certeza de ser bem recebida, afinal era um órgão da PM, a casa do meu marido. Ao chegar lá, fui recebida no jardim (nem pela porta me deixaram passar) por um homem trajado civilmente que, ao receber minha solicitação de informações, ásperamente disse que nada podia fazer, no que foi sucedido por um outro rapaz que, apesar dos trajes civis, apresentou-se também como sargento e a ele contei, resumidamente, o ocorrido e pedi informações sobre a prisão do meu marido e sobre o que estava acontecendo, o rapaz me pediu que esperasse um pouco, ali mesmo do lado de fora, em pé e totalmente abalada psicologicamente fiquei aguardando e ouvi o rapaz se dirigir a alguém a quem chamou de “major”, então estiquei meu pescoço para ver se conseguia ver com que ele estava falando e só consegui vislumbrar parte de uma calça jeans e uma camisa escura e mais nada consegui ver, pois a minha visão foi turvada pelas lágrimas que começaram a cair imediatamente após ouvir a resposta do dito major, as palavras, ditas em um tom autoritário, grosso e sem nenhuma intenção de ser educado com um semelhante foram exatamente essas: “Manda ela ir lá no batalhão dele saber porque, aqui não é lugar disso, manda embora, manda embora!”
Eu, como civil, fiquei ainda mais confusa. Gente eu sou esposa de um policial, meu marido não era um traficante ou um bandido e, mesmo que fosse, eu merecia algum respeito, sou cidadã, pago os meus impostos e tenho direito, no mínimo a dignidade. Agradeci ao sargento e fui saindo com um animal escorraçado, um cachorro chutado e era assim mesmo que me sentia, mas como não podia deixar as coisas como estavam liguei para o batalhão do meu marido e tive a pior resposta do mundo, lá só sabiam que ele havia sido preso mas não tinham nenhuma informação dos motivos e o comandante dele falou que entraria em contato com a DPJM, pessoalmente, para saber e que me ligaria para informar e me tranqüilizar, pediu que eu fosse ao batalhão conversar com a psicóloga, pois percebeu que eu estava muito abalada e desestruturada e que, sem apoio, poderia desabar a qualquer minuto. Fiquei ali, em pé na rua, em frente a um orelhão pensando como é que a delegacia que prendeu meu marido não podia me informar da situação dele, como é que pessoas que servem na mesma força do meu esposo podem me tratar com tanto desprezo e crueldade e fui remetida a alguns livros que li sobre a segunda guerra onde alemães, às vezes vizinhos de longa data, tratavam outros alemães como lixo humano, como coisa sem valor, só por uma divergência de pensamentos ou por se julgarem muito superiores.
Os fatos que ocorreram, não os esqueci, mas relevei, ao tenente hoje sou grata, pois sem ele talvez nunca meu marido tivesse buscado o tratamento e nem se transformado no homem que é hoje, mas ainda não consegui tirar nenhum lado positivo do tratamento que me foi dispensado na DPJM, até hoje não compreendo, pois como civil se alguém é preso e está na delegacia não é lá que eu tenho que me informar? Então porque aquelas pessoas não podiam me informar nada nem ao menos explicar o que estava acontecendo? Sabem o que é mais triste? O que até hoje me trás lágrimas aos olhos e muita tristeza? É que nem ao menos os nomes deles eu sei e, no meu entender de leiga, eu posso ter sido enxotada feito um bicho sarnento por qualquer um, civil, militar ou até mesmo por alguém que no uso de suas atribuições de policial de órgão correcional prende um pai de família por falta de cobertura, ou por estar encostado em uma parede ou balcão em horário de serviço e nem ao menos seus nome eu soube, porque nem uniforme ou crachá de identificação eles usam.
É preciso que se expurgue da PMERJ todos os envolvidos em crimes, mas não me convenci, principalmente com o tratamento que recebi, de que dar plenos poderes a homens comuns sobre a vida de outros, seja o melhor caminho.

10 comentários:

Anônimo disse...

A MINHA LUTA É FAZER MEU MARIDO SAIR DA PM!

Anônimo disse...

Senhora, como militar do estado do Rio de Janeiro, fico sem palavras e até com vergonha do tratamento a senhora dispensado, as coisas não funcionam dessa forma e nem deveriam funcionar assim. Na época a senhora deveria ter procurado o Ministério Público, pois ficou claro o abuso de autoridade. A senhora tinha o direito de ter todas as informações sobre o seu marido, não importanto o que o mesmo tenha feito; esse era um direito seu. Então, fica aqui um conselho a outras esposas ou parentes de praças que por ventura estejam passando ou passarem por situação igual; peguem os nomes dos policiais e se possível com testemunhas, dirijam-se ao Ministério Público e façam sua denúncia. Se o PM errou, é mais que certo que irá pagar por isso, porém, a pena e o tratamento ríspido não se extende à família.

André Augusto Lisboa disse...

No meu caso eu fui a DJPM no Meier, a época do tão falado Cel BRUM, fui interrogado durante varias horas e nem assim conseguiram encontrar uma unica contradição em meu depoimento, ainda ouvi o Cel Brum falando com meu comandante que não teria como me indiciar pois não encontrou nenhuma contradição, e assim mesmo eu fui excluido e vi uma pessoa so porque era compadre do comandante não ser punido e fez uma transgressão muito mais grave que a minha.

Anônimo disse...

O Cabral tem e de cumprir com suas promessas de campanha e aumentar dar condição dignas aos pms cariocas, salário já, o fim do rancho que o mesmo disse que ia acabar e até agora nada, rio card aos pms que tb só ficou em alguns batalhões e condições de trabalho esse cara e o maior facinora da história pois prometeu e nada cumpriu até hoje, o salário de um policial do rio e uma verdadeira vergonha nacional..... NÃO VALE A PENA MORRER POR ISSO AMIGOS...

Anônimo disse...

@queronoticia Deputado Flávio Bolsonaro ataca ex-comandante da PM!! E de tabela, bate também no Gov. CABRAL! Assista http://migre.me/3cxc

@queronoticia Polêmica na região dos Lagos: Novo Comandante do Batalhão de Cabo Frio declara: “Combater tráfico de drogas não é obrigação da PM”.

@queronoticia Destacamentos dentro de favelas vão acabar!! Qual a sua opinião sobre o fim dos destacamentos .....? Comente... http://migre.me/3xT5

@sddionizio REDUZIR AS CASINHAS INÚTEIS. IMENSO BOLÃO DENTRO (MESMO QUE A BALIZA/GOL/TRAVE SEJA MUITO PEQUENINHA E OS GOLEIROS MUITO GRANDES

@FLAVIOBOLSONARO A PM estava proibida de entrar em favelas do PAC, o preço p/ "reestatizá-las" será caro, espero que sem mortes de policiais


E só seguir!!!
http://twitter.com/queronoticia

Anônimo disse...

Senhora, infelismente educação a gente aprende em casa e não é inerente a posto ou graduação. Sou um oficial ainda jovem, nunca trabalhei no sistema correicional, mas estou ingressando nele, apenas com um único propósito o de transformá-lo em um serviço transparente e humanizado, estou pedindo desculpas a senhora por aquele Major, que hoje deve ser Tenente Coronel, pois acredito que tudo que acontece na PM é culpa dos oficiais (por ação ou omissão). Boa sorte a senhora e seu esposo, ainda há esperança de transformar a polícia.

Anônimo disse...

Senhora, quero dizer que sou solidária com sua mágoa e que, se fosse comigo, eu me sentiria da mesma forma. Porém, gostaria de dizer que não devemos generalizar: dizer que todos os policiais das DPJM são assim seria tomar o todo pela parte, o mesmo que as pessoas fazem quando dizem que todos os policiais são corruptos (o que é uma mentira absurda) simplesmente porque vêm na mídia algum desvio de conduta cometido por algum policial. Trabalho em uma DPJM e nunca vi nenhuma pessoa ser mal tratada ao procurar ajuda naquela unidade. Todos os policiais são orientados para tratar o público com o máximo de educação e respeito possível. Isso que aconteceu com a senhora, tenho certeza, foi inerente à personalidade dos policiais que a atenderam e que teria acontecido da mesma forma, mesmo que eles trabalhassem em qualquer outra unidade da polícia militar ou mesmo que não fossem policiais. Ou ninguém nunca foi destratado por um médico, um vendedor, um caixa de supermercado, um motorista de ônibus...? Não estou puxando a brasa para a minha sardinha, não, mas quero apenas testemunhar o vejo no meu dia-a-dia. Obrigada.

Silvia Gomes disse...

Muito obrigada por todos os comentários de apoio e solidariedade. Gostaria que todos compreendessem que quando me referi as DPJMs só generalizei por conta do que ouvi de outras esposas de praças com quem tive contato ao longo do tempo, desde a época em que o meu esposo esteve preso até hoje, e a relação de todas com a DPJM, assim como a minha, foi muito negativa. É triste ter visto o que vi e ter sentido na própria pele o descaso e o desprezo de pessoas em quem, naquele momento, depositei tanta confiança e esperança.
Obrigada a todos!

cristina disse...

TEMOS QUE TER ESPERANÇAS NO NOVO COMANDANTE, E PEDIR A DEUS MUITA TRANSPARÊNCIA NA SUA GESTÃO.

Anônimo disse...

Eu sou policial militar no estado de são paulo e declaro que fiquei pasmo com o tratamento que a senhora recebeu , a policia devia se unir mais e para com essa coisa de punir por bobeira ,se a gente pega o ladrão na rua parabens que ocorrencia bonita , se somos surprendidos sem cobertura ficamos preso , ahh me polpe ,se for analizar bem o vagabundo tem mais moral do que nós é uma vergonha !!!!!!!!!!