sábado, 17 de outubro de 2009

Doar sangue, um ato de amor!

Bom Dia!
Amigos, mais uma vez venho aqui no meu espacinho não para falar da PMERJ em si, mas para abordar um assunto até relacionado com ela, porém indiretamente.
Como vocês sabem “meu Grandão” está internado no HCPM e, devido a uma anemia séria causada pelo seu quadro de saúde, ele está “tomando” sangue. Já fez uma transfusão ontem, fará outra hoje e segunda-feira irá para o centro-cirúrgico colher material para uma biópsia. Graças a Deus ele não necessitou de doadores, já que tinham bolsas suficientes armazenadas no banco de sangue do hospital com o seu tipo sanguíneo, mas essa não é a realidade para todos os pacientes internados ou que chegam à emergência da Unidade. Pois é meus amigos, falta sangue! Eu e meu marido sempre fomos doadores, nunca pensamos que um dia um de nós fosse necessitar, mas as fatalidades acontecem e um dia poderá ser qualquer um de nós no lugar daqueles que hoje precisam e têm que esperar que esse líquido vital ao nosso funcionamento chegue de “algum lugar” para que possamos ser salvos, então vim até aqui iniciar uma campanha de doação de sangue para o HCPM. Vamos, em massa, invadir o nosso hospital numa bela campanha de doação; doar sangue não dói e pessoas saudáveis podem voltar a doar em apenas três meses. Aguardo todos vocês lá a partir de segunda-feira.
E, mais uma vez, venho a público agradecer o empenho do Cel. James Strougo (DGS), do Cel. Med. Borges (diretor do HCPM), Cel. Med. Sardinha (diretor interino HCPM), equipe de enfermagem que ainda não sei o nome de todos e, em especial, a Drª Maura, pelo empenho e dedicação dessa equipe maravilhosa que, mesmo diante de tantas dificuldades enfrentadas pela nossa unidade de saúde, se desdobram para que tenhamos um cuidado digno. Muito obrigada a todos.
*
Vamos à doação!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 4 de outubro de 2009

Notícias do "meu grandão"

Oi amigos, bom dia!
Hoje vim aqui para dar notícias do meu grandão. Ele está internado desde segunda-feira no HCPM para, finalmente, tratarmos seu problema. Na segunda ele passou mal no serviço e eu o levei para o hospital e o médico plantonista achou por bem interná-lo. Ele ficou no soro até quinta-feira, mas já está se alimentando melhor e bebendo bastante água. A Drª Maura, residente que pegou o caso dele, é muito atenciosa, consciente e interessada e está fazendo todos os exames necessários para descobrirmos, com exatidão, o que meu amor tem para podermos dar início ao melhor tratamento. Gostaria de agradecer a ela pelo empenho e dedicação, mas não poderia esquecer aqui de agradecer aos colegas do meu marido do 17º BPM (Sérgio, Meireles, Isidoro, Fialho, Tenente Henrique e tantos outros que ainda não conheço e por isso não sei o nome) e ao comando da unidade pelo interesse e pela atenção que me tem sido dispensada neste período tão difícil. O comando do Cel. Cid, na pessoa do tenente Henrique, me recebeu muito bem no BPM e se pôs à disposição para tudo o que eu precisasse e por isso só tenho o que agradecer, quem me conhece sabe que se tenho que falar bem eu falo, mas na hora de meter o malho, também meto! Não posso esquecer de agradecer também ao Cel. James Strougo que se pôs a nossa disposição para quaisquer eventualidades, espero não precisar incomodá-lo.
Muito obrigada a todos que, seja por orações ou por presença, estão ao nosso lado nesse momento, beijo carinhosamente o rosto de cada um, obrigada!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

DESABAFO II

Resolvi aproveitar a repercussão da postagem sobre meu grandão para falar um pouco sobre o atendimento dispensado aos PPMM nos HPMs. Antes de começar a comentar a respeito de vários fatos que ocorrem durante os atendimentos, não só nos hospitais como também nas policlínicas, quero deixar claro que como profissional de saúde conheço as diversas dificuldades enfrentadas por nós durante o trabalho, compreendo também que deve ser extremamente difícil para um médico manter-se trabalhando como oficial PM, cumprindo escala, enquanto em um consultório ou clínica ela irá ganhar bem mais; consigo também, por estar dentro do sistema de saúde pública, entender as dificuldades enfrentadas com falta de pessoal afinal, além dos que se desligam permanentemente do serviço, existem aqueles que pedem as licenças sem vencimentos, as licenças médicas, as licenças especiais e outros tipos de afastamento que são facultados aos funcionários públicos, sejam eles militares ou não. O que vim aqui falar é mais um discurso profissional, é uma divagação a respeito de algo que aprendi durante a minha experiência de trabalho e sobre um treinamento que recebi chamado “Humanização no tratamento hospitalar”. Aprendi que o profissional de saúde deve dirigir-se ao paciente não como doente do leito x ou pelo nome da moléstia que carrega, mas como Sr. Fulano de Tal, para que no decorrer do tratamento ele não perca sua identidade primária de ser humano, aprendi que o carinho e a dedicação do profissional são preponderantes na recuperação do doente, fui treinada para cuidar do meu cliente como se fosse alguém próximo meu e não como se fosse “coisa” sem utilidade e valor.
As queixas que tenho ouvido a respeito dos atendimentos nas unidades de saúde da PMERJ são, na sua grande maioria, a respeito da desconfiança que os médicos deixam transparecer com relação às queixas dos pacientes, esse foi o meu problema como é de muitos. Falei com várias pessoas e li comentários, não só no meu blog, sobre casos nos quais os médicos tratam as queixas como fantasias ou mentiras e que nem de posse dos exames se convencem que as queixas são reais. O médico, mesmo numa unidade militar, não pode esquecer que antes de ser um superior hierárquico é um profissional que fez um juramento de salvar vidas, independente de que vida seja e que o paciente que ele está atendendo não merece ser tratado como um mentiroso em potencial nem como um caçador de licenças médicas. Existem casos que podem agravar muito se tratados com indiferença e se não forem cuidados com rapidez e eficiência. Agora vou falar diretamente com minhas colegas da enfermagem, não só as técnicas, mas também as enfermeiras: Sejam vocês cabos, sargentos, tenentes, ou seja lá qual cargo ou patente, não podem esquecer que nós também fizemos um juramento e que educação vem de berço, também trabalho com o público e sei que muitas vezes o acompanhante do paciente torna-se inconveniente ou agressivo e cabe a nós contornarmos a situação; é difícil? Claro que é! Como explicar a alguém que está vendo uma criatura querida sofrer que o médico está demorando porque foi tomar um café e você não está podendo sair dali naquele momento para chamá-lo? Ou que o “doutor” está em outro atendimento? Caramba, a nossa função é administrar os cuidados prescritos ao enfermo e não de servir de babá do médico ou fazer as vezes de recepcionista, mas temos que lembrar que somos o elo intermediário entre essas duas funções além de sermos as pessoas mais próximas do cliente e de seu acompanhante e, por isso, somos os profissionais que mais sofrem com os desabafos, afinal a visão do médico promove o alívio e a certeza que o sofrimento vai acabar, ele se torna o porto seguro, mesmo que nós sejamos o instrumento final para a promoção desse alívio, então, caras colegas de trabalho, vamos ter um pouco mais de paciência e carinho com as pessoas que, num momento extremo, estão dependendo de nós, vamos lembrar do nosso juramento. Tenho certeza que ao responder com educação e carinho a uma atitude mais agressiva a resposta será mais branda, ninguém bate em que lhe afaga.
Esse desabafo foi a forma que encontrei para tentar mostrar ao Cel James, que tem visitado o blog e que foi muito solicito comigo, que o problema não é só de falta de pessoal, mas também de posicionamento profissional. Percebi ao conversar com o diretor da DGS que ele é um profissional consciencioso e, como tal, põe a saúde do cliente em primeiro lugar e não a sua posição na hierárquica e esse posicionamento deve ser transmitido a todos os profissionais de saúde da PMERJ. Faz-se urgente um bom treinamento em tratamento humanizado para todos os profissionais de saúde da corporação, é claro que salários dignos ajudam muito para modificar a postura do profissional, pois quando a pessoa é bem paga ela trabalha muito mais satisfeita e isso se reflete diretamente na sua produtividade, porém salário é uma questão governamental que, me parece, não tem a mínima importância para o Governador Sérgio Cabral, mas existem “n” outros estímulos para alavancar o bom atendimento, entre eles melhores escalas de serviço, folgas extras, etc.
Conto com a consciência e a inteligência do diretor da DGS e do Comandante Geral para que haja melhora visível no atendimento das Unidades de Saúde da PM, nós não temos condições de pagar um plano de saúde e saber que estamos dependendo de um atendimento precário em matéria de tratamento humano nos faz sofrer por antecipação.
Aproveito também para dar uma sugestão: A volta das UBS nos batalhões é ótima idéia, desde que os profissionais tenham material para trabalhar, não adianta ter dentista em uma UBS e não ter material para fazer um procedimento básico de obturação. As UBS deveriam ter clínico, dentista, ginecologista, pediatra, profissionais de enfermagem além de coleta de exames básicos como sangue, fezes e urina. Sei que é “sugerir” demais, ouvi do próprio cel. James que a polícia sofre com uma falta “crônica” de profissionais de saúde, afinal a verba e a melhoria salarial dependem do governo e, mesmo com tantos policiais descontando fundo de saúde, a desculpa da falta de verba está sempre na ponta da língua do nosso governador.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

DESABAFO

Meus amigos,
Sei que ando muito longe do blog, mas os problemas que estou vivenciando não me deixam ter cabeça para outra coisa que não seja a saúde do meu marido. O meu grandão, como eu o chamo, está travando uma batalha bem difícil e só vim fazer essa postagem pois sei que a força de vocês e as suas orações serão preciosas nesse momento. O que vou narrar a seguir aconteceu comigo e, muito provavelmente, vem acontecendo com outras pessoas que necessitam de atendimento no HCPM. Desde o ano passado meu marido vem apresentando alguns problemas de saúde que se agravaram no início do ano com uma perda crescente de peso, depois que muito insisti ele resolveu procurar um médico que, sem pedir nenhum exame, disse que estava tudo bem, eu não me convenci e pedi que ele procurasse outro médico (também na PM) que pediu alguns exames. Com o resultado em mãos ele voltou ao médico que disse que ele nada tinha e que o cansaço que vinha sentindo seria resolvido com algumas vitaminas, não sou leiga nesse assunto e vi que tinha algo errado nos exames. Desde fevereiro tenho visto meu marido perder peso e se tornar cada vez mais apático, ele perdeu uns 10 quilos de lá para cá, e eu passei todo esse tempo me perguntando como dois médicos não conseguiam enxergar o que eu via tão claramente, então dei um ultimato a meu marido: Iríamos procurar um médico particular. Sou funcionária municipal e tenho um plano de saúde ambulatorial bem básico, desses que nem cobrem todos os exames, mas dá para quebrar um galho e, antes de marcar um clínico, peguei seus exames de fevereiro e levei para uma médica conhecida minha ver e ela disse que, mesmo sendo pediatra dava pra ver que tinha algo muito errado nos exames dele e seria bom buscar um clínico para uma primeira avaliação, nada disse sobre os dois médicos já consultados. Levei-o em uma clínica próxima a nossa casa e o médico ao avaliar os exames mais antigos nos disse que era necessário fazer novos exames de sangue além de outros tipos de exames que poderiam confirmar a suspeita dele, fez vários pedidos e nos disse para fazermos o mais rápido possível. Um desses exames não era coberto pelo plano e muito caro para nossos ganhos, mas graças a Deus, tenho alguns conhecimentos e consegui fazer o exame dele que veio a confirmar uma séria doença de intestino, um processo inflamatório grave, inclusive com suspeita de câncer. Como um médico, um não, dois médicos do hospital da corporação não percebem sintomas graves em um paciente? Seria descaso ou necessidade urgente de manter todos os homens na rua? Meu marido, apesar de tudo, continua trabalhando, já que ainda não foi ao HCPM, estamos esperando que o resultado da biópsia fique pronto para tomar uma decisão, sabemos que as chances de ele passar por uma cirurgia é muito grande e eu morro de medo de ele ser operado por mais um “médico” como os outros dois que o atenderam, mas como PM ele precisa passar por lá para que suas dispensas e atestados tenham validade. Por isso vim aqui pedir ao Comandante Geral que olhe pelo HCPM, parece que os profissionais de lá não estão ligando muito para o real estado de saúde dos policiais, como aconteceu com o meu marido, deve ter acontecido com muitos outros e é assustador pensar que perdemos quase seis meses sem que ele se tratasse, seis meses preciosos, pois agora ele já está apresentando febre diária e sangramento, o que poderia ter sido evitado se o primeiro profissional consultado tivesse tratado meu marido como um ser humano em busca de ajuda e não como um cão sarnento esperando o sacrifício. Por favor, alguém salve o HCPM, eu tive recursos e conhecimento para socorrer meu marido fora de lá, mas e quem não tem? Vai morrer à míngua?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

AUSÊNCIA

Caros amigos,

Estarei ausente por uns quinze a vinte dias para resolver alguns problemas pessoais. Deixo bem claro que estarei ausente da Net, porém nunca da PMERJ e dos problemas que nela existem. Até breve!

terça-feira, 14 de julho de 2009

A PMERJ que nós queremos


Hoje acordei um pouquinho mais tarde, afinal os garotos estão de férias e com esse friozinho dá mesmo vontade de ficar na cama. Ao acordar fiz como todos os dias: corri pra sala e liguei a TV, (como todo bom brasileiro tenho o meu vício, ouvir o som da TV até na hora de dormir) e dei de cara com o William Travassos, da Record, dando uma notícia em primeira mão: Uma viatura da PM foi atacada agora, por volta das oito horas na Penha, ela estava baseada na rua José Maurício e os bandidos atiraram de um carro, com o qual bateram e, logo em seguida, roubaram outro para fugir. O desfecho do caso eu ainda não sei, só o que sei é que a resposta foi tão rápida quanto a ação: A polícia já está cercando a área para capturar os autores do ataque, e isso em pouco tempo, afinal agora são apenas 8:30. Não sei se estou vendo coisas ou tentando colorir o novo comando, mas tenho a nítida impressão que algo está mudando. Está me parecendo que ataques a policiais não serão mais tolerados e, em conseqüência, espero um recuo dos marginais.
Nossos policiais precisavam disso, realmente é algum incentivo saber que ao serem atacados terão apoio e embasamento pra reagir e prender os agressores, seria muito melhor que não precisassem ficar parados como alvos, mas enquanto esse sonho não se realiza ficamos por aqui esperando que essas reações estendam-se, também, aos cidadãos comuns, mas não vim aqui só para falar disso e já estava começando a me desviar do assunto principal.
Todos sabem que a polícia precisa de algum tipo de reação, mas precisa, muito, de outros incentivos para trabalhar. O principal desses incentivos é o salário digno, para que o Policial Militar não precise mais estar correndo de um lado para o outro para se sustentar e, sem dúvida, com salários satisfatórios a corrupção diminui, como já disse antes: quanto menos um homem tem, mais barato ele é. Mas essa questão salarial, apesar de poder ser impulsionada, por meio de pressão, pelo Comandante Geral é totalmente dependente do “bom humor” e da “generosidade” do nosso Governador (que não me parece muito sensível ao fato). Além do fator salarial existem outros itens que passam pelo comandante e que podemos levar a seu conhecimento e reivindicar, pelo menos, sua apreciação dos fatores e a possibilidade de suas aplicações, entre eles creio ser de primordial importância a revisão do RDPM pondo fim às punições de privação de liberdade para casos administrativos, afinal não é justo um pai de família ser privado do convívio com os seus por atos administrativos e muitos superiores aproveitam-se dessa “arma” para vinganças pessoais ou para mostrar “poder” (corrijam-me se eu estiver errada, pois sou esposa de policial então posso estar falando bobagens); outro fator que acaba se reportando diretamente a questão salarial é o fim do rancho, pois com isso os policiais, além de terem uma melhor alimentação (escuto muitas queixas a respeito da alimentação servida nos quartéis) ou de, quando na rua, poderem comer em qualquer lugar, significa um “capilé” a mais no contracheque; outro ponto, que inclusive já foi até citado pelo novo comandante, é uma melhoria no atendimento das nossas unidades de saúde, a volta das UBS já seria um bom começo, pois se eu tenho uma unidade com bom atendimento próxima a minha casa, para que ir longe, acrescento que todas essas unidades deveriam incluir atendimento dentário (saúde começa pela boca) e, por fim, mas não menos importante e, ouso dizer, essencial, o acompanhamento psicológico com avaliações periódicas da tropa, os homens merecem esse tratamento, eles merecem poder estar nas ruas em condições de participar dessa guerra urbana que vivemos em boas condições mentais e nós como cidadãos merecemos isso.
Creio que o sonho de todo cidadão, seja ele parente ou não de policial militar, é ter a certeza que o homem que o atende e o protege está bem estruturado, bem apoiado e bem treinado (pois não posso esquecer das reciclagens que devem ser feitas). Homens bem pagos e bem estruturados emocionalmente serão excelentes protetores de todos nós.
Peço desculpas pela minha intromissão numa área da qual tenho pouco (quase nenhum) conhecimento, mas convivo com a PMERJ faz bastante tempo e acho que acabei adquirindo um certo “conhecimento de causa” e um dos meus maiores “sonhos de consumo” hoje é ver a NOSSA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, como uma verdadeira casa, um verdadeiro lar!

Bom Dia e que Deus nos abençoe!

sábado, 11 de julho de 2009

Sofrimento que tento esquecer


Li no blog do novo Comandante Geral, em um comentário, que as DPJMs serão extintas em dois meses. Fiquei bastante surpresa e, não posso negar, muito feliz com a idéia, pois desde 08/04/2005 tenho uma certa mágoa em relação a estes órgãos da PMERJ. Vou narrar um resumo dos fatos e expor o que penso, como me senti na época e como me sinto hoje:

Em 07/04/2004, meu marido, que já vinha apresentando algumas crises do sistema nervoso, teve um problema e eu busquei ajuda na PMERJ. O tenente que veio a nossa residência, um rapaz novo de caserna e talvez um pouco inexperiente, não compreendeu que as nossas necessidades naquele momento eram de ajuda profissional e, agressivamente, talvez pelo estresse a que todos são expostos nas ruas, deu voz de prisão ao meu esposo que, ao tentar levantar-se da cama, foi espancado pelo mesmo e por um soldado que o acompanhava. Dali pra frente tudo virou uma loucura total, meu marido atônito, sem saber o que acontecia e eu desesperadamente arrependida por ter pedido ajuda, na minha cabeça só conseguia pensar que eu poderia ter chamado o SAMU ou os bombeiros, já que ele estava doente e desarmado. Acho que com esse resumo já deu para vocês entenderem mais ou menos o que aconteceu e agora eu vou entrar na minha nada agradável relação com as DPJMs. Meu marido foi encaminhado à 1ª DPJM, autuado por crimes militares e teve sua prisão em flagrante lavrada. Naquela época pouco, ou nada, entendia de polícia, a única coisa que eu tinha certeza era que meu marido havia dito que em caso de qualquer problema eu deveria procurar a Polícia, pois ela é uma família e todos se ajudam, então, no dia seguinte a sua prisão, fui na 1ª DPJM procurar saber porque meu marido estava preso se o que ele precisava era de auxílio médico, fui com a certeza de ser bem recebida, afinal era um órgão da PM, a casa do meu marido. Ao chegar lá, fui recebida no jardim (nem pela porta me deixaram passar) por um homem trajado civilmente que, ao receber minha solicitação de informações, ásperamente disse que nada podia fazer, no que foi sucedido por um outro rapaz que, apesar dos trajes civis, apresentou-se também como sargento e a ele contei, resumidamente, o ocorrido e pedi informações sobre a prisão do meu marido e sobre o que estava acontecendo, o rapaz me pediu que esperasse um pouco, ali mesmo do lado de fora, em pé e totalmente abalada psicologicamente fiquei aguardando e ouvi o rapaz se dirigir a alguém a quem chamou de “major”, então estiquei meu pescoço para ver se conseguia ver com que ele estava falando e só consegui vislumbrar parte de uma calça jeans e uma camisa escura e mais nada consegui ver, pois a minha visão foi turvada pelas lágrimas que começaram a cair imediatamente após ouvir a resposta do dito major, as palavras, ditas em um tom autoritário, grosso e sem nenhuma intenção de ser educado com um semelhante foram exatamente essas: “Manda ela ir lá no batalhão dele saber porque, aqui não é lugar disso, manda embora, manda embora!”
Eu, como civil, fiquei ainda mais confusa. Gente eu sou esposa de um policial, meu marido não era um traficante ou um bandido e, mesmo que fosse, eu merecia algum respeito, sou cidadã, pago os meus impostos e tenho direito, no mínimo a dignidade. Agradeci ao sargento e fui saindo com um animal escorraçado, um cachorro chutado e era assim mesmo que me sentia, mas como não podia deixar as coisas como estavam liguei para o batalhão do meu marido e tive a pior resposta do mundo, lá só sabiam que ele havia sido preso mas não tinham nenhuma informação dos motivos e o comandante dele falou que entraria em contato com a DPJM, pessoalmente, para saber e que me ligaria para informar e me tranqüilizar, pediu que eu fosse ao batalhão conversar com a psicóloga, pois percebeu que eu estava muito abalada e desestruturada e que, sem apoio, poderia desabar a qualquer minuto. Fiquei ali, em pé na rua, em frente a um orelhão pensando como é que a delegacia que prendeu meu marido não podia me informar da situação dele, como é que pessoas que servem na mesma força do meu esposo podem me tratar com tanto desprezo e crueldade e fui remetida a alguns livros que li sobre a segunda guerra onde alemães, às vezes vizinhos de longa data, tratavam outros alemães como lixo humano, como coisa sem valor, só por uma divergência de pensamentos ou por se julgarem muito superiores.
Os fatos que ocorreram, não os esqueci, mas relevei, ao tenente hoje sou grata, pois sem ele talvez nunca meu marido tivesse buscado o tratamento e nem se transformado no homem que é hoje, mas ainda não consegui tirar nenhum lado positivo do tratamento que me foi dispensado na DPJM, até hoje não compreendo, pois como civil se alguém é preso e está na delegacia não é lá que eu tenho que me informar? Então porque aquelas pessoas não podiam me informar nada nem ao menos explicar o que estava acontecendo? Sabem o que é mais triste? O que até hoje me trás lágrimas aos olhos e muita tristeza? É que nem ao menos os nomes deles eu sei e, no meu entender de leiga, eu posso ter sido enxotada feito um bicho sarnento por qualquer um, civil, militar ou até mesmo por alguém que no uso de suas atribuições de policial de órgão correcional prende um pai de família por falta de cobertura, ou por estar encostado em uma parede ou balcão em horário de serviço e nem ao menos seus nome eu soube, porque nem uniforme ou crachá de identificação eles usam.
É preciso que se expurgue da PMERJ todos os envolvidos em crimes, mas não me convenci, principalmente com o tratamento que recebi, de que dar plenos poderes a homens comuns sobre a vida de outros, seja o melhor caminho.