
Li no blog do novo Comandante Geral, em um comentário, que as DPJMs serão extintas em dois meses. Fiquei bastante surpresa e, não posso negar, muito feliz com a idéia, pois desde 08/04/2005 tenho uma certa mágoa em relação a estes órgãos da PMERJ. Vou narrar um resumo dos fatos e expor o que penso, como me senti na época e como me sinto hoje:
Em 07/04/2004, meu marido, que já vinha apresentando algumas crises do sistema nervoso, teve um problema e eu busquei ajuda na PMERJ. O tenente que veio a nossa residência, um rapaz novo de caserna e talvez um pouco inexperiente, não compreendeu que as nossas necessidades naquele momento eram de ajuda profissional e, agressivamente, talvez pelo estresse a que todos são expostos nas ruas, deu voz de prisão ao meu esposo que, ao tentar levantar-se da cama, foi espancado pelo mesmo e por um soldado que o acompanhava. Dali pra frente tudo virou uma loucura total, meu marido atônito, sem saber o que acontecia e eu desesperadamente arrependida por ter pedido ajuda, na minha cabeça só conseguia pensar que eu poderia ter chamado o SAMU ou os bombeiros, já que ele estava doente e desarmado. Acho que com esse resumo já deu para vocês entenderem mais ou menos o que aconteceu e agora eu vou entrar na minha nada agradável relação com as DPJMs. Meu marido foi encaminhado à 1ª DPJM, autuado por crimes militares e teve sua prisão em flagrante lavrada. Naquela época pouco, ou nada, entendia de polícia, a única coisa que eu tinha certeza era que meu marido havia dito que em caso de qualquer problema eu deveria procurar a Polícia, pois ela é uma família e todos se ajudam, então, no dia seguinte a sua prisão, fui na 1ª DPJM procurar saber porque meu marido estava preso se o que ele precisava era de auxílio médico, fui com a certeza de ser bem recebida, afinal era um órgão da PM, a casa do meu marido. Ao chegar lá, fui recebida no jardim (nem pela porta me deixaram passar) por um homem trajado civilmente que, ao receber minha solicitação de informações, ásperamente disse que nada podia fazer, no que foi sucedido por um outro rapaz que, apesar dos trajes civis, apresentou-se também como sargento e a ele contei, resumidamente, o ocorrido e pedi informações sobre a prisão do meu marido e sobre o que estava acontecendo, o rapaz me pediu que esperasse um pouco, ali mesmo do lado de fora, em pé e totalmente abalada psicologicamente fiquei aguardando e ouvi o rapaz se dirigir a alguém a quem chamou de “major”, então estiquei meu pescoço para ver se conseguia ver com que ele estava falando e só consegui vislumbrar parte de uma calça jeans e uma camisa escura e mais nada consegui ver, pois a minha visão foi turvada pelas lágrimas que começaram a cair imediatamente após ouvir a resposta do dito major, as palavras, ditas em um tom autoritário, grosso e sem nenhuma intenção de ser educado com um semelhante foram exatamente essas: “Manda ela ir lá no batalhão dele saber porque, aqui não é lugar disso, manda embora, manda embora!”
Eu, como civil, fiquei ainda mais confusa. Gente eu sou esposa de um policial, meu marido não era um traficante ou um bandido e, mesmo que fosse, eu merecia algum respeito, sou cidadã, pago os meus impostos e tenho direito, no mínimo a dignidade. Agradeci ao sargento e fui saindo com um animal escorraçado, um cachorro chutado e era assim mesmo que me sentia, mas como não podia deixar as coisas como estavam liguei para o batalhão do meu marido e tive a pior resposta do mundo, lá só sabiam que ele havia sido preso mas não tinham nenhuma informação dos motivos e o comandante dele falou que entraria em contato com a DPJM, pessoalmente, para saber e que me ligaria para informar e me tranqüilizar, pediu que eu fosse ao batalhão conversar com a psicóloga, pois percebeu que eu estava muito abalada e desestruturada e que, sem apoio, poderia desabar a qualquer minuto. Fiquei ali, em pé na rua, em frente a um orelhão pensando como é que a delegacia que prendeu meu marido não podia me informar da situação dele, como é que pessoas que servem na mesma força do meu esposo podem me tratar com tanto desprezo e crueldade e fui remetida a alguns livros que li sobre a segunda guerra onde alemães, às vezes vizinhos de longa data, tratavam outros alemães como lixo humano, como coisa sem valor, só por uma divergência de pensamentos ou por se julgarem muito superiores.
Os fatos que ocorreram, não os esqueci, mas relevei, ao tenente hoje sou grata, pois sem ele talvez nunca meu marido tivesse buscado o tratamento e nem se transformado no homem que é hoje, mas ainda não consegui tirar nenhum lado positivo do tratamento que me foi dispensado na DPJM, até hoje não compreendo, pois como civil se alguém é preso e está na delegacia não é lá que eu tenho que me informar? Então porque aquelas pessoas não podiam me informar nada nem ao menos explicar o que estava acontecendo? Sabem o que é mais triste? O que até hoje me trás lágrimas aos olhos e muita tristeza? É que nem ao menos os nomes deles eu sei e, no meu entender de leiga, eu posso ter sido enxotada feito um bicho sarnento por qualquer um, civil, militar ou até mesmo por alguém que no uso de suas atribuições de policial de órgão correcional prende um pai de família por falta de cobertura, ou por estar encostado em uma parede ou balcão em horário de serviço e nem ao menos seus nome eu soube, porque nem uniforme ou crachá de identificação eles usam.
É preciso que se expurgue da PMERJ todos os envolvidos em crimes, mas não me convenci, principalmente com o tratamento que recebi, de que dar plenos poderes a homens comuns sobre a vida de outros, seja o melhor caminho.