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Oi meus amigos! Sei que tenho sido um pouquinho egoísta e me preocupado só com os meus problemas, mas sei que vocês entendem que a tormenta pela qual estou passando não me deixa cabeça para pensar em outras coisas, mas também preciso deixar claro a todos que meus problemas não me mantém totalmente “fora” do que acontece na PMERJ. Assistimos o nascer de um novo ano e parece que na nossa casa tudo segue como antes: salários ínfimos, riscos exagerados e a cada dia, mais policiais morrendo. Embora um pouco atrasada vim falar da cena horrenda que assisti pela TV da execução sumária do Sargento do 1º BPM. A cena foi nauseante, revoltante e a minha vontade era de sair gritando para cada policial que visse pela minha frente para sair pelas ruas caçando esses trastes e executando cada um da mesmíssima forma, mas como boa cristã que sou, olhei para o alto e pedi a Deus que recebesse o sargento em seus braços e que desse alento e conforto aos corações daqueles que o amavam e que aqui ficaram (se bem que uma boa caçada talvez fizesse esses tralhas voltarem a respeitar nossos bravos. Que saudades dos anos oitenta). Nesse primeiro mês do ano o que vi foi muito cruel e dolorido, porém o meu pensamento egoísta e mesquinho foi ainda mais doído, preciso confessar a vocês que agradeci por meu marido não estar nas ruas e depois caí em prantos, pois fiquei sem saber se não seria melhor que ele estivesse nas ruas combatendo e jogando nessa loteria da vida, onde vida e morte valem 50% cada uma, do que nesse jogo de azar onde a vida nos enfiou e que o deixa com a desvantagem de ter menos de 50% de tirar a sorte grande. Chorei muito! Nossa! Como doeu ter um pensamento ridículo assim. É claro que a saúde dele é infinitamente melhor que qualquer outra coisa, mas no momento em que assisti aquela cena o pavor de ter que ver meu marido ser fuzilado em frente a uma câmera e ter que chorar sobre o seu corpo ensangüentado me fez até esquecer que ele está com câncer e que isso também pode matá-lo. Desculpem-me os pensamentos funestos e lúgubres, mas tenho andando muito depressiva e os pensamentos ruins tem me acompanhado por isso vim até aqui desabafar. Preciso voltar a ir a minha psicóloga, ela me ajuda bastante e me faz pensar de outra forma e ver o mundo com outras cores, bem diferentes desse negro que tenho enxergado. O mais engraçado é que as coisas estão realmente melhores, meu grandão está reagindo muito bem à quimioterapia, seus exames estão ótimos, o cabelo dele não está caindo (grande preocupação do meu grandão) e ele mantém um quadro estável, parece que essa calmaria está me fazendo relaxar e quase sucumbir, às vezes tenho vontade que o dia não amanheça para que eu continue na cama, pelo menos os sonhos são bem melhore que a vida real, mas ninguém pode dormir o tempo todo não é? Então vou seguindo com a maré e pedindo a cada um de vocês que, além de orarem pela melhora do meu grandão, orem por mim e peçam que Deus me dê muita força, pois às vezes acho que vou falhar e eu não posso falhar com os meus três homens, meus grandes amores e as razões da minha vida.
Obrigada por, mais uma vez, me aturarem!
Um beijinho em cada um que teve a paciência de chegar até aqui, mesmo com tanto pessimismo!
Tudo na vida tem regras, para tudo existe uma burocracia, um entrave burocrático. No caso das instituições públicas eu costumo chamar esses entraves de “burrocracia”. É um tal de requerimento pra cá, memorando pra lá, que um assunto que poderia ser facilmente resolvido em dez minutos acaba levando quatro horas. Como qualquer unidade governamental a PMERJ não poderia ser diferente, é requerimento, papeleta, LTS, IFP, etc, etc, etc, que chega me deixar tonta. Como todos sabem meu marido está em tratamento para câncer e fazendo a quimioterapia, o que significa baixa imunidade e uma grande facilidade para que doenças banais como uma simples gripe possam levá-lo ao hospital novamente. Onde quero chegar com isso? Bem, eu fico imaginando e avaliando a “burrocracia” da tal da papeleta médica: Qual a funcionalidade daquele bendito papelzinho verde que o PM tem que pegar no BPM toda vez que necessita ir ao médico? A única função que consegui encontrar para ele é o de dar trabalho e dificultar a ida do policial ao HPM, vendo tanta dificuldade o policial acaba desistindo de se tratar e o malandro, que só quer um atestado, desiste de tentar dar o gabiru. Mas se formos ver bem direitinho é uma das “burrocracias” mais cruéis que existe, já que acaba por afastar um doente do tratamento e leva alguém que realmente esteja passando mal a cumprir uma verdadeira maratona na busca pelo tratamento. Vamos supor que o policial seja lotado em Bangu e more em Ramos: Deu pra perceber a maratona que ele terá que cumprir? Vai sair de Ramos e irá até Bangu pegar a papeleta, de lá volta todo o caminho (passando por onde mora) e vai para o HCPM e é atendido, o médico, então, o põe de LTS, ele desce a rampa vai pra junta, pega aquele monte de papéis (no meio deles a bendita papeleta) com a licença homologada e volta para Bangu (não esquecendo que, mais uma vez, para chegar ao 14º BPM o cara passou pela sua casa, o local onde ele mais quer estar, já que está doente e precisa de repouso) e só depois dessa via crucis é que ele pode ir para casa. O que não entendo é porque não se abole esse bendito papelzinho verde e passam a aceitar um atestado em receituário do próprio HPM, seja indicando as horas, ou seja dando as pequenas dispensas, quanto as LTSs e IFPs, tenho que concordar que a ida a junta para passar por uma perícia seja necessária, afinal, em qualquer lugar quem realmente decide a necessidade real de afastamento é a perícia, mas em relação ao bendito papelzinho verde, estou começando agora uma campanha: “ABAIXO A PAPELETA! CHEGA DE BURROCRACIA! VIVA A LIBERDADE DE ATENDIMENTO MÉDICO!”
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Bem gente, deixo aqui o meu recado, agora já vou indo, pois o meu grandão me chama e eu preciso curtir meu amorzão em casa ao máximo, beijos e FELIZ NATAL!
Li hoje nos meus recadinhos um pedido da amiga Sgt. Ana Barbosa a respeito das necessidades especiais de alguns policiais e seus familiares e vou tentar ajudar no que for possível. O primeiro passo é o de esclarecer que, apesar de não existir uma política governamental voltada para o policial em situação especial e suas famílias, existe um sistema de auxílio dado pela DAS (Diretoria de Assistência Social) para esses policiais, não só para eles como para qualquer dependente que se encontre em situação de necessidade de medicamentos, materiais para curativos, cadeiras de roda, cadeiras higiências, camas especiais, etc. Como todos sabemos tudo que vem do governo é demorado pois depende de verba pública e essas verbas, muito pequenas, acabam rápido, mas uma vez protocolado o pedido e realizados os tramites burocráticos a DAS fornece os materiais. Como vocês devem proceder? Em primeiro lugar o médico que acompanha o paciente deverá fazer os pedidos em receituário padrão da PMERJ, cada ítem deve ser pedido em um receituário diferente, não adianta pedir no mesmo tudo o que se precisa, salvo as medicações que, se forem de uso contínuo, podem ser pedidas todas em uma única folha. Com esses pedidos em mãos vocês devem se encaminhar à DAS, que agora está funcionando no 4º BPM-São Cristóvão, e protocolar o pedido. Em caso de dúvidas liguem para a DAS e procurem se informar. Esse esclarecimento eu recebi da Assistente Social enquanto meu marido esteve internado e pude constatar a veracidade da assistência pois conheci pacientes que saíram de lá com cadeiras de roda, camas, fraldas e outros ítens necessários. Espero ter podido ajudar um pouco com essas informações.
Bom dia!
Em primeiro lugar gostaria de dar notícia do meu grandão. Depois de longos 72 dias de internação, muitos exames e sustos, finalmente voltamos para casa, e com ele bem melhor. E estamos de volta com o diagnóstico fechado e tratamento iniciado. Meu marido está com um linfoma no mediastino, para os amigos que não sabem do que se trata darei uma breve explicação. O linfoma é um tipo de câncer que acomete o sistema linfático (sistema de defesa do organismo) e mediastino é aquele espacinho vago que temos no tórax mais ou menos entre o coração e os pulmões. Temos consciência de ser uma doença grave, mas ele já fez a radioterapia, tendo uma grande melhora nos sintomas, inclusive recuperando um pouquinho do peso perdido. E a quimioterapia vai começar na próxima semana.
Na verdade eu vim aqui para falar do hospital. Muitas vezes falamos do que não conhecemos, sem conhecimento de causa e sem enxergar o problema por dentro e eu tive a oportunidade de avaliar o HCPM lá dentro, de ver pelos olhos do paciente sendo uma crítica da área de saúde. Foi-me um pouco difícil, no início, entender o que se passava, afinal era o meu marido que estava ali e, por isso, meus olhos estavam turvos pelo sentimento, depois comecei a tentar ver as coisas pelo lado dos profissionais que ali trabalham e me coloquei no lugar deles. Enquanto pacientes internos, muitas vezes sentindo dor e muito mal estar não é fácil perdoar, desculpar ou mesmo ver justificadas as faltas daqueles que nos cuidam, mas basta se pôr no lugar do outro para que possamos entender. Como em todo lugar, lá também existem maus profissionais, existem aqueles que ignoram a dor, debocham da tristeza e se tornam insensíveis aos problemas dos outros, mas esses só são dignos de pena, pois ninguém está livre de adoecer e a vida é a melhor escola e quem não aprende pelo amor, aprende pela dor. Agora, lá existem excelentes profissionais, médicos e corpo de enfermagem que lutam dia-a-dia contra a falta de pessoal, a deficiência da máquina burocrática, os baixos salários e, tudo isso, sem contar com o mau humor de uns e outros (Caramba! Tem acompanhante que parece que só vai para o hospital pra comer e encher o saco da equipe). O que vi realmente no HCPM foi muita vontade de fazer o melhor, mas muitas vezes pontuada pelo desânimo. Alguém já parou pra pensar em como é difícil para uma equipe de enfermagem com seis pessoas cuidar de mais de trinta pacientes, a grande maioria deles acamados, necessitando de cuidados integrais no leito? Nas entrelinhas não podemos esquecer das medicações que cada um faz, em média, três tipos diferentes, os testes e exames que tem que ser feitos durante o dia, as anotações de enfermagem, etc, etc, etc... O número de profissionais é pequeno para o volume de serviço e são seis profissionais em média por que ainda contam com os cooperativados que estão para ir embora, aí é que vai dar “xabú”! Muitos dos militares que estão lá são combatentes que fizeram o curso técnico de enfermagem e foram deslocados para trabalhar no HPM, se não fosse isso estaria pior. O que me espanta ainda mais é saber que pensaram em levar os aptos, lotados na saúde, mas que são combatentes, de volta para a rua aliás, não sei se o pior é isso ou saber que todo ano são admitidos mais de quatro mil policiais e se fizermos uma continha, levando em consideração que cada PM leva para a corporação, além dele, no mínimo, mais dois dependentes, teremos um crescimento de demanda de pelo menos mais doze mil pessoas tendo a necessidade de ser atendidas na unidade, creio que haveria a então a real necessidade de se abrirem, pelo menos, mais uns 270 leitos, com isso uma necessidade urgente de muitos profissionais a mais (esse número eu nem ousei calcular, vou deixar para quem tenha a real noção), só vou contar para vocês que não é feito concurso para a saúde da PMERJ há onze anos. Construir outro hospital seria a solução? Acho que passa por aí, mas construir um prédio não significa bom atendimento, pois uma boa assistência passa pela valorização do profissional e pelo quantitativo para que a equipe possa ter flexibilidade, mobilidade, tempo hábil e “descanso” para realizar as suas tarefas a contento.
Em matéria de conforto, até que não podemos nos queixar. Todas as enfermarias têm ar condicionado e ventiladores e, apesar de vermos dificuldades, as roupas são trocadas todos os dias (quase – tem dias que falta fronha ou pijamas).
Uma crítica mais contundente precisa ser feita: Sei que o HPM é uma unidade militar, mas a comida servida ao paciente, além de pouca, tem dias que é de péssima qualidade, claro que pacientes mais debilitados e com necessidades especiais de alimentação recebem um complemento alimentar, mas isso é feito pela nutrição ou pelos médicos assistentes. O que o Ministério da Saúde preconiza é que um profissional de nutrição estabeleça e faça cumprir um cardápio balanceado com seis refeições diárias e o problema já começa por aí: São cinco! A colação (pequeno lanche servido entre o café da manhã e o almoço), lá não existe. O café da manhã do doente que tem dieta livre deve compreender uma determinada quantidade de proteínas, carboidratos e outros nutrientes que, com certeza, não estão contidos no magro “café com leite e pão com manteiga (raramente vista dentro dos pães)”, quase todos os dias a dieta compreende frango. Entendo (porém não aceito) que a alimentação nos ranchos de alguns quartéis seja ruim, mas no hospital? Usar pouco sal e não usar certos condimentos é uma coisa, mas servir carne dura, fígado verde e frango mal cozido a pessoas que estão tentando se restabelecer chega a ser cruel, ainda mais se levarmos em consideração que não se pode levar nem uma fruta de casa.
É acho que chega de reclamar, me alonguei muito, mas os problemas são tantos que, nem assim, consegui falar de todos eles. Apesar de tudo gostaria de deixar aqui alguns agradecimentos especiais, espero que quem eu não citar não se aborreça, vou tentar lembrar de todos, mas com tantos problemas minha memória anda meio falha.
Aí vão os nomes de pessoas muito especiais e que foram muito importantes para mim nesse longo período de internação:
CEL. James Strougo (DGS), CEL. Borges (diretor médico do HCPM), Dra. Maura, Cap. Ana Lúcia, Cap. Adriana, CB. Carmo (Anatomia Patológica), Márcia e Rose (copeiras), D. Marina, Joyce, Paula e Jô (limpeza) e agora aos meus fofos e fofas da equipe de enfermagem da clínica médica: Eunice, Simas, Coutinho, Tânia, Lu, Guinâncio, De Souza, Amorim, Bruno, Fabiana, Antônia, Beth, etc... Desculpem os que não citei, não foi por mal, só não consigo lembrar os nomes, mas todos os rostos estão gravados na minha memória e coração. Obrigada por tudo!
Bom Dia!
Amigos, mais uma vez venho aqui no meu espacinho não para falar da PMERJ em si, mas para abordar um assunto até relacionado com ela, porém indiretamente.
Como vocês sabem “meu Grandão” está internado no HCPM e, devido a uma anemia séria causada pelo seu quadro de saúde, ele está “tomando” sangue. Já fez uma transfusão ontem, fará outra hoje e segunda-feira irá para o centro-cirúrgico colher material para uma biópsia. Graças a Deus ele não necessitou de doadores, já que tinham bolsas suficientes armazenadas no banco de sangue do hospital com o seu tipo sanguíneo, mas essa não é a realidade para todos os pacientes internados ou que chegam à emergência da Unidade. Pois é meus amigos, falta sangue! Eu e meu marido sempre fomos doadores, nunca pensamos que um dia um de nós fosse necessitar, mas as fatalidades acontecem e um dia poderá ser qualquer um de nós no lugar daqueles que hoje precisam e têm que esperar que esse líquido vital ao nosso funcionamento chegue de “algum lugar” para que possamos ser salvos, então vim até aqui iniciar uma campanha de doação de sangue para o HCPM. Vamos, em massa, invadir o nosso hospital numa bela campanha de doação; doar sangue não dói e pessoas saudáveis podem voltar a doar em apenas três meses. Aguardo todos vocês lá a partir de segunda-feira.
E, mais uma vez, venho a público agradecer o empenho do Cel. James Strougo (DGS), do Cel. Med. Borges (diretor do HCPM), Cel. Med. Sardinha (diretor interino HCPM), equipe de enfermagem que ainda não sei o nome de todos e, em especial, a Drª Maura, pelo empenho e dedicação dessa equipe maravilhosa que, mesmo diante de tantas dificuldades enfrentadas pela nossa unidade de saúde, se desdobram para que tenhamos um cuidado digno. Muito obrigada a todos.
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Vamos à doação!!!!!!!!!!!!!!!!!
Oi amigos, bom dia!
Hoje vim aqui para dar notícias do meu grandão. Ele está internado desde segunda-feira no HCPM para, finalmente, tratarmos seu problema. Na segunda ele passou mal no serviço e eu o levei para o hospital e o médico plantonista achou por bem interná-lo. Ele ficou no soro até quinta-feira, mas já está se alimentando melhor e bebendo bastante água. A Drª Maura, residente que pegou o caso dele, é muito atenciosa, consciente e interessada e está fazendo todos os exames necessários para descobrirmos, com exatidão, o que meu amor tem para podermos dar início ao melhor tratamento. Gostaria de agradecer a ela pelo empenho e dedicação, mas não poderia esquecer aqui de agradecer aos colegas do meu marido do 17º BPM (Sérgio, Meireles, Isidoro, Fialho, Tenente Henrique e tantos outros que ainda não conheço e por isso não sei o nome) e ao comando da unidade pelo interesse e pela atenção que me tem sido dispensada neste período tão difícil. O comando do Cel. Cid, na pessoa do tenente Henrique, me recebeu muito bem no BPM e se pôs à disposição para tudo o que eu precisasse e por isso só tenho o que agradecer, quem me conhece sabe que se tenho que falar bem eu falo, mas na hora de meter o malho, também meto! Não posso esquecer de agradecer também ao Cel. James Strougo que se pôs a nossa disposição para quaisquer eventualidades, espero não precisar incomodá-lo.
Muito obrigada a todos que, seja por orações ou por presença, estão ao nosso lado nesse momento, beijo carinhosamente o rosto de cada um, obrigada!
Resolvi aproveitar a repercussão da postagem sobre meu grandão para falar um pouco sobre o atendimento dispensado aos PPMM nos HPMs. Antes de começar a comentar a respeito de vários fatos que ocorrem durante os atendimentos, não só nos hospitais como também nas policlínicas, quero deixar claro que como profissional de saúde conheço as diversas dificuldades enfrentadas por nós durante o trabalho, compreendo também que deve ser extremamente difícil para um médico manter-se trabalhando como oficial PM, cumprindo escala, enquanto em um consultório ou clínica ela irá ganhar bem mais; consigo também, por estar dentro do sistema de saúde pública, entender as dificuldades enfrentadas com falta de pessoal afinal, além dos que se desligam permanentemente do serviço, existem aqueles que pedem as licenças sem vencimentos, as licenças médicas, as licenças especiais e outros tipos de afastamento que são facultados aos funcionários públicos, sejam eles militares ou não. O que vim aqui falar é mais um discurso profissional, é uma divagação a respeito de algo que aprendi durante a minha experiência de trabalho e sobre um treinamento que recebi chamado “Humanização no tratamento hospitalar”. Aprendi que o profissional de saúde deve dirigir-se ao paciente não como doente do leito x ou pelo nome da moléstia que carrega, mas como Sr. Fulano de Tal, para que no decorrer do tratamento ele não perca sua identidade primária de ser humano, aprendi que o carinho e a dedicação do profissional são preponderantes na recuperação do doente, fui treinada para cuidar do meu cliente como se fosse alguém próximo meu e não como se fosse “coisa” sem utilidade e valor.
As queixas que tenho ouvido a respeito dos atendimentos nas unidades de saúde da PMERJ são, na sua grande maioria, a respeito da desconfiança que os médicos deixam transparecer com relação às queixas dos pacientes, esse foi o meu problema como é de muitos. Falei com várias pessoas e li comentários, não só no meu blog, sobre casos nos quais os médicos tratam as queixas como fantasias ou mentiras e que nem de posse dos exames se convencem que as queixas são reais. O médico, mesmo numa unidade militar, não pode esquecer que antes de ser um superior hierárquico é um profissional que fez um juramento de salvar vidas, independente de que vida seja e que o paciente que ele está atendendo não merece ser tratado como um mentiroso em potencial nem como um caçador de licenças médicas. Existem casos que podem agravar muito se tratados com indiferença e se não forem cuidados com rapidez e eficiência. Agora vou falar diretamente com minhas colegas da enfermagem, não só as técnicas, mas também as enfermeiras: Sejam vocês cabos, sargentos, tenentes, ou seja lá qual cargo ou patente, não podem esquecer que nós também fizemos um juramento e que educação vem de berço, também trabalho com o público e sei que muitas vezes o acompanhante do paciente torna-se inconveniente ou agressivo e cabe a nós contornarmos a situação; é difícil? Claro que é! Como explicar a alguém que está vendo uma criatura querida sofrer que o médico está demorando porque foi tomar um café e você não está podendo sair dali naquele momento para chamá-lo? Ou que o “doutor” está em outro atendimento? Caramba, a nossa função é administrar os cuidados prescritos ao enfermo e não de servir de babá do médico ou fazer as vezes de recepcionista, mas temos que lembrar que somos o elo intermediário entre essas duas funções além de sermos as pessoas mais próximas do cliente e de seu acompanhante e, por isso, somos os profissionais que mais sofrem com os desabafos, afinal a visão do médico promove o alívio e a certeza que o sofrimento vai acabar, ele se torna o porto seguro, mesmo que nós sejamos o instrumento final para a promoção desse alívio, então, caras colegas de trabalho, vamos ter um pouco mais de paciência e carinho com as pessoas que, num momento extremo, estão dependendo de nós, vamos lembrar do nosso juramento. Tenho certeza que ao responder com educação e carinho a uma atitude mais agressiva a resposta será mais branda, ninguém bate em que lhe afaga.
Esse desabafo foi a forma que encontrei para tentar mostrar ao Cel James, que tem visitado o blog e que foi muito solicito comigo, que o problema não é só de falta de pessoal, mas também de posicionamento profissional. Percebi ao conversar com o diretor da DGS que ele é um profissional consciencioso e, como tal, põe a saúde do cliente em primeiro lugar e não a sua posição na hierárquica e esse posicionamento deve ser transmitido a todos os profissionais de saúde da PMERJ. Faz-se urgente um bom treinamento em tratamento humanizado para todos os profissionais de saúde da corporação, é claro que salários dignos ajudam muito para modificar a postura do profissional, pois quando a pessoa é bem paga ela trabalha muito mais satisfeita e isso se reflete diretamente na sua produtividade, porém salário é uma questão governamental que, me parece, não tem a mínima importância para o Governador Sérgio Cabral, mas existem “n” outros estímulos para alavancar o bom atendimento, entre eles melhores escalas de serviço, folgas extras, etc.
Conto com a consciência e a inteligência do diretor da DGS e do Comandante Geral para que haja melhora visível no atendimento das Unidades de Saúde da PM, nós não temos condições de pagar um plano de saúde e saber que estamos dependendo de um atendimento precário em matéria de tratamento humano nos faz sofrer por antecipação.
Aproveito também para dar uma sugestão: A volta das UBS nos batalhões é ótima idéia, desde que os profissionais tenham material para trabalhar, não adianta ter dentista em uma UBS e não ter material para fazer um procedimento básico de obturação. As UBS deveriam ter clínico, dentista, ginecologista, pediatra, profissionais de enfermagem além de coleta de exames básicos como sangue, fezes e urina. Sei que é “sugerir” demais, ouvi do próprio cel. James que a polícia sofre com uma falta “crônica” de profissionais de saúde, afinal a verba e a melhoria salarial dependem do governo e, mesmo com tantos policiais descontando fundo de saúde, a desculpa da falta de verba está sempre na ponta da língua do nosso governador.
Meus amigos,
Sei que ando muito longe do blog, mas os problemas que estou vivenciando não me deixam ter cabeça para outra coisa que não seja a saúde do meu marido. O meu grandão, como eu o chamo, está travando uma batalha bem difícil e só vim fazer essa postagem pois sei que a força de vocês e as suas orações serão preciosas nesse momento. O que vou narrar a seguir aconteceu comigo e, muito provavelmente, vem acontecendo com outras pessoas que necessitam de atendimento no HCPM. Desde o ano passado meu marido vem apresentando alguns problemas de saúde que se agravaram no início do ano com uma perda crescente de peso, depois que muito insisti ele resolveu procurar um médico que, sem pedir nenhum exame, disse que estava tudo bem, eu não me convenci e pedi que ele procurasse outro médico (também na PM) que pediu alguns exames. Com o resultado em mãos ele voltou ao médico que disse que ele nada tinha e que o cansaço que vinha sentindo seria resolvido com algumas vitaminas, não sou leiga nesse assunto e vi que tinha algo errado nos exames. Desde fevereiro tenho visto meu marido perder peso e se tornar cada vez mais apático, ele perdeu uns 10 quilos de lá para cá, e eu passei todo esse tempo me perguntando como dois médicos não conseguiam enxergar o que eu via tão claramente, então dei um ultimato a meu marido: Iríamos procurar um médico particular. Sou funcionária municipal e tenho um plano de saúde ambulatorial bem básico, desses que nem cobrem todos os exames, mas dá para quebrar um galho e, antes de marcar um clínico, peguei seus exames de fevereiro e levei para uma médica conhecida minha ver e ela disse que, mesmo sendo pediatra dava pra ver que tinha algo muito errado nos exames dele e seria bom buscar um clínico para uma primeira avaliação, nada disse sobre os dois médicos já consultados. Levei-o em uma clínica próxima a nossa casa e o médico ao avaliar os exames mais antigos nos disse que era necessário fazer novos exames de sangue além de outros tipos de exames que poderiam confirmar a suspeita dele, fez vários pedidos e nos disse para fazermos o mais rápido possível. Um desses exames não era coberto pelo plano e muito caro para nossos ganhos, mas graças a Deus, tenho alguns conhecimentos e consegui fazer o exame dele que veio a confirmar uma séria doença de intestino, um processo inflamatório grave, inclusive com suspeita de câncer. Como um médico, um não, dois médicos do hospital da corporação não percebem sintomas graves em um paciente? Seria descaso ou necessidade urgente de manter todos os homens na rua? Meu marido, apesar de tudo, continua trabalhando, já que ainda não foi ao HCPM, estamos esperando que o resultado da biópsia fique pronto para tomar uma decisão, sabemos que as chances de ele passar por uma cirurgia é muito grande e eu morro de medo de ele ser operado por mais um “médico” como os outros dois que o atenderam, mas como PM ele precisa passar por lá para que suas dispensas e atestados tenham validade. Por isso vim aqui pedir ao Comandante Geral que olhe pelo HCPM, parece que os profissionais de lá não estão ligando muito para o real estado de saúde dos policiais, como aconteceu com o meu marido, deve ter acontecido com muitos outros e é assustador pensar que perdemos quase seis meses sem que ele se tratasse, seis meses preciosos, pois agora ele já está apresentando febre diária e sangramento, o que poderia ter sido evitado se o primeiro profissional consultado tivesse tratado meu marido como um ser humano em busca de ajuda e não como um cão sarnento esperando o sacrifício. Por favor, alguém salve o HCPM, eu tive recursos e conhecimento para socorrer meu marido fora de lá, mas e quem não tem? Vai morrer à míngua?