terça-feira, 29 de julho de 2008

Qual policial sai de casa com intenção de matar uma criança de três anos?




MP oferece denúncia contra PMs que mataram menino na Tijuca
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Para promotor, policiais cometeram homicídio doloso
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Os dois PMs que mataram o menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, na Tijuca, no início do mês, foram denunciados ontem pelo Ministério Público. O cabo William de Paula e o soldado Elias Gonçalves da Costa Neto, que já estão presos temporariamente, tiveram a prisão solicitada ao 2º Tribunal do Júri. Eles são acusados de homicídio doloso duplamente qualificado e tentativa de homicídio contra a mãe e o irmão de João Roberto, que também estavam no carro da família, atingido por 17 tiros.

Na denúncia do MP, o promotor Paulo Rangel diz que as mortes de Alessandra Amorim e do filho Vinícius só não aconteceram apenas por "erro de pontaria".

"A execução de dois crimes de homicídios(>>>) não se consumou por circunstâncias alheias à vontade dos acusados, quais sejam: erro de pontaria, pois a vítima Alessandra se protegeu e protegeu Vinícius se abaixando dentro do carro", afirma Rangel na denúncia.

Os crimes são classificados como "covardes e cruéis". A mãe de João Roberto só conseguiu jogar uma bolsa de criança para fora do carro para indicar que havia inocentes dentro do veículo. As imagens gravadas por uma câmera na Rua General Espírito Santo Cardoso forma fundamentais para o esclarecimento do crime.
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Que o erro aconteceu é incontestável, que os policiais agiram no calor do momento e que essa ação resultou na morte de um inocente também é incontestável, mas daí o excelentíssimo sr. promotor Paulo Rangel afirmar que houve dolo... Será que o sr promotor também não está agindo no calor do momento, se deixando levar pela emoção? Quantos dos nossos policiais saem de casa com a intenção de matar uma inocente criança de três anos? É claro que o clamor público conta muito numa hora como essa, mas um promotor deveria ter isenção e falta de preocupação com a opinião do povo. Me solidarizo com a família do pequeno João Roberto e me penalizo com a situação da família dos policiais, que estavam nas ruas TRABALHANDO, numa situação precária, sem treinamento adequado (aquele treinamento que apareceu na TV é só pra inglês ver), com medo e impulsionados pelo governo à apreender fuzis para melhorar o salário (cada fuzil apreendido vale R$2000,00, se você ganha esse salário de fome não iria querer os fuzis?). A troca de tiros não aconteceu ali na frente das câmeras. Mas e antes? Não houve nada? Eu realmente terei que acreditar que esses policiais, pais de família, tiveram intenção de matar essa criança de 3 aninhos e que realmente tentaram matar a mãe dele e seu irmãozinho de meses? Quando um médico erra, todo mundo abafa, faz de conta que nada aconteceu, afinal se o paciente morreu foi uma fatalidade! O erro desses policiais foi uma fatalidade, tenho certeza que os dois estão realmente arrasados com tudo o que aconteceu, foi uma fatalidade que só ocorre com quem TRABALHA, se eles tivessem atirado e matado os marginais que vem trazendo terror às ruas da Tijuca, hoje, seriam heróis e não vilões. Que me desculpem aqueles que acham que policiais são monstros sem coração ou robôs sem sentimentos mas eles são homens e mulheres que sentem, choram, tem medos, culpas e que erram, não deveriam, mas erram como qualquer ser humano normal. Não julgarei nem atirarei pedras nesses homens que já foram condenados pela nossa sociedade sempre tão correta, honesta, digna e que nunca errou, só estou aqui para dizer a todos os outros que estão nas ruas trabalhando que começo, realmente, a acreditar na frase que estamos lendo na net com frequência cada vez maior: "QUEM NÃO TRABALHA NÃO ERRA E QUEM NÃO ERRA NÃO É PUNIDO"

Um comentário:

DOM KARLOSOL disse...

São acontecimentos desse tipo que expõe as entranhas nojenta da mídia do nosso país e outras instituições, que movida por tendências diversas, tentam a todo custo disvirtuar o verdadeiro sentido do fato tentando fazer parecer que o erro dos policiais foi uma atitude intencional para matar a criança. Isso são os reflexo de algumas instituições que tem a frente pessoas que assim como o policiais que consideram despreparados, também o são, por não tratarem um acontecimento dessa invergadura com a insenção devida da razão plena.