sábado, 11 de junho de 2011

Estudar?! Para quê?!


Bom, primeiro quero me desculpar com os meus amigos fiéis que nunca deixam de acessar o blog, mesmo ele estando tão paradinho; em segundo lugar gostaria de parabenizar os bravos guerreiros do fogo que vem se mostrando incansáveis na luta por melhorias na corporação. São verdadeiros heróis, não só pela luta diária no socorro aos cidadãos, mas também pela sua coragem e valor ao enfrentar o governo pseudo democrático que finge que paga um salário digno enquanto os funcionários públicos estaduais morrem à míngua, se afundando em empréstimos e se matando em duplas e triplas jornadas só para por na mesa o feijão e arroz sagrado de cada dia. Serei sincera ao afirmar que senti uma pontinha de inveja ao assistir um movimento tão coeso e firme e saber que não partiu da família policial militar, pior ainda foi ver que o CG (a quem tanto elogiei) tomou uma postura ditatorial ao fazer uma imensa força para manter os PMS fora do movimento. Ora, ele não é policial militar? Não faz parte da família policial militar? Mas ainda me encho de esperança de que nós nos juntemos a eles nessa luta tão justa que também é nossa, com ou sem o Comandante Geral, que parece que esquece (talvez pela proximidade com o governador) que usa o mesmo uniforme dos bravos que dão duro para manter a paz no estado. Como todos sabem o meu marido, apesar de bem melhor, está com câncer, e tenho que dispor de muito tempo para cuidar dele, mesmo assim vou chamar minha sogra para dar uma olhadinha no Grandão enquanto eu, meu irmão, meus filhos, sobrinhos e quem mais eu puder levar vamos a passeata dos que meu marido costuma chamar de primos pela farda, e aconselho a todas as esposas de PM que convoquem o máximo de pessoas que puderem para se juntarem a nós, porque nossos maridos estarão de prontidão, mas nós não.
Agora vou entrar no assunto que realmente me trouxe aqui, um assunto muito sério e que me fez pensar muito, e que tem tudo a ver com o título dessa postagem. Soube essa semana, por intermédio de um amigo de meu esposo, que vários 3º sargentos concursados ainda aguardam suas promoções a 2º sargento. Poxa, se o interstício é de seis anos dependendo de vagas e se o 3º sargento é promovido a 2º com cinco anos (independente do nº de vagas), porque não se promove os que se dedicaram, estudaram e se aprimoraram? Não foi isso que o Coronel Mário Sérgio pregou assim que assumiu o cargo? Que a prioridade dele seria estimular o aprimoramento profissional? Ao ser indagado do porque das promoções não estarem acontecendo a resposta do comando foi que “não é interessante para a corporação”. Já fui informada que as vagas existem e são mais de duas mil e de que no corpo de bombeiros as promoções ocorrem, então, qual o problema da PMERJ? Caro Coronel Mário Sérgio, desculpe-me a ousadia, mas é assim que se irá estimular os policiais a estudar? Porque se for, sinto muito, mas não vai dar certo. Afinal quando o policial estuda e se torna esclarecido fica mais difícil de enganá-lo e, com isso, muitos estudarão para seu crescimento pessoal e para abandonar esse navio que está naufragando, o mais rápido possível e quando a corporação precisar, não será de interesse do policial. Pense bem senhor CG, todos acharam maravilhoso o seu discurso de estímulo ao policial que quer crescer, mas se a PMERJ não fizer por onde, voltaremos a ter nas ruas aqueles policiais de dez anos atrás que o senhor tanto quis modificar. Para o meu marido, tudo está sempre bom, mas vi a decepção nos olhos dele quando ainda antes de estar doente vislumbrou a possibilidade de ingressar na academia e se tornar oficial, batalhou nos estudos, pagou cursinho, perdi momentos da companhia dele, mas entendi já que ele falava que além de um ideal era para o nosso bem, foi quando ele foi atingido pela bomba do retorno do limite de idade, hoje escuto meu Grandão falar que assim que puder voltará a estudar sim, mas para ser delegado.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Um comando diferente... Para melhor!



Na quarta-feira, dia 02/02, tive o imenso prazer de conhecer pessoalmente o Comandante Mário Sérgio, apesar de ter sido um encontro breve e em meio a uma solenidade ele conseguiu ser o mais atencioso possível (afinal ele estava cercado por pessoas que o queriam cumprimentar e era praticamente impossível concentrar-se em alguém). Eu e meu marido estivemos na inauguração da companhia destacada do 16º BPM aqui onde moro e aproveitamos para conhecer o comandante que vem realizando tantas modificações na PMERJ (mesmo que para alguns essas mudanças não sejam nada, creio que para muitos são bastante importantes). Algumas dessas mudanças foram assistidas por nós durante a solenidade. Durante o discurso do 01 todas as referências à corporação eram iniciadas com ele citando os praças como peças principais de tudo o que acontece e em momento nenhum o ouvi referir-se apenas a seu estado maior ou seus oficiais como peças chave, pode não parecer grande coisa, mas isso dá moral a tropa e faz com que o policial se sinta como deve sentir-se: Alguém realmente especial e importante! Um outro fato observado por nós foi que a tropa estava (como em toda solenidade) formada sob o sol escaldante de 38º que fazia naquele dia, então eu perguntei ao meu esposo se eles podiam beber água (já estava me preparando para ir em casa buscar água e copos), e meu marido me respondeu que em forma não se bebe água, que inclusive eu reparasse no palanque que nenhum oficial estava bebendo água. Eu achei aquilo criminoso! Como é que se pode expor seres humanos ao risco de uma desidratação assim? Se fosse realmente necessário, tudo bem, mas era apenas uma solenidade assistidas por civis, foi aí que meu marido quase deu um treco e disse: “- Amor! Em quinze anos de PM é a primeira vez que eu vejo isso!”, então eu olhei e vi um aspirante e dois ou três praças distribuindo água àqueles que estavam em forma no sol. Para muitos que estão lendo isso pode parecer besteira, mas é um tratamento humano que em outras épocas não era dispensado aos praças da PMERJ e que hoje, sob o comando do Cel. Mário Sérgio, já conseguimos ver. Fiquei feliz em poder falar com o coronel e que ele e o Major Oderley tenham nos ouvido e prestado atenção em nossas palavras, só fiquei triste com uma coisinha... Esqueci de levar a minha máquina para registrar o momento e agora não posso postar uma foto dele comigo aqui para vocês verem. Mas tudo bem! Fica pra uma próxima vez!

Obrigada Cel. Mário Sérgio, por ser o primeiro em, pelo menos, quinze anos, tentar fazer da família PMERJ uma família de verdade! Essa esposa de praça agradece!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Uma Luz no Fim do Túnel

Meus amigos, o tumor do mediastino do meu esposo já não existe mais e também não há nenhum linfonodo na região do tórax, estaremos fazendo novos exames em janeiro para ver como estão as outras áreas (abdome e crânio), mas creio que estará tudo muito bem. Gostaria muito que chegasse ao conhecimento do Coronel Borges (diretor médico do HCPM) e do DGS o excelente trabalho que vem sendo realizado pelo setor de hematologia do HCPM e que, mesmo frente a tantas dificuldades, a equipe do setor faz das tripas coração para que nada falte aos pacientes. Como todos aqui já sabem nossa luta já dura cerca de um ano e meio e mesmo com o esquema ABVD (quimioterapia) que meu grandão estava fazendo os resultados vinham sendo muito lentos e pouco compensatórios, até que em outubro a Dra. Solange (hematologista da PMERJ) resolveu iniciar um novo medicamento, o Mabthera (Que apesar de caro é fornecido pela PMERJ) para o meu marido e, creiam-me, como num passe de mágica a evolução foi estupenda! O Sr. Grandão, já na segunda aplicação, não sentia mais nada, então a dra. pediu uma nova TC do tórax, antes de dar a continuidade ao tratamento e esse foi o nosso presente de Papai Noel, mas o meu real pedido para o bom Velhinho é que a PMERJ não deixe de fornecer o medicamento em tela aos seus pacientes, pois creio que, mesmo sendo caro, é um medicamento que compensa na relação custo x benefício. Esse pedido pode até parecer não ter fundamento, mas eu sempre procuro manter-me informada sobre tudo em relação a doença do meu marido e tenho acompanhado uma relutância imensa em outros órgãos para a aquisição e manutenção de tratamentos com o Mabthera. Hoje eu posso dizer que conheço um pouco da estrutura e das dificuldades do setor de saúde da PMERJ, mas sem dúvida, o tratamento de linfoma é de primeira linha, sem medo de errar ou de exagerar.

Desejo a todos um Ano Novo repleto de muita paz, saúde e prosperidade e saibam que todos estão sempre em minhas orações, pois foram, além de amigos os meus verdadeiros suportes e apoios nos piores momentos, especialmente naqueles em que muitos nos dão as costas.

Um beijo carinhoso e um abraço fraternal em cada um de vocês.
Silvia Alves
Esposa de Praça da PMERJ.

sábado, 27 de novembro de 2010

A PMERJ É FEITA DE HERÓIS!

Oi gente!!!!

Vocês não têm noção do dobrado que estou cortando com o meu grandão querendo, a todo custo, correr para o BPM para se apresentar como voluntário contra os marginais! Lembro a ele, a cada minuto, que se ele está de fora da guerra não é por que ele quer, mas porque Deus assim o quis, mas vai convencer um policial de que, com os colegas na rua batalhando, ele não pode ir!

Quando criei o meu blog, o fiz com a intenção de ter uma ferramenta que me permitisse expor os problemas da corporação e com o objetivo de tentar mostrar a esses bravos o quanto eles são importantes, mesmo que a sociedade, o governo, as ONGs e outros mais não tivessem essa opinião. Nós que somos esposas, mães, filhas, filhos, maridos, pais e tantos que os amam e que compreendem o ardor com a missão e o amor pela farda, estamos aqui orando e aguardando o momento em que, finalmente, poderemos falar com orgulho que eles são policiais militares e o momento em que suas fardas poderão ser estendidas na corda do quintal e não mais atrás dos armários ou no cabideiro do banheiro.

Nesse momento a única coisa que quero é concentrar minhas orações e direcioná-las para cada um que está empenhado nessa luta, seja ele civil ou militar, em especial quero dedicar a cada PRAÇA DA PMERJ meu carinho e minha certeza de que todos sairemos vitoriosos, no mais estou por aqui, segurando o enforcador do meu pitbull dodói e orando com todas as minhas forças. Um beijo no coração de cada um e o meu apoio e carinho especial as esposas que têm seus maridos na linha de frente.

ORAÇÃO DO POLICIAL MILITAR

Saio de casa para o serviço; fazei que com que volte são e salvo.
Enquanto protejo outras famílias, por favor, proteja a minha.
Não deixe que uma bala traiçoeira me atinja, nem que eu seja um instrumento para as injustiças.
Nos momentos difíceis, e diante da morte, não deixe que eu caia em desespero.
Sou humano, mortal, às vezes fraco, mas me faça parecer sobre-humano, imortal, forte, a fim de inspirar confiança, esperança e força aos desamparados.
Nos momentos dos meus erros, fique do meu lado, pois todos os demais, por mais pecadores que sejam, estarão contra.
Dai-me força e sabedoria para auxiliar os desesperados, e fé para não desistir diante de uma vida que se acaba.
Auxiliai-me a ser criança para as crianças, pai para os desprotegidos e adulto para os necessitados.
Que o vigor de minhas ações seja sempre em proteção à paz, à vida, aos mais fracos, aos oprimidos e aos humilhados.
Que eu saiba ver a beleza do coração, não da face, da cor, da raça, da religião ou da condição social.
Que os menos esclarecidos compreendam minhas limitações e a complexidade do meu serviço.
Senhor – abençoai e protegei os policiais militares.
Amém.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mudanças, às vezes, trazem paz!

Oi meu povo! Sei que ando cada vez mais ausente e espero que me compreendam, se os meus dias tivessem 36 horas acho que ainda seria pouco tempo para fazer tudo o que preciso e tenho vontade.
Primeiro vamos às notícias do meu grandão: Ele esteve internado mais uma vez, algumas complicações inerentes ao tratamento o levaram a uma hospedagem de dez dias no HCPM, nada que meu guerreiro não tire de letra, afinal ele é Policial Militar e, para quem já enfrentou bandidos com fuzis e foi duas vezes alvejado, algumas injeções são molezinha. Cada dia que passa amo mais esse homem, ele vem enfrentando essa batalha contra a doença com muita garra, determinação e conformidade, é claro que de vez em quando bate aquela vontadezinha de perguntar a Deus o porquê, mas logo ele se conforma e vê que todos os motivos estão dentro dele mesmo e nos seus atos passados e, essa atitude, vem contribuindo muito com o seu crescimento espiritual e com sua proximidade com o Pai.

Bem, trocando alhos por bugalhos, gostaria de ter tempo para postar todos os dias, pois tem acontecido coisas que merecem minha atenção e nossa reflexão. Há tempos atrás, quando o coronel Mário Sérgio assumiu o Comando da nossa família eu orei para que ele fosse iluminado e começasse a realizar as mudanças necessárias para que nossos bravos tivessem, acima de tudo, dignidade. Sei que é uma tarefa árdua, sei também que com tantos remos impulsionando o barco para o norte é difícil tomar outro rumo, principalmente quando estes remos têm o peso de muitas estrelas, mas com tudo isto, ainda consigo ver sutis mudanças na corporação (mesmo que eu as esteja vendo de longe e mais ouvindo do que assistindo). Uma das mudanças de que tomei conhecimento veio acompanhada da triste notícia do nascimento de mais um sol no céu do Brasil, a morte do policial Bruno Castro Ferreira que foi assassinado em plena av. Rio Branco por um “pobre excluído social que recebeu o benefício de regime aberto” e retornou ao seu antigo emprego, o de roubar os trabalhadores ameaçando-os com uma arma. A mudança a qual me refiro é o encaminhamento a tratamento psicológico e o afastamento temporário do serviço de rua do policial que, acompanhando a ocorrência, foi filmado chutando a cara (cara mesmo, quem tem rosto é ser humano) do bandido que pouco antes havia atirado com uma arma de grosso calibre (cal. 45) contra o rosto do policial. Gente, há tempos eu venho chamando a atenção para os sérios problemas psicológicos que a PMERJ enfrenta, o policial, por mais treinado que seja, ainda é humano e o ser humano sofre de estresse, se revolta, ama, odeia e carrega todos os sentimentos de outros seres humanos, portanto é plenamente compreensível que, em algum momento na sua carreira, possa ocorrer uma ação movida por forte emoção, como aconteceu com outro Bruno, aquele que foi achincalhado publicamente pelo hoje cel. da reserva Lopes. Essas atitudes são erradas? Claro que sim! Mas o que entra em questão não é errado x certo, mas até que ponto essas ações podem ser atribuídas a um desequilíbrio momentâneo motivado por sentimentos naturais do ser humano ou a pura maldade e certeza de impunidade, para isso serve a avaliação psicológica e o tratamento, para que após a certeza de que o policial pode retornar ao seu trabalho, ele o faça equilibrado e sabendo como agir em uma próxima ocasião, pois manter nas ruas o policial sobrecarregado acarreta uma montanha de erros e expulsá-lo sem antes saber o que houve exatamente é, além de extremamente injusto, empurrá-lo para uma vida marginalizada, uma vez ex-PM, para sempre ex-PM. Espero que as mudanças não sejam só o glacê do bolo, mas que o bolo tenha uma massa ótima e um recheio melhor ainda, se é que me faço entender. Agora só falta o nosso nobre CG dar uma voltinha surpresa no HCPM (que também está sofrendo muitas mudanças) para testemunhar como alguns “Doutores” agem, ainda temos muitos médicos que tratam o policial com descaso e desconfiança o que acaba fazendo com que doenças graves passem despercebidas. A próxima mudança que espero, de todo o coração, é que alguns médicos, ao entrarem em seus consultórios, esqueçam suas patentes e lembrem do juramento de Hipócrates, mas isso depende mais da consciência de cada um, se bem que um belo puxão de orelhas do Comandante deve dar um empurrãozinho.

Ah... Não posso deixar de agradecer as pessoas que estão ao nosso lado nessa guerra:
- Equipe de enfermagem do 5º andar (Uro), valeu e um beijão no coração de todos!
-Mais uma vez Dra Maura, mesmo sem estar acompanhando o grandão, foi lá dar uma força!
- Dra Marcela, anjo de sorriso iluminado!
- Paulo e Eduardo (hemato) valeu a força!
- Reinaldo e Gil (quimio) vocês são dez!
- Carinho especial para a Dra. Solange (a única hematologista de lá), mesmo com tanto trabalho consegue conhecer cada um dos seus pacientes pelo nome e consegue aturar a todos nós (acompanhantes malas estressadas) sem se perder. Um beijo!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

NINGUÉM MERECE!!!

Oi pessoal! Sei que prometi voltar logo com notícias a respeito das mudanças no setor de perícias do HCPM e sei também o quanto demorei, mas vocês entendem que ando com a vida muito corrida e o tempo é curtíssimo. As novidades custaram, mas chegaram. Ao que tudo indica a mudança foi para melhor, pois agora os policiais que estão com doenças graves e já há algum tempo licenciados, ou aqueles aos quais os médicos deram uma previsão de melhora superior a 15 dias, são logo encaminhados para a junta e aqueles cujas licenças vão até 15 dias levam o a dispensa direto ao batalhão, vamos ver se assim os casos de reforma andam mais rapidamente e beneficiam aqueles que realmente necessitam.

Bem, gostaria de só ter coisas boas para contar, mas não é bem assim que o barco navega, na maioria das vezes ele vai ao sabor do vento e, por mais que eu reme, não consigo me afastar das tempestades. O Sr. Grandão já vem há mais de um mês arrastando uma infecção pulmonar, o que vem lhe causando fortes dores nas costas do lado esquerdo que só tem sido amenizadas com o uso do Tylex (remédio controlado), até aí vamos levando enquanto aguardamos os resultados das culturas que foram enviadas para o laboratório Noel Nuttels. Dia 15/09, como as dores só pioravam, fomos ao HCPM para que um médico, na emergência, fizesse uma nova avaliação, para verificar se estava ocorrendo alguma outra reação fora a infecção, tipo um derrame pleural ou coisa que o valha, qual não foi nossa surpresa quando o médico plantonista nos informou que não poderia nos ajudar, pois não sabia que tipo de avaliação a hematologista poderia querer, então peguei o meu celular para ligar para a Dra. Solange e ele nos mandou aguardar do lado de fora enquanto tentávamos contato e que “se conseguíssemos falar com ela, ele perguntaria o que ela queria que fizesse”. Ficaram surpresos? Pois então surpreendam-se um pouco mais, já que esse médico, pelo menos, se interessou em falar com a médica do meu marido para saber o que deveria fazer, mas como o meu grandão estava sentindo-se mal, voltamos para casa para que ele pudesse se deitar e, já que dia 16/09 seria dia de quimioterapia, decidimos retornar na emergência pela manhã para tentar a dita avaliação. O médico que nos atendeu sequer levantou os olhos do jornal enquanto falávamos, então meu marido resolveu simplificar e disse: “Doutor, para resumir e não atrapalhá-lo, eu quero um pedido de raios X “de frente e de lado””, aí então ele parou de ler, pegou o receituário e perguntou: “Do tórax?”, após a confirmação ele fez o pedido e nos perguntou quem iria “ver” o RX e meu marido falou que achava que seria ele, mas se ele não pudesse que nós iríamos procurar um médico na radiologia para fazê-lo e a coisa ficou por aí mesmo. O raio X foi visto pela pneumologista que estava no ambulatório, Dra Fátima, por sinal extremamente atenciosa, que nos disse que não havia nenhuma evolução, negativa ou positiva, do quadro pulmonar. As dores continuam, cada vez mais fortes, e elas incomodam tanto que mesmo ele estando sedado pelo “Rivotril” que toma toda noite o meu grandão geme durante toda a noite.
É deprimente o policial trabalhar, se expor e numa hora como essa, ser tratado como um pedaço de carne podre no hospital que deveria recebê-lo e cuidá-lo como um combatente, como alguém que derramou o próprio sangue pela corporação. Tenho lido nos jornais que o Comandante Geral está investindo na valorização do policial, inclusive existe um projeto de parceria com a UERJ que visa formar policiais cidadãos, mas o que eles não conseguem ver é a dignidade escorrendo pelo ralo quando o policial necessita de atendimento médico e dá de cara com esse tipo de “profissional”, o homem policial militar para ser cidadão tem que, e, primeiro lugar, ser tratado com cidadania. Eu, como parte integrante do corpo de saúde do Rio de Janeiro, me senti envergonhada, triste e revoltada com o atendimento prestado. Poxa vida, se o paciente está doente, se está em tratamento e precisa de uma reavaliação quem tem que fazê-la? Quem deveria ter a obrigação de descobrir o que o paciente tem? Não seria o “senhor doutor” que está ali sentando? Eu acho que ninguém ali é pago para ler jornal, ainda esqueci de comentar que o “doutor” estava no consultório desde antes de chegarmos na emergência, mas só começou a atender quase uma hora depois disso, quando um outro médico chegou ao setor e foi ao balcão buscar as fichas, nesse meio tempo um hipertenso grave poderia ter tido um AVC bem ali e aposto que a culpa cairia nas costas do cabo que estava no balcão fazendo as fichas. A triagem de doentes está cada vez pior. Como alguém sem nenhuma formação na área de saúde pode identificar o que é urgência ou não? O que tenho visto amiúde são pessoas com crises hipertensivas graves aguardando atendimento e esperando horrores enquanto outras, em situação bem menos séria, entram logo. Um total respeito à ordem de chegada e desrespeito as condições de saúde.
Caro senhor Diretor Médico do HCPM, nós pedimos socorro desesperadamente, pedimos atenção e respeito a gravidade das nossas enfermidades e, acima de tudo, pedimos que alguém olhe pela dignidade do policial que, após servir ao estado com seu sangue e suor, necessita do respeito e dos cuidados atenciosos e diligentes dos membros desse corpo de saúde.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Papeleta médica... Argh!!!!!!!!!! 2

Não sei se vocês lembram, mas há algum tempo atrás fiz uma postagem falando (mal) sobre a papeleta médica, aquele papelzinho famigerado que é exigido que o policial apresente no hospital para que seja atendido, pois bem, a “bendita” papeleta volta a ser a protagonista do meu blog e, mais uma vez, no papel de vilã perversa (pior que a Odette Roitman, com a diferença que não aparece ninguém para assassiná-la, rsrsrs). Como vocês todos já sabem o meu grandão virou sócio proprietário do HCPM, nós vivemos lá, por conta da doença dele. É o maior vai-e-vem, são consultas, exames, quimioterapia, renovação de LTS, etc, etc, etc. É nesse último quesito que aparece a nossa “querida, amada e idolatrada PAPELETA MÉDICA”. Os procedimentos para concessão de licença para tratamento de saúde mudaram, mas se engana quem pensou que mudaram para facilitar a vida do doente, até o momento não entendi o porquê da mudança, mas, à primeira vista, só piorou, isso porque antes as licenças eram concedidas pelo médico assistente e homologadas pela junta de saúde, mas agora quem concede, ou não, a dita licença é a junta. De que forma? O PM vai ao BPM e pega a famigerada, argh, papeleta, daí vai para o hospital e recebe seu atendimento, caso o médico que o atendeu lhe dê uma dispensa de até quinze dias, ótimo! Ele pega a papelada, leva tudo ao batalhão e entrega ao P/1, até aí beleza! Depois dos quinze dias é que começa o enredo que eu ainda não sei como acaba: O PM pega os papéis que o médico lhe dá com 15 dias e leva para o P/1, mas aí ele fica com outro papel preenchido pelo médico que descreve sua doença, o tratamento que está sendo realizado e o tempo que é previsto para duração desse tratamento, então no fim desses primeiros quinze dias o policial (doente, com câncer, esclerose múltipla, linfoma, leucemia e outras mais) retorna ao batalhão e pega outra papeleta para se apresentar à junta (com cuidado para não pegar um engarrafamento no caminho, pois das onze horas à uma hora da tarde é hora de almoço e se você que não está fazendo bico por estar doente, não tiver um caraminguá pra comer um bate entope no bar da China, periga cair de fraqueza lá na junta mesmo, talvez seja até bom, pois aí te internam e você almoça aquele franguinho atropelado do rancho!), é a partir desse ponto que eu ainda não sei como ficou, pois se em um espaço de quinze dias o cara tiver que ir ao batalhão para pegar duas papeleta e depois voltar para entregar duas homologações de licença para conseguir exatamente os trinta dias iniciais, como era antigamente (o médico não podia pedir mais de trinta dias), isso significa que andamos para trás e que o cara vai passar a ter dois trabalhos para nada, ou seja, troca-se seis por méia dúzia, mas se a junta passar a homologar licenças de três, seis e até dez meses depois da segunda papeleta, aí sim, valerá a pena.
Por enquanto vou esperar, assim que meu grandão passar pela junta e eu souber como a coisa está funcionando de fato, eu volto aqui para dar o bizú.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

TÔ AÍ!!!

Oi galera! Desculpem as ausências prolongadas, mas com o Sr. Grandão dodói minha vida tem sido um pouco mais corrida que o normal e esse corre corre acontece, quase sempre, no HCPM e por isso ando por dentro de algumas coisinhas que, ao que me parece, deveriam ser revistas, como por exemplo, a questão burocrática na aquisição de suprimentos e medicamentos. Vocês sabiam que o nosso hospital ficou três meses (isso mesmo, três meses) sem filme para tomografia? Em consequência, muitas pessoas que precisavam fazer o exame, só agora estão começando a realizá-los, é claro que várias pessoas fizeram por convênio, mas outras ficaram esperando. Outra questão extremamente importante foi a falta de medicamentos de quimioterapia o que acabou causando transtorno para alguns pacientes que fazem o tratamento. A falta de reagentes para determinados exames no laboratório já está tornando-se tão recorrente que eu já chego lá me perguntando qual será o exame que não estará sendo realizado naquele dia, semana ou mês. Hoje, por exemplo, li um aviso informando que o exame PSA (um dos que é realizado para constatação de câncer de próstata) está suspenso por tempo indeterminado. Não sei se a mamografia já começou a funcionar, mas da última vez que me informei, apesar da sala estar pronta e o mamógrafo já estar pronto para ser usado, não havia pessoal capacitado para alocar no setor. É isso aí meu povo, e por aí vai. Essas coisas me deixam muito triste, principalmente porque conheci o Cel. James Strougo (DGS) e o Cel. Borges (Diretor Médico do HCPM) e sei que ambos tentam fazer o melhor pelos pacientes, mas com tanta burocracia fica difícil. Não posso afirmar que a falta desses suprimentos médicos é um problema gerencial, mas me parece que sim, afinal essa parte de estoque, compra e distribuição não é um problema médico, mas como na PMERJ as coisas andam de forma diferente dos outros lugares, espero que alguém possa vir até aqui para nos esclarecer. Fora esses problemas pontuais e um ou outro "profissional" que esquece o seu juramento e age como um superior mandão e não como um membro do corpo de saúde daquela unidade, tenho estado bastante satisfeita com o tratamento dispensado ao meu Grandão e, mais uma vez, gostaria de agradecer a atenção e dedicação de profissionais que sabem honrar cada letra que foi pronunciada durante seu juramento profissional, entre eles posso citar os meninos da enfermagem da hemato, Paulo e Eduardo; a hematologista Major méd. Solange; a pneumologista Cap. Méd. Adriana; O Cirurgião torácico Cap. méd. Ricardo, a cap. méd. Regina da emergência, Os meninos da enfermagem da quimiterapia, Sgt. Reginaldo e o outro (que ele me perdoe, mas não consegui decorar o nome dele) vocês valem ouro, infelizmente não posso dizer o mesmo de uma loura de meia idade e de cabelo curto que imprime os exames e que encontrei ontem no laboratório, uma criatura antipática e grossa que desperta os desejos assassinos de qualquer ser humano, é que eu ando de boa maré, senão acho que teria pulado no pescoço dela (pelo menos nas três vezes em que precisei de seu serviços), eu e todos que tem o desprazer de necessitar dela para o que quer que seja. Como em todo lugar existem os bons e os maus profissionais. O que faz valer sempre é que o bom trabalho consegue apagar ou, pelo menos, minimizar os erros dos que só trabalham em troca de grana e não põem um mínimo de amor no que fazem. Obrigada a todos que, mesmo com tantas dificuldades, fazem o nosso hospital continuar em frente, mesmo que capengando, e àqueles que pouco se importam com o bem estar de quem está sob seus cuidados só gostaria de lembrar-lhes que a vida é uma via de mão dupla e se hoje você está na estrada que vai, amanhã pode estar na que volta.
*
Aos que cuuidam da administração dessa polícia, o que inclui o nosso hospital, olhem por ele e olhem por nós, precisamos do mínimo de humanidade para que a saúde de cada homem dessa polícia seja restabelecida e esse mínimo inclui o tratamento prévio, a atenção à família e a preocupação com os problemas de cada um dos policiais, pois, segundo a OMS, "saúde é o completo bem estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças ou enfermidades" e seguindo esse parâmetro, a nossa polícia está muito, muito doente e uma polícia doente contamina toda uma sociedade.