
Agora vamos partir um pouquinho para os nossos problemas comuns. Tenho acompanhado as notícias e, sempre que posso, entro na net para dar uma olhadinha nos blogs e me chamou muito a atenção duas coisas que vi em um dos blogs que acompanho. Uma delas foi uma gravação feita pelo Coronel Paul mostrando o vestiário da UPP do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho. Fiquei completamente apavorada e enojada com o que vi. É claro que limpeza também depende de quem usa, mas usar uma lixeirinha de escritório em um ambiente de alta circulação de pessoas, não tem esforço que consiga manter o lixo lá dentro. E o vazamento? PODRE!!! APAVORANTE!!! O pior é que o policial não recebe insalubridade para freqüentar um lugar daqueles. Aquele lugar me lembrou uma fazenda de suinocultura que visitei uma vez, se transferissem os policiais para a fazenda eles estariam muito mais bem alojados, afinal os chiqueiros eram extremamente limpos, inclusive cada baia era de piso para manter uma melhor higienização. Já falei mais de uma vez e não me furto em repetir que um trabalhador que não é tratado com o mínimo de dignidade e que não tem seus direitos de ser humano respeitados, não saberá respeitar, nem honrará os direitos alheios. É hora de mudar esse pensamento de que o policial que trabalha na rua só precisa do alojamento para se trocar, então não precisa de nada. Precisa sim, precisa de um mínimo de limpeza e organização, ali não dá nem para trocar de roupa sem sujar a barra das calças.
Outra coisa que vi no blog foi o desconto para o fundo de saúde (1% por cada dependente). O que não consegui entender é: Se reza o Estatuto do Policial Militar no seu Título III dos direitos e prerrogativas dos policiais militares na Seção I Art. 48, parágrafo IV, no item 5 que:
- É direito do policial militar: a assistência médico-hospitalar para si e seus dependentes, assim entendida como o conjunto de atividades relacionadas com a prevenção, conservação ou recuperação da saúde, abrangendo serviços profissionais médicos, farmacêuticos e odontológicos, bem como o fornecimento, a aplicação de meios e os cuidados e demais atos médicos e paramédicos necessários.
Então, fica subentendido que é direito do PM e, portanto, obrigação do estado e da corporação garantir tal direito sem que isso gere ônus para o policial, se eu estiver errada, por favor, me corrijam. Bem, mais uma vez, o que eu não entendo é que com o parco salário que o policial recebe lançam mão de mais um desconto, que já foi considerado inconstitucional, inclusive com vários PMs retirando-o do contra cheque, para cumprir com obrigações que deveriam ser arcadas pelo estado, afinal saúde é “um direito do policial militar e uma obrigação do estado”, daí que a construção das policlínicas e mini hospitais deveriam ser feitas com verbas do estado e nunca com o salário do policial. Caracas! Para o mundo que eu quero descer! Já não entendo mais nada! Será que só o que vale é o RDPM, em toda sua plenitude? O Estatuto, na parte dos direitos está esquecido? Onde estão as associações de praças para reivindicar os direitos dos mesmos? Gente, vamos lá! Eu entendo que o dinheiro da PM é pouco, mas onerar quem já ganha tão mal com a desculpa de dar um atendimento de saúde melhor não cola. O Rio de Janeiro é um estado rico, o segundo em arrecadação no país e está mantendo uma segurança de terceiro mundo usando a desculpa de falta de verba? Eu, realmente, não entendo. Precisamos de hospital, precisamos de atendimento, precisamos de profissionais que tratem os clientes como tal e não como inferiores hierárquicos, precisamos de mais gente na enfermagem, mas de gente que goste do que faz e não de 400 auxiliares de saúde que não sabem nem o que estão fazendo ali, precisamos de humanização no atendimento hospitalar, precisamos de material e, acima de tudo, os nossos policias precisam de respeito e direitos humanos, pois sem isso, jamais teremos uma polícia, realmente cidadã!



