O meu nobre governador Sérgio Cabral, ontem, durante a formatura de mais 1.020 sofredores públicos estaduais militares afirmou ser favorável a um piso estadual para os PMs, mas ser favorável em ano eleitoral e no Maracanãzinho sendo assistido por mais de duas mil pessoas (estou contando com os formandos e seus familiares) é mole, se fosse mesmo a favor teria implementado esse bendito piso logo no início do governo mostrando aos policiais e seus familiares que era digno dos seus votos para a próxima eleição, mas agora? No limiar das mudanças o senhor me vem com esse papinho de cerca Lourenço? O que o senhor pensa que somos? Burros ou crédulos? Não me leve à mal senhor Sérgio Cabral, mas tenho gravados em minha memória seus compromissos de campanha, compromissos assumidos perante os policiais de que lhes daria dignidade e justiça social, no entanto não foi isso que vimos durante esses longos quatro anos do seu governo. O que vimos foram salários cada vez mais defasados e a mentira deslavada de que o estado não tinha verba para dar aumento, o que vimos foi um hospital cada vez mais sucateado e a verba do fundo de saúde continuando a ser desviada para outras coisas, o que vimos foi o senhor indo a público gritar a plenos pulmões que nossos policiais eram débeis mentais e nossos médicos vagabundos, o que vimos foi o senhor passeando em Paris sempre que possível e agora, mais recentemente, o que vimos foi o senhor completamente indignado com o dano ao patrimônio como jamais esteve em relação às mortes brutais de nossos policiais. Seria muito bom se de toda essa indignação e revolta apresentada pelo senhor em relação ao patrimônio do estado sobrasse, pelo menos, 1/3 para manifestações contra as barbáries cometidas contra nossos bravos. Se 1/3 dessa gana de caçar os marginais do Collor Jet se revertesse em vontade política de melhorar a vida da PMERJ, com certeza eu hoje não estaria aqui escrevendo essas linhas e, talvez, pensasse em votar no senhor em outubro. Mas nem 1/3 do seu empenho esteve voltado para a família policial militar nesses quatro anos e ainda por cima o senhor se apresenta como o líder universal da inversão de valores ao dar muito mais importância a um monumento (não que ele não seja importante) do que aos seres humanos que defendem sua vida e a vida dos cidadãos cariocas, muitas das vezes deixando suas esposas viúvas e seus filhos órfãos para que nós possamos dormir. Realmente dessa vez o senhor se superou. Vou sugerir aos policiais do Rio de Janeiro que deixem de ir aos batalhões e passem a se apresentar nas praças do estado como estátuas humanas, quem sabe assim o senhor os confunde com monumentos e eles são promovidos de débeis mentais a esculturas de pedra sabão e, assim, passam a ter alguma importância.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Inversão de valores
O meu nobre governador Sérgio Cabral, ontem, durante a formatura de mais 1.020 sofredores públicos estaduais militares afirmou ser favorável a um piso estadual para os PMs, mas ser favorável em ano eleitoral e no Maracanãzinho sendo assistido por mais de duas mil pessoas (estou contando com os formandos e seus familiares) é mole, se fosse mesmo a favor teria implementado esse bendito piso logo no início do governo mostrando aos policiais e seus familiares que era digno dos seus votos para a próxima eleição, mas agora? No limiar das mudanças o senhor me vem com esse papinho de cerca Lourenço? O que o senhor pensa que somos? Burros ou crédulos? Não me leve à mal senhor Sérgio Cabral, mas tenho gravados em minha memória seus compromissos de campanha, compromissos assumidos perante os policiais de que lhes daria dignidade e justiça social, no entanto não foi isso que vimos durante esses longos quatro anos do seu governo. O que vimos foram salários cada vez mais defasados e a mentira deslavada de que o estado não tinha verba para dar aumento, o que vimos foi um hospital cada vez mais sucateado e a verba do fundo de saúde continuando a ser desviada para outras coisas, o que vimos foi o senhor indo a público gritar a plenos pulmões que nossos policiais eram débeis mentais e nossos médicos vagabundos, o que vimos foi o senhor passeando em Paris sempre que possível e agora, mais recentemente, o que vimos foi o senhor completamente indignado com o dano ao patrimônio como jamais esteve em relação às mortes brutais de nossos policiais. Seria muito bom se de toda essa indignação e revolta apresentada pelo senhor em relação ao patrimônio do estado sobrasse, pelo menos, 1/3 para manifestações contra as barbáries cometidas contra nossos bravos. Se 1/3 dessa gana de caçar os marginais do Collor Jet se revertesse em vontade política de melhorar a vida da PMERJ, com certeza eu hoje não estaria aqui escrevendo essas linhas e, talvez, pensasse em votar no senhor em outubro. Mas nem 1/3 do seu empenho esteve voltado para a família policial militar nesses quatro anos e ainda por cima o senhor se apresenta como o líder universal da inversão de valores ao dar muito mais importância a um monumento (não que ele não seja importante) do que aos seres humanos que defendem sua vida e a vida dos cidadãos cariocas, muitas das vezes deixando suas esposas viúvas e seus filhos órfãos para que nós possamos dormir. Realmente dessa vez o senhor se superou. Vou sugerir aos policiais do Rio de Janeiro que deixem de ir aos batalhões e passem a se apresentar nas praças do estado como estátuas humanas, quem sabe assim o senhor os confunde com monumentos e eles são promovidos de débeis mentais a esculturas de pedra sabão e, assim, passam a ter alguma importância.
segunda-feira, 29 de março de 2010
PARA O MEU GRANDÃO
Tem dias que o meu coração parece que vai arrebentar, é um sentimento de impotência de perda e de solidão que tenho vontade de sair por aí sem rumo e sem destino e só parar de andar quando meu coração parar de bater, mas aí penso em você, lembro de quanto ainda tenho para viver com você e de quanto ainda temos que lutar afinal, somos sim almas gêmeas que se encontraram nessa vida, e, acredite, não foi por acaso! Aí quero me renovar, mas às vezes é um pouco difícil, meu coração quer, mas parece que algo mais forte, feio e negro, não quer me deixar estar com você, quer que eu me afaste e me entregue a esse sentimento tão ruim. Desculpe se às vezes sou tão fraca e tão deprimente, mas eu prometo que vou superar afinal, “Você sabe me fazer feliz” e eu te amo!
domingo, 28 de março de 2010
AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ...

Menor queimado por soldados do Exército é preso
(Fonte: Extra on line – Por: Tulio Brandão)
Policiais do 14o. BPM (Bangu) prenderam na madrugada deste sábado o menor que, em novembro de 2008, teve 70% do corpo queimado por soldados do Exército ao ser flagrado fumando maconha dentro de uma área militar, em Realengo. Ele estava armado com um revólver calibre 32, acompanhado de Alexandro Gomes Fraga, de 18 anos. Segundo a polícia, praticava assaltos contra pedestres e passageiros de ônibus.
Dois sargentos do 14o BPM abordaram a dupla na esquina das ruas Piraquara e Aníbal Esteves, em Realengo. Com os dois, foram encontrados celulares e pertences de outras pessoas. Na 34ª DP, para onde os dois foram levados, a polícia informou que a dupla foi reconhecida por vítimas de um assalto a um ônibus da Linha 393, da Transporte Campo Grande. O motorista e o cobrador do ônibus já teriam identificado a dupla.
Segundo a polícia, o menor será encaminhado para a Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA) e Alexandro, para a Polinter.
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Lembra da primera vez que esse menor foi pego? se não lembram clique a seguir:
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Pois é... O nosso mundo é redondo, mas sempre nos encontramos em algum canto! Lembro bem desse caso, na época comentei com o meu grandão que era um tremendo absurdo o fato de soldados do exército se arvorarem do direito sobre a vida e a morte e praticarem um ato de tamanha crueldade, lembro da mãe desse menor vociferando nos meios de comunicação clamando por justiça (no meu entender ela queria mesmo era vingança) e crendo que os militares deveriam sofrer um castigo igual ou pior que àquele infligido ao seu pobre rebento, lembro também da mídia que só faltou comprar cruzes de madeira para pregar os militares tal e qual era nos idos tempos de Jesus de Nazaré. Os militares, meninos recém caídos dos cueiros, simplesmente se acharam no direito de castigar com spray de pimenta os “maconheiros” que invadiram sua área de patrulhamento sem sequer respeitar a autoridade militar ali representada pelos meninos. Aqueles garotos que envergavam fardas verde oliva e empunhavam armamentos privativos das forças armadas, com certeza, foram punidos com todo o rigor que o exército usa com os seu, mas e a pobre vítima daqueles cruéis soldados? Ah... Esse aí, coitadinho, era só uma pobre vítima da sociedade, um pobre garotinho que, segundo palavras ditas por ele e por sua mãe na época, não era viciado, mas que influenciado por um colega que fugiu, resolveu experimentar maconha, coitadinho! Pobre vítima influenciada por terceiros, flagelada por “homens maus” foi cuidada, tratada e acompanhada por psicólogos para que não guardasse traumas da violência sofrida. Hoje, mais uma vez, o nosso menor é pego em flagrante cometendo outro ilícito, mas como é um pobre menino, menor de dezoito anos, vítima da sociedade, etc, etc, etc, vai continuar por aí fumando sua maconha, roubando esses membros da sociedade malvada que o excluí e mais tarde, quem sabe, assassinando um pai de família que não merece permanecer vivo já que é só mais um dentre tantos que tratou tão mal o pobre garotinho. Tenho nojo desse ECA! Essa porcaria de estatuto só presta para manter essas víboras protegidas e muito bem acolhidas no seio da nossa sociedade de onde em intervalos cada vez menores dão o bote e matam com seu veneno um daqueles que eles costumam culpar cada vez que são presos. Só espero que a progenitora dessa cobra peçonhenta peça justiça dessa vez com a mesma gana, fúria e voracidade com que pediu da outra, ou será que nós, membros da sociedade, não somos merecedores de justiça, mas sim de cada vez mais crueldade e violência do seu “bebê” muito amado e extremamente mal criado?!
O surpreendente é que dessa vez a mídia não deu o valor devido ao caso, talvez por não envolver nem a PM tampouco o exército. Muito provavelmente, diferente de quando o pegaram consumindo seu psicotrópico, essa será a última vez que lerão sobre isso, afinal menor ladrão é lugar comum e o que vende jornal é autoridade truculenta.
Às vezes esqueço que meu grandão está doente e dou graças à Deus por ele estar em casa e não na rua lidando com esses menores tão protegidos pelas nossas leis.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Esporte ou guerra?

Um ferido e oito detidos em briga de torcedores
Rio - Uma briga entre torcedores do Vasco e do Flamengo assustou motoristas que circulavam pela Avenida Brasil, algumas horas antes do clássico no Maracanã. De acordo com informações do 22º DP (Vila da Penha), houve tiros e pancadaria entre as facções rivais. Um torcedor ficou ferido e foi levado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas. Oito pessoas foram detidas. (fonte: "O Dia" on line)
Ontem tive o desprazer de assistir cenas hediondas protagonizadas pelas “estrelas” da notícia acima, que a mídia deu a importância dessa pequena nota. Como comentei uma vez, o meu filho mais velho andava fascinado pelos loucos, bandidos e sádicos que fazem parte dessas turbas autodenominadas “torcidas organizadas”, pois bem, ontem, dia de clássico no Maraca, tinha tudo para ser maravilhoso aqui em casa, afinal meu Montanha (como o pai costuma chamá-lo) está há um ano fora da turba e indo ao estádio apenas com dois amigos de infância ou com os pais da namorada e nós iríamos assistir o jogo na casa do meu irmão flamenguista todos juntos, minha mãe vascaína, minha sobrinha flamenguista, eu e meu grandão vascaínos e meu caçulinha (que só prá contrariar todo mundo é botafoguense), tudo armado para ser um saudável divertimento em família, não importava o vencedor só quem seria encarnado depois da pelota rolar. Enquanto ainda estava em casa deitei no meu quarto para descansar um pouco e curtir o meu grandão que, graças a Deus, está reagindo muito bem à quimioterapia, quando começou a confusão. Foram tantos gritos, palavrões, um tal de pega o otário e mata ele, que eu levantei para ver o que acontecia; a ficha custou a cair, custei a acreditar que aquele bando eram jovens, mulheres e homens, que incitavam uns aos outros à guerra enquanto seus generais, de dentro de seus carros, gritavam palavras de (des)ordem. Entrei em pânico! Meu pavor era tal que nem conseguia lembrar que meu “Montanha” estava na casa da namorada e que já não fazia mais parte daquilo, só conseguia pensar que ele podia estar naquele meio. Dali a pouco começaram os tiros, e foram muitos. Minha afilhada chegou a minha casa apavorada depois de ter visto homens passarem correndo por ela armados e dizendo que iriam matar alguém, e lá se foi o bando em direção a Av. Brasil para cercar o ônibus do Vasco. No meio de todo o alvoroço meu filho chegou, totalmente desligado de tudo o que se passava, e disse que iria ao jogo, eu quase tive um piripaque e, claro, não deixei que ele fosse, afinal as notícias que chegavam eram de todos os tipos, entre elas as de que haviam vítimas fatais do malfadado encontro. Segurei meu filho em casa até que a turba foi embora nos ônibus fretados e só aí permiti que ele saísse. Bom, aí o meu domingão de clássico familiar já estava detonado pois, hipertensa que sou, passei mal e não tive a mínima vontade de assistir jogo nenhum.
Sinceramente não sei o que as grandes autoridades desse país ainda estão esperando para dar um basta nesses bandos. Na minha opinião, a palavra “organizada” não se encaixa de forma alguma com as atitudes dessas quadrilhas, quadrilhas sim, eu vi o que a lavagem cerebral deles pode fazer com um adolescente, e vi bem de perto, dentro da minha casa, ainda bem que conseguimos afastar meu filho disso, pois o ódio que eles disseminam é tão corrosivo que está conseguindo manter as famílias fora dos clássicos e até fazendo com que nós, simples mortais, deixemos de ter o prazer de torcer pelo nosso time de coração, gostaria que esses animais entendessem que rivalidade não é sinônimo de inimizade e que mesmo os inimigos devem ser perdoados, pois perdoar e amar um amigo é mole, mas fazer isso com um inimigo é que aproxima o homem de Deus!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Diário de bordo
Oi meus amigos! Sei que tenho sido um pouquinho egoísta e me preocupado só com os meus problemas, mas sei que vocês entendem que a tormenta pela qual estou passando não me deixa cabeça para pensar em outras coisas, mas também preciso deixar claro a todos que meus problemas não me mantém totalmente “fora” do que acontece na PMERJ. Assistimos o nascer de um novo ano e parece que na nossa casa tudo segue como antes: salários ínfimos, riscos exagerados e a cada dia, mais policiais morrendo. Embora um pouco atrasada vim falar da cena horrenda que assisti pela TV da execução sumária do Sargento do 1º BPM. A cena foi nauseante, revoltante e a minha vontade era de sair gritando para cada policial que visse pela minha frente para sair pelas ruas caçando esses trastes e executando cada um da mesmíssima forma, mas como boa cristã que sou, olhei para o alto e pedi a Deus que recebesse o sargento em seus braços e que desse alento e conforto aos corações daqueles que o amavam e que aqui ficaram (se bem que uma boa caçada talvez fizesse esses tralhas voltarem a respeitar nossos bravos. Que saudades dos anos oitenta). Nesse primeiro mês do ano o que vi foi muito cruel e dolorido, porém o meu pensamento egoísta e mesquinho foi ainda mais doído, preciso confessar a vocês que agradeci por meu marido não estar nas ruas e depois caí em prantos, pois fiquei sem saber se não seria melhor que ele estivesse nas ruas combatendo e jogando nessa loteria da vida, onde vida e morte valem 50% cada uma, do que nesse jogo de azar onde a vida nos enfiou e que o deixa com a desvantagem de ter menos de 50% de tirar a sorte grande. Chorei muito! Nossa! Como doeu ter um pensamento ridículo assim. É claro que a saúde dele é infinitamente melhor que qualquer outra coisa, mas no momento em que assisti aquela cena o pavor de ter que ver meu marido ser fuzilado em frente a uma câmera e ter que chorar sobre o seu corpo ensangüentado me fez até esquecer que ele está com câncer e que isso também pode matá-lo. Desculpem-me os pensamentos funestos e lúgubres, mas tenho andando muito depressiva e os pensamentos ruins tem me acompanhado por isso vim até aqui desabafar. Preciso voltar a ir a minha psicóloga, ela me ajuda bastante e me faz pensar de outra forma e ver o mundo com outras cores, bem diferentes desse negro que tenho enxergado. O mais engraçado é que as coisas estão realmente melhores, meu grandão está reagindo muito bem à quimioterapia, seus exames estão ótimos, o cabelo dele não está caindo (grande preocupação do meu grandão) e ele mantém um quadro estável, parece que essa calmaria está me fazendo relaxar e quase sucumbir, às vezes tenho vontade que o dia não amanheça para que eu continue na cama, pelo menos os sonhos são bem melhore que a vida real, mas ninguém pode dormir o tempo todo não é? Então vou seguindo com a maré e pedindo a cada um de vocês que, além de orarem pela melhora do meu grandão, orem por mim e peçam que Deus me dê muita força, pois às vezes acho que vou falhar e eu não posso falhar com os meus três homens, meus grandes amores e as razões da minha vida.Obrigada por, mais uma vez, me aturarem!
Um beijinho em cada um que teve a paciência de chegar até aqui, mesmo com tanto pessimismo!
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Papeleta médica... Argh!!!!!!!!!!
Tudo na vida tem regras, para tudo existe uma burocracia, um entrave burocrático. No caso das instituições públicas eu costumo chamar esses entraves de “burrocracia”. É um tal de requerimento pra cá, memorando pra lá, que um assunto que poderia ser facilmente resolvido em dez minutos acaba levando quatro horas. Como qualquer unidade governamental a PMERJ não poderia ser diferente, é requerimento, papeleta, LTS, IFP, etc, etc, etc, que chega me deixar tonta. Como todos sabem meu marido está em tratamento para câncer e fazendo a quimioterapia, o que significa baixa imunidade e uma grande facilidade para que doenças banais como uma simples gripe possam levá-lo ao hospital novamente. Onde quero chegar com isso? Bem, eu fico imaginando e avaliando a “burrocracia” da tal da papeleta médica: Qual a funcionalidade daquele bendito papelzinho verde que o PM tem que pegar no BPM toda vez que necessita ir ao médico? A única função que consegui encontrar para ele é o de dar trabalho e dificultar a ida do policial ao HPM, vendo tanta dificuldade o policial acaba desistindo de se tratar e o malandro, que só quer um atestado, desiste de tentar dar o gabiru. Mas se formos ver bem direitinho é uma das “burrocracias” mais cruéis que existe, já que acaba por afastar um doente do tratamento e leva alguém que realmente esteja passando mal a cumprir uma verdadeira maratona na busca pelo tratamento. Vamos supor que o policial seja lotado em Bangu e more em Ramos: Deu pra perceber a maratona que ele terá que cumprir? Vai sair de Ramos e irá até Bangu pegar a papeleta, de lá volta todo o caminho (passando por onde mora) e vai para o HCPM e é atendido, o médico, então, o põe de LTS, ele desce a rampa vai pra junta, pega aquele monte de papéis (no meio deles a bendita papeleta) com a licença homologada e volta para Bangu (não esquecendo que, mais uma vez, para chegar ao 14º BPM o cara passou pela sua casa, o local onde ele mais quer estar, já que está doente e precisa de repouso) e só depois dessa via crucis é que ele pode ir para casa. O que não entendo é porque não se abole esse bendito papelzinho verde e passam a aceitar um atestado em receituário do próprio HPM, seja indicando as horas, ou seja dando as pequenas dispensas, quanto as LTSs e IFPs, tenho que concordar que a ida a junta para passar por uma perícia seja necessária, afinal, em qualquer lugar quem realmente decide a necessidade real de afastamento é a perícia, mas em relação ao bendito papelzinho verde, estou começando agora uma campanha: “ABAIXO A PAPELETA! CHEGA DE BURROCRACIA! VIVA A LIBERDADE DE ATENDIMENTO MÉDICO!”.
Bem gente, deixo aqui o meu recado, agora já vou indo, pois o meu grandão me chama e eu preciso curtir meu amorzão em casa ao máximo, beijos e FELIZ NATAL!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
SOLIDARIEDADE
Li hoje nos meus recadinhos um pedido da amiga Sgt. Ana Barbosa a respeito das necessidades especiais de alguns policiais e seus familiares e vou tentar ajudar no que for possível. O primeiro passo é o de esclarecer que, apesar de não existir uma política governamental voltada para o policial em situação especial e suas famílias, existe um sistema de auxílio dado pela DAS (Diretoria de Assistência Social) para esses policiais, não só para eles como para qualquer dependente que se encontre em situação de necessidade de medicamentos, materiais para curativos, cadeiras de roda, cadeiras higiências, camas especiais, etc. Como todos sabemos tudo que vem do governo é demorado pois depende de verba pública e essas verbas, muito pequenas, acabam rápido, mas uma vez protocolado o pedido e realizados os tramites burocráticos a DAS fornece os materiais. Como vocês devem proceder? Em primeiro lugar o médico que acompanha o paciente deverá fazer os pedidos em receituário padrão da PMERJ, cada ítem deve ser pedido em um receituário diferente, não adianta pedir no mesmo tudo o que se precisa, salvo as medicações que, se forem de uso contínuo, podem ser pedidas todas em uma única folha. Com esses pedidos em mãos vocês devem se encaminhar à DAS, que agora está funcionando no 4º BPM-São Cristóvão, e protocolar o pedido. Em caso de dúvidas liguem para a DAS e procurem se informar. Esse esclarecimento eu recebi da Assistente Social enquanto meu marido esteve internado e pude constatar a veracidade da assistência pois conheci pacientes que saíram de lá com cadeiras de roda, camas, fraldas e outros ítens necessários. Espero ter podido ajudar um pouco com essas informações.domingo, 13 de dezembro de 2009
HCPM - Críticas e agradecimentos!
Bom dia!Em primeiro lugar gostaria de dar notícia do meu grandão. Depois de longos 72 dias de internação, muitos exames e sustos, finalmente voltamos para casa, e com ele bem melhor. E estamos de volta com o diagnóstico fechado e tratamento iniciado. Meu marido está com um linfoma no mediastino, para os amigos que não sabem do que se trata darei uma breve explicação. O linfoma é um tipo de câncer que acomete o sistema linfático (sistema de defesa do organismo) e mediastino é aquele espacinho vago que temos no tórax mais ou menos entre o coração e os pulmões. Temos consciência de ser uma doença grave, mas ele já fez a radioterapia, tendo uma grande melhora nos sintomas, inclusive recuperando um pouquinho do peso perdido. E a quimioterapia vai começar na próxima semana.
Na verdade eu vim aqui para falar do hospital. Muitas vezes falamos do que não conhecemos, sem conhecimento de causa e sem enxergar o problema por dentro e eu tive a oportunidade de avaliar o HCPM lá dentro, de ver pelos olhos do paciente sendo uma crítica da área de saúde. Foi-me um pouco difícil, no início, entender o que se passava, afinal era o meu marido que estava ali e, por isso, meus olhos estavam turvos pelo sentimento, depois comecei a tentar ver as coisas pelo lado dos profissionais que ali trabalham e me coloquei no lugar deles. Enquanto pacientes internos, muitas vezes sentindo dor e muito mal estar não é fácil perdoar, desculpar ou mesmo ver justificadas as faltas daqueles que nos cuidam, mas basta se pôr no lugar do outro para que possamos entender. Como em todo lugar, lá também existem maus profissionais, existem aqueles que ignoram a dor, debocham da tristeza e se tornam insensíveis aos problemas dos outros, mas esses só são dignos de pena, pois ninguém está livre de adoecer e a vida é a melhor escola e quem não aprende pelo amor, aprende pela dor. Agora, lá existem excelentes profissionais, médicos e corpo de enfermagem que lutam dia-a-dia contra a falta de pessoal, a deficiência da máquina burocrática, os baixos salários e, tudo isso, sem contar com o mau humor de uns e outros (Caramba! Tem acompanhante que parece que só vai para o hospital pra comer e encher o saco da equipe). O que vi realmente no HCPM foi muita vontade de fazer o melhor, mas muitas vezes pontuada pelo desânimo. Alguém já parou pra pensar em como é difícil para uma equipe de enfermagem com seis pessoas cuidar de mais de trinta pacientes, a grande maioria deles acamados, necessitando de cuidados integrais no leito? Nas entrelinhas não podemos esquecer das medicações que cada um faz, em média, três tipos diferentes, os testes e exames que tem que ser feitos durante o dia, as anotações de enfermagem, etc, etc, etc... O número de profissionais é pequeno para o volume de serviço e são seis profissionais em média por que ainda contam com os cooperativados que estão para ir embora, aí é que vai dar “xabú”! Muitos dos militares que estão lá são combatentes que fizeram o curso técnico de enfermagem e foram deslocados para trabalhar no HPM, se não fosse isso estaria pior. O que me espanta ainda mais é saber que pensaram em levar os aptos, lotados na saúde, mas que são combatentes, de volta para a rua aliás, não sei se o pior é isso ou saber que todo ano são admitidos mais de quatro mil policiais e se fizermos uma continha, levando em consideração que cada PM leva para a corporação, além dele, no mínimo, mais dois dependentes, teremos um crescimento de demanda de pelo menos mais doze mil pessoas tendo a necessidade de ser atendidas na unidade, creio que haveria a então a real necessidade de se abrirem, pelo menos, mais uns 270 leitos, com isso uma necessidade urgente de muitos profissionais a mais (esse número eu nem ousei calcular, vou deixar para quem tenha a real noção), só vou contar para vocês que não é feito concurso para a saúde da PMERJ há onze anos. Construir outro hospital seria a solução? Acho que passa por aí, mas construir um prédio não significa bom atendimento, pois uma boa assistência passa pela valorização do profissional e pelo quantitativo para que a equipe possa ter flexibilidade, mobilidade, tempo hábil e “descanso” para realizar as suas tarefas a contento.
Em matéria de conforto, até que não podemos nos queixar. Todas as enfermarias têm ar condicionado e ventiladores e, apesar de vermos dificuldades, as roupas são trocadas todos os dias (quase – tem dias que falta fronha ou pijamas).
Uma crítica mais contundente precisa ser feita: Sei que o HPM é uma unidade militar, mas a comida servida ao paciente, além de pouca, tem dias que é de péssima qualidade, claro que pacientes mais debilitados e com necessidades especiais de alimentação recebem um complemento alimentar, mas isso é feito pela nutrição ou pelos médicos assistentes. O que o Ministério da Saúde preconiza é que um profissional de nutrição estabeleça e faça cumprir um cardápio balanceado com seis refeições diárias e o problema já começa por aí: São cinco! A colação (pequeno lanche servido entre o café da manhã e o almoço), lá não existe. O café da manhã do doente que tem dieta livre deve compreender uma determinada quantidade de proteínas, carboidratos e outros nutrientes que, com certeza, não estão contidos no magro “café com leite e pão com manteiga (raramente vista dentro dos pães)”, quase todos os dias a dieta compreende frango. Entendo (porém não aceito) que a alimentação nos ranchos de alguns quartéis seja ruim, mas no hospital? Usar pouco sal e não usar certos condimentos é uma coisa, mas servir carne dura, fígado verde e frango mal cozido a pessoas que estão tentando se restabelecer chega a ser cruel, ainda mais se levarmos em consideração que não se pode levar nem uma fruta de casa.
É acho que chega de reclamar, me alonguei muito, mas os problemas são tantos que, nem assim, consegui falar de todos eles. Apesar de tudo gostaria de deixar aqui alguns agradecimentos especiais, espero que quem eu não citar não se aborreça, vou tentar lembrar de todos, mas com tantos problemas minha memória anda meio falha.
Aí vão os nomes de pessoas muito especiais e que foram muito importantes para mim nesse longo período de internação:
CEL. James Strougo (DGS), CEL. Borges (diretor médico do HCPM), Dra. Maura, Cap. Ana Lúcia, Cap. Adriana, CB. Carmo (Anatomia Patológica), Márcia e Rose (copeiras), D. Marina, Joyce, Paula e Jô (limpeza) e agora aos meus fofos e fofas da equipe de enfermagem da clínica médica: Eunice, Simas, Coutinho, Tânia, Lu, Guinâncio, De Souza, Amorim, Bruno, Fabiana, Antônia, Beth, etc... Desculpem os que não citei, não foi por mal, só não consigo lembrar os nomes, mas todos os rostos estão gravados na minha memória e coração.
